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Desmatamento já reduz chuvas e pode afetar safra no sul da Amazônia

Estudo aponta que substituição em larga escala da floresta por pasto ou áreas de plantio tem provocado a redução do período de chuvas. Desmatamento indiscriminado pode colocar em risco prática de dupla safra na região.

Somado ao efeito das mudanças climáticas e outros fatores de larga escala, o período de chuvas na região, que compreende Rondônia, sul do Amazonas, norte do Mato Grosso e sul do Pará, foi encurtado em 27 dias no período de 1998 a 2012, com impacto na dupla safra, quando agricultores plantam no mesmo terreno soja e, depois, milho.

Os números estão em pesquisa realizada por dois pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais, e um da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, publicada em setembro pela Royal Meteorological Society.

O trabalho se baseou em dados de um satélite da Nasa dedicado a medir chuvas tropicais e em informações sobre o uso da terra na região, uma das fronteiras agrícolas que mais avançaram nos últimos anos no mundo. No período estudado, de 1998 a 2012, foram desmatados 82.260 km2 na área — 68% para pasto e os outros 32% para agricultura — equivalente ao tamanho da Áustria.

Um dos autores do estudo, Argemiro T. Leite-Filho afirmou à DW Brasil que a pesquisa comprova e mede a relação entre desmatamento e chuvas na região. Segundo ele, a cada 10% de uma determinada área desmatada, a estação chuvosa no mesmo local se encurta em 0,9 dias, em média, sem considerar o efeito das mudanças climáticas.

Ele alerta que as mudanças provocadas pela substituição da floresta, somada a outras dinâmicas climáticas, podem inviabilizar o plantio do milho após a colheita da soja, prática hoje corrente na região.

A entrevista é de Bruno Lupion, publicada por Deutsche Welle, 16-11-2019.

Eis a entrevista.

Como vocês mediram o período da estação chuvosa?

Usamos os dados coletados pelo satélite TRMM [Tropical Rainfall Measuring Mission, missão de medição de chuvas tropicais, em tradução livre], que entrou em órbita em 1998. Usamos imagens de setembro de 1998 até o final de 2012.

Processamos os dados pixel a pixel, cada um cobrindo uma área de 28 km por 28 km, para medir a chuva que ocorria diariamente e marcar o início e o fim da estação chuvosa, usando um método já consagrado e ideal para dados provenientes de satélites.

E como vocês mediram o desmatamento?

Usamos uma base de dados sobre o uso da terra na região, feita a partir de imagens de sensoriamento remoto e do censo agrícola realizado por IBGE e IPEA. E medimos o percentual de desmatamento em cada pixel, também de 28 km por 28 km, ano a ano.

Por que vocês usaram essa metodologia?

Identificamos uma lacuna nos estudos sobre o tema, que em geral são baseados em modelagem [quando pesquisadores criam modelos matemáticos sobre o ciclo das chuvas e a ocupação do solo e simulam o efeito do desmatamento].

Nosso estudo foi feito com dados observados, pixel a pixel, para identificar como o desmatamento dentro de cada pixel afeta a estação chuvosa no mesmo pixel. Não avaliamos como o desmatamento em outras regiões influencia aquela área, pois para isso teríamos que rodar modelos climáticos.

Selecionamos a região do sul da Amazônia porque lá é possível notar um acoplamento forte entre o clima e a floresta, há uma estação seca e uma estação chuvosa bem marcadas, e é uma área onde o desmatamento agrícola avançou bastante nas últimas décadas.

O que vocês encontraram?

A mensagem principal é que o desmatamento afeta todas as métricas da estação chuvosa. Além de atrasar o início da estação, acelera seu fim e, consequentemente, reduz o período de chuvas.

Existem algumas suposições, não baseadas em dados científicos, de que esse efeito seria simplesmente resultado das mudanças climáticas, não relacionado ao desmatamento.

Para provar que o desmatamento também afeta as chuvas na região, retiramos os efeitos de larga escala ligados às mudanças climáticas e fatores de larga escala e isolamos o efeito do desmatamento.

Quão menor ficou a estação chuvosa no sul da Amazônia?

Se somarmos o efeito do desmatamento às dinâmicas climáticas de larga escala, houve uma redução da estação chuvosa de, em média, 27 dias desde 1998. Ou seja, o produtor perdeu praticamente um mês de janela climática para plantar.

Se consideramos apenas o efeito do desmatamento, identificamos 0,9 dias de redução da estação chuvosa a cada 10% de área desmatada. Se um pixel tiver 80% de área desmatada, a estação chuvosa naquela área será, em média, 7,2 dias menor, com variação de 2,4 dias para mais ou para menos.

Isso pode parecer pouco, mas daí vem a importância de incluir também os mecanismos de larga escala. Somados, o resultado se torna ainda mais preocupante.

Como os efeitos do desmatamento e de larga escala se relacionam?

A estação chuvosa é controlada por fatores remotos, como a temperatura do mar, a umidade que vem do oceano e o El Niño, e fatores locais, como a evaporação de água da própria floresta, que depois se precipita na forma de chuva. O desmatamento reduz a injeção de vapor de água na atmosfera e altera o balanço de energia e, consequentemente, modifica os padrões de precipitação na região.

Em alguns anos, fenômenos globais como o El Niño já tendem a fazer as chuvas durarem menos. Se temos condições remotas desfavoráveis e a ocorrência do desmatamento, os efeitos se somam para reduzir a estação chuvosa.

O que esses resultados dizem sobre a legislação ambiental em vigor?

O Código Florestal exige que, na região da Amazônia, 80% da área das propriedades deve ser preservada como floresta. O objetivo do legislador foi, entre outros objetivos, proteger a biodiversidade, mas nossos resultados mostram que, se a lei for seguida, ela também ajuda a conter a modificação de chuvas na região.

Manter a floresta de pé não é só uma questão de seguir a legislação para não receber multa e não perder aceso ao crédito agrícola. Manter a floresta de pé é uma questão de sobrevivência para a agricultura praticada ali.

Qual é o impacto da redução da estação chuvosa na agricultura?

O mais comum na região é os agricultores plantarem a soja primeiro e, logo depois da colheita, plantarem o milho, que eles chamam de milho safrinha. Essa safrinha é tão comum que responde hoje por mais da metade do milho produzido no Brasil, e é fundamental para o agronegócio. Hoje os produtores conseguem plantar duas culturas na mesma estação chuvosa, mas quanto mais desmatar, mais prejudicamos a segunda.

No Mato Grosso, por exemplo, e estimativa é que são necessários no mínimo 200 dias de estação chuvosa para que a cultura da soja possa se desenvolver e ser colhida, e depois o produtor ainda plantar o milho e o milho se desenvolver. Um total de 27 dias a menos pode tornar inviável a segunda safra.

Instituto Rondon-Instituto Humanitas Unisinos

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Incrível: NASA mostra distribuição de monóxido de carbono com queimadas no Brasil

“Hey, @NASA, are you sure?”, questionou um usuário do Twitter à agência espacial quando ela mostrou uma imagem de satélite com fumaças visíveis do espaço, provenientes das queimadas que vêm acontecendo na região amazônica. Sim, a NASA tem certeza do que está divulgando e, agora, a agência mostra uma animação em que vemos a distribuição do monóxido de carbono na atmosfera, proveniente desses incêndios.

Segundo dados do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), somente em 2019 as queimadas na região amazônica já somam mais de 75 mil ocorrências, número mais de 80% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado.

A nova imagem que agora mostra a distribuição do monóxido de carbono resultante deste cenário foi obtida usando o instrumento AIRS (Atmospheric Infrared Sounder), que fica a bordo do satélite Aqua, monitorando a atmosfera em infravermelho. Ela é resultado de um mapeamento de duas semanas, entre os dias 8 e 22 de agosto, a uma altitude de 5.500 metros, mostrando a pluma de fumaça em expansão na região noroeste da Amazônia, que se direciona rumo ao sudeste brasileiro.

(Imagem: NASA)

Cada dia da série é feito calculando a média de três dias de medições, técnica usada para eliminar as lacunas de dados. A cor verde indica concentrações de monóxido de carbono em aproximadamente 100 partes por bilhão em volume (ppbv), enquanto o amarelo indica o mesmo em cerca de 120 ppbv, e o vermelho escuro com cerca de 160 ppbv. E os valores locais podem ser significativamente mais altos, diz a NASA.

As partes por bilhão em volume de unidade que foram usadas para indicar as concentrações do monóxido de carbono são o número de unidades de massa do contaminante em questão por 100 milhões de unidades de massa total (no caso, do ar). E vale ressaltar que este poluente em especial contribui para com as mudanças climáticas, além de poluir o ar que respiramos a grandes distâncias, e é capaz de permanecer na atmosfera por cerca de um mês até ser eliminado. E mesmo a substância tendo sido mapeada em altitudes elevadas, ventos fortes são capazes de trazê-la para baixo, o que afeta significativamente a qualidade do ar.

Greenpeace também se manifesta

Além de imagens da NASA, também podemos contar com o Greenpeace mostrando a situação, com uma série de fotos reais do que está acontecendo na região amazônica em 2019.

A entidade não-governamental atualiza os dados do INPE, afirmando que, de janeiro até o dia 20 de agosto, o número de queimadas na região foi na verdade 145% superior ao registrado no mesmo período de 2018. “As queimadas que estão devastando a Amazônia também estão destruindo a imagem do Brasil. Isso afeta nossa economia e pode agravar a crise econômica e o desemprego. Até mesmo setores do agronegócio já assumem que a política antiambiental do governo pode trazer prejuízos”, afirmou Márcio Astrini, coordenador de políticas públicas do Greenpeace. O presidente do Brasil chegou a fazer um pronunciamento em rede nacional a respeito, mas o governo ainda não anunciou medidas concretas para combater o desmatamento.

No Pará, uma área de proteção ambiental na cidade de Novo Progresso aparece em chamas (Foto: Victor Moriyama / Greenpeace)

O desmatamento na Amazônia piora ainda mais o ciclo de destruição anunciado pela crise climática que vem sendo tão abordada por cientistas e especialistas em meio-ambiente no mundo todo: afinal, quanto mais desmatamento e queimadas, maiores são as emissões de gases de efeito estufa e, quanto mais o planeta aquece, maior será a frequência de eventos externos afetando ainda mais as florestas, bem como a biodiversidade e a saúde humana, inclusive.

“É urgente e nec

necessário colocarmos um fim nesse ciclo vicioso, enquanto ainda temos tempo. Durante um sobrevoo na região da BR-163 pudemos observar as consequências reais do desmonte da agenda ambiental brasileira: extensas áreas desmatadas, cercadas de fumaça, denunciando o avanço da agropecuária sobre a floresta”, afirma Danicley Aguiar, da campanha Amazônia do Greenpeace.

E se a Amazônia acabar?

Quem também abordou o assunto foi Leandro Tavares Azevedo Vieira, professor de ciências biológicas na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo. Ele afirma que “ao contrário de outros biomas brasileiros em que a vegetação evolui com a presença de queimadas naturais e, portanto, apresentam adaptações para resistir ao fogo, a Amazônia nunca passou por tantos períodos de queimadas em seus últimos milhares de anos”, então não é aceitável o que está acontecendo, com a maior floresta tropical chuvosa do mundo queimando nessa intensidade, “pois as [queimadas] que ocorrem são todas de origem antrópica, ou seja, provocadas pelos seres humanos”, acrescenta.

O professor afirma que se tratam de “queimadas intencionais e que aproveitam o período mais seco para degradar e abrir áreas para uma pecuária extensiva com baixíssima produtividade devido ao solo relativamente pobre”, com o processo de desmatamento começando a partir da ação de madeireiros ilegais, que retiram dali as árvores mais valiosas, e depois promovem queimadas na época seca para “limpar” as áreas para a pecuária.

Outra foto mostra a região de Novo Progresso, no Pará, queimando (Foto: Victor Moriyama / Greenpeace)

E preservar a Amazônia é importante por uma série de razões. “Primeiramente, a sua biodiversidade é única e que deve ser considerada como um patrimônio natural. O potencial econômico e sustentável de espécies amazônicas com finalidades diversas como fármacos, cosméticos e alimentícios é enorme”, fala o professor, que lembra da Lei da Biodiversidade de 2015, criada justamente pensando na proteção dos nossos recursos naturais.

Ainda, além da própria biodiversidade, a Amazônia tem papel importante como produtora de água. “Os conhecidos ‘rios voadores’, toneladas de vapor d’água que são evapotranspiradas pelas árvores e que chegam ao centro-oeste e ao sudeste, promovem as chuvas que abastecem os reservatórios hídricos e irrigam a agricultura”, ele explica. Esses “rios voadores” transportam mais de 20 trilhões de litros por dia, o que é maior do que a vazão do próprio Rio Amazonas, por sinal. “Sem esse recurso hídrico, corremos o risco de termos nossas hidroelétricas desabastecidas e, consequentemente, um risco real de uma crise energética, já que essa é a nossa principal fonte de energia”, explica o professor, reforçando que, caso isso aconteça, a solução para manter o abastecimento energético seria acionar as termoelétricas, que são altamente poluentes e excessivamente caras, além de tudo. E, além disso, “uma agricultura sem a água da Amazônia se reflete em um aumento dos custos e perdas de produção de alimento; assim, produção alimentar e preservação ambiental são complementares e nunca devem ser vistos como antagônicos”, constata.

E agora voltando a falar da liberação de carbono na atmosfera: o desmatamento é a principal fonte de gases de efeito estufa no Brasil e, com a participação do Acordo de Paris no combate ao aquecimento global, nosso país havia se comprometido com o desmatamento zero, alcançando bons resultados nos últimos anos. Só que agora o Brasil deu dois passos para trás e as queimadas se intensificaram.

Para o professor, “é natural e legítima a pressão de outros países para a preservação da Amazônia, pois ela não é dos poucos que se enriquecem queimando-a e desmantando-a ilegalmente sem, inclusive, pagar imposto ou gerar renda ao Brasil: a Amazônia é de todos, é da humanidade”. Ou seja: preservar seus recursos naturais é um investimento, não é algo que deve ser encarado como um gasto.

O professor encerra sua reflexão dizendo que “não podemos depender de nossa criatividade tecnológica, pois até hoje não conseguimos substituir a função de uma árvore, quem dirá de um ecossistema tão complexo; a Amazônia é de extrema necessidade para a sobrevivência humana”.

*Com informações de NASA

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Instituto Rondon participa de protestos contra a destruição da Amazônia

Rio de Janeiro- O presidente do Instituto Rondon, Roberto Kuppê, esteve neste domingo, participando dos protestos contra a política de destruição da Amazônia do governo Bolsonaro, em Ipanema, Zona Sul do Rio de Janeiro.

Maitê ouviu quieta enquanto ex-ministro do Meio Ambiente chamou Bolsonaro de macho selvagem; vídeoO evento contou com a presença de artistas  como Caetano Veloso, Maitê Proença e Sônia Braga, além do jornalista Glenn Greenwald e do deputado Marcelo Freixo (PSOL). Outras três cidades também tiveram manifestações pela Amazônia: Belo Horizonte (MG), Porto Velho (RO) e Piracicaba (SP). Os atos criticavam a política ambientalista de Jair Bolsponaro e defendiam a preservação da floresta amazônica. O Instituto Rondon realizará no próximo domingo, 1 de setembro, uma grande caminhada pela Avenida Atântica, em Copacabana, Rio de Janeiro, quando panfletos sobre a devastação da Amazônia serão distribuídos para turistas brasileiros e estrangeiros.

Veja também:

Famosos na luta a favor da Amazônia

 

Roberto Kuppê, presidente do Instituto Rondon

Fotos: Instituto Rondon

 

 

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Em 8 meses, deputados não aprovam nem um projeto de proteção ambiental

Dados mostram que apesar de embates entre parlamentares e o governo federal, entendimento de ambos é o mesmo quando assunto é meio ambiente

O centro de uma crise internacional, a conduta brasileira para preservação do meio ambiente não é um problema exclusivo do Palácio do Planalto. Em quase oito meses da atual legislatura, a Câmara dos Deputados não aprovou nem sequer um projeto de lei sobre o tema. Nos últimos cinco anos, os parlamentares chancelaram 35 textos do tipo. Especialistas criticam o que chamaram de “desleixo” com a área, considerada por eles uma das principais mazelas do país.

Os dados mostram que, apesar de embates recorrentes entre deputados e o governo federal, as questões ambientais não estão no centro das preocupações dos dois poderes. O presidente Jair Bolsonaro (PSL) desencadeou reações internacionais após declarações sobre o desmatamento na Amazônia. Alemanha e Noruega cortaram investimentos. França, Alemanha, Canadá, Irlanda e Inglaterra manifestaram preocupação.

A falta de prioridade do Congresso ao tema destoa de legislaturas anteriores. No ano passado, por exemplo, os deputados aprovaram cinco projetos com a temática ambiental. Em 2017, 10. Em 2016, 9. Em 2015, 5. Em 2014, 6. Os dados fazem parte de um levantamento do Metrópoles, com base na plataforma Resultados Legislativos da Câmara dos Deputados.

Neste período, foram aprovados projetos para a diminuição do consumo da água, a alteração da Lei de Crimes Ambientais, a mudança no tratamento de resíduos de bifenilos policlorados (PCBS) — composto químico de cloro, entre outros.

Para se ter dimensão dos efeitos das modificações legislativas, os deputados alteraram, por exemplo, artigo 32 da Lei nº 9.605, de fevereiro de 1998, para aumentar a pena para atos de maus-tratos a animais.

O presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), chegou a defender a criação de uma comissão para acompanhar o assunto e disse que uma proposta viável seria dividir recursos do fundo da Petrobras para educação para proteção da Amazônia. “Minha proposta para o combate às queimadas é efetiva”, ressaltou. Na pauta da Câmara, porém, não houve novos encaminhamentos.

O professor de ciências políticas da Universidade Federal Fluminense (UFF-RJ) Marcus Ianoni acredita que o governo Bolsonaro e o parlamento estão prejudicando a soberania nacional ao não se posicionarem de forma mais incisiva sobre a Amazônia e o ambiente. “Eles reclamam da ingerência estrangeira, mas não estão defendendo nosso território da degradação ambiental”, critica.Para o acadêmico, uma das principais funções do Estado é o controle do território, que estaria sendo ignorada atualmente. “A soberania brasileira sobre o território, especialmente da Amazônia, está em risco, o que vem dando espaço de legitimação para a tutela estrangeira sobre a floresta. Hoje, a água e a biodiversidade são recursos estratégicos”, conclui.

O sócio-fundador do Instituto Sociedade, População e Natureza, Donald Sawyer, reclama das práticas públicas para o setor. Ele critica que alguns biomas típicos do Brasil, como o Cerrado, acabam esquecidos em meio aos embates políticos. “Sem Cerrado, por exemplo, temos a preocupação com a falta d’água, com os apagões, que são essenciais para os ciclos da sociedade, como a agricultura”, avalia.

Ele ressalta. “É importantíssimo ter atenção aos biomas. Todos eles. A Amazônia é importante, mas o Cerrado também. Os governos estaduais estão se preocupando mais. É daí que vem algumas luzes. Mas de uma forma geral, a situação está ruim”, finaliza.

Crise
Os assuntos relacionados ao meio ambiente centralizam uma série de desgastes recentes do governo Bolsonaro. O entreveiro começou após o presidente discordar de dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) sobre desmatamento na Amazônia. O caso terminou em demissão do então chefe da entidade, Ricardo Galvão.

Com o agravamento da crise, personalidades e líderes mundiais voltaram suas atenções para a conduta do presidente. O pesselista acusa — sem provas — ONGs de queimarem a floresta para “falar mal” do governo.

Bolsonaro subiu o tom com declarações controversas e acabou perdendo investimentos de Alemanha e Noruega. Em menos de uma semana, o país deixou de receber R$ 287,6 milhões em recursos para a preservação do bioma.

O governo brasileiro não vê problemas no endurecimento da postura da Alemanha e da Noruega. O Ministério do Meio Ambiente sustentou, em nota, que os cortes são naturais. “A suspensão das doações é medida compatível com esse período de renegociação das regras de governança do fundo”, resume o texto.

Avanço do desmatamento
O mais recente levantamento do Instituto de Pesquisa Imazon aponta crescimento de 66% do desmatamento da Amazônia Legal em julho de 2019, em comparação com o mesmo mês de 2018. Os dados também mostram um aumento de 15% entre agosto de 2018 e julho de 2019. As queimadas aumentaram 80%, segundo o Inpe.

De acordo com o relatório, o desmate na Amazônia Legal no período de um ano foi de 5.054 quilômetros quadrados. A área equivale a quase totalidade do território do Distrito Federal.

O presidente assinou, na sexta-feira (23/08/2019), uma ação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) das Forças Armadas para combater incêndios na Amazônia. O problema, segundo ele, é a falta de recursos.

Fonte: Metrópoles

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Documentos mostram que Bolsonaro tem planos devastadores para a Amazônia

DemocraciaAbierta teve acesso a uma apresentação em PowerPoint que mostra que o governo de Bolsonaro pretende usar o discurso do ódio para isolar as minorias da Amazônia.

Documentos vazados mostram que o governo de Jair Bolsonaro pretende usar o discurso de ódio do presidente brasileiro para isolar as minorias que vivem na região amazônica. Slides de PowerPoint, que o democraciaAbierta teve acesso, também revelam planos para implementar projetos predatórios que poderiam ter um impacto ambiental devastador.

O governo Bolsonaro tem como uma de suas prioridades habitar a região amazônica para prevenir a realização de projetos multilaterais de proteção à floresta, especificamente o projeto denominado “Triplo A”.

“Integrar a Calha Norte do rio Amazonas ao restante do território nacional, para se contrapor às pressões internacionais pela implantação do projeto denominado Triplo A. Para isso, projetar a construção da hidrelétrica do rio Trombetas e da ponte de Óbidos sobre o rio Amazonas, bem como a implementação da rodovia BR 163 até a fronteira do Suriname”, diz um slide da apresentação.

Entre as táticas citadas no documento está a de redefinir os paradigmas do indigenismo, quilombolismo e ambientalismo através das lentes do liberalismo e conservadorismo

Um dos slides da apresentação. | democraciaAbierta

Em fevereiro deste ano, os ministros Gustavo Bebianno (Secretaria-Geral da Presidência), Ricardo Salles (Meio Ambiente) e Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) teriam ido a Tiriós (PA) para discutir com líderes locais a construção de uma ponte sobre o Rio Amazonas na cidade de Óbidos, uma hidrelétrica em Oriximiná e a extensão da BR-163 até a fronteira do Suriname. Mas essa reunião foi cancelada.

Em outra reunião entre membros do governo, também em fevereiro, uma apresentação PowerPoint foi usada para detalhar as obras anunciadas pelo governo Bolsonaro para a região. Na projeção – que foi vazada ao democraciaAbierta – fica claro que a habitação da região amazônica é importante para que projetos de preservação não possam ser desenvolvidos.

O slide é claro. A estratégia, antes de começar a depredação, vai acontecer através do discurso. O discurso de ódio de Bolsonaro já está dando sinais de que o plano está funcionando. A Amazônia está em chamas. Está em chamas faz três semanas e nem mesmo quem mora no Brasil sabia. Graças aos esforços de comunidades locais com o auxílio das redes sociais, a realidade está finalmente viralizando.

A reação dos internautas não é sensacionalismo. O Brasil teve 72 mil focos de incêndio só neste ano, metade dos quais acontecem na Amazônia. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) informou que seus dados de satélite mostraram um aumento de 84% em relação ao mesmo período de 2018.

https://twitter.com/i/status/1164045802613821440

The Amazon rainforest provides 20% of the world’s oxygen. People are deliberately starting fires in effort to illegally deforest land for cattle ranching. President Bolsonaro is letting this slide!!

Atacar organização não governamentais faz parte da estratégia do governo Bolsonaro para a Amazônia. Segundo mostra outro slide da apresentação, o governo afirma que existe atualmente uma campanha globalista que “relativiza a Soberania Nacional na Bacia Amazônica”, usando uma combinação de pressão internacional assim como “opressão psicológica” tanto externa como interna que usa como armas ONGs ambientalistas e indigenistas, além da mídia, para fazer pressões diplomáticas e econômicas. Essa campanha mobiliza minorias indígenas e quilombolas para agirem com o apoio de instituições públicas a nível federal, estadual e municipal. O resultado dessa campanha restringe “a liberdade de ação do governo”.

O item 3 do documento aponta que o Calha Norte serve como arma para combater “pressões internacionais” pela implementação do projeto Triplo A. | democraciaAbierta

Essas são, segundo o slide, “as novas esperanças para a Pátria, Brasil Acima de Tudo!”

Slide usado durante a apresentação. | democraciaAbierta

Então não é de surpreender que a resposta de Bolsonaro em relação aos incêndios venho em forma de ataque às ONGs. Na quarta-feira (21), Bolsonaro disse acreditar que organizações não governamentais poderiam estar por trás dos incêndios como uma tática de gerar atenção negativa para o seu governo.

Bolsonaro não citou nomes de ONGs e, quando questionado se há evidência para as alegações, disse que não há registros escritos sobre as suspeitas. Segundo o presidente, as ONGs podem estar retaliando contra os cortes de verba de seu governo. O seu governo cortou 40% dos repasses internacionais que eram destinados às organizações, ele afirmou na saída do Palácio da Alvorada, ao ser questionado sobre a onda de incêndios na região.

“Então, pode estar havendo, sim, pode, não estou afirmando, ação criminosa desses ‘ongueiros’ para chamar a atenção contra a minha pessoa, contra o governo do Brasil. Essa é a guerra que nós enfrentamos”, afirmou Bolsonaro.

Portanto, parte da estratégia do governo de burlar essa “campanha globalista” é depreciar a importância e a voz das minorias que vivem na região, e transforma-las em inimigos. Entre as táticas citadas no documento está a de redefinir os paradigmas do indigenismo, quilombolismo e ambientalismo através das lentes do liberalismo e conservadorismo com base nas teorias realistas. Essas são, segundo o slide, “as novas esperanças para a Pátria, Brasil Acima de Tudo!”

*Nota: Uma versão deste artigo disse que a apresentação foi usada em uma reunião entre ministros. Essa reunião foi cancelada. Os documentos foram usados em outra reunião entre membros do governo na mesma semana que a outra reunião teria acontecido.

Link original da notícia

 

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ATUALIZADA-Protestos pela Amazônia devem ocorrer em 40 cidades do Brasil

Em ao menos 40 cidades do Brasil ocorrerrão nesta sexta-feira (23) e no fim de semana manifestações de protesto contra a devastação da floresta Amazônica e em defesa do meio abiente. Também no exterior estão programados atos em defesa da Amazônia.

O aumento do desmatamento e do número de queimadas na Amazônia impulsionaram cidadãos de todo o mundo a convocar manifestações em defesa da maior floresta tropical do planeta. Pelo menos 40 cidades brasileiras e cinco capitais europeias têm protestos marcados para esta sexta (23) e para o fim de semana.

Amanhã (23), São Paulo (SP), Santos (SP), Rio de Janeiro (RJ), Curitiba (PR), Salvador (BA) e Atalanta (SC) terão atos.

No sábado (24), estão programadas manifestações em Belo Horizonte (MG), Manaus (AM), Ribeirão Preto (SP), São Carlos (SP), Natal (RN) e Porto Velho (RO).

Já no domingo (25), novos protestos devem acontecer no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte e em Manaus.

O evento no Facebook da manifestação “SOS Amazônia”, que acontecerá no Masp (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand), na Avenida Paulista, em São Paulo, tem cerca de 9.500 pessoas confirmadas.

Também devem acontecer manifestações em cidade europeias, como Londres (Reino Unido), Paris (França), Madri (Espanha), Lisboa (Portugal) e Dublin (Irlanda).

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Incêndios na Amazônia fizeram dia virar noite em São Paulo, diz meteorologista

Os moradores da cidade de São Paulo se depararam nesta segunda-feira, 19, com “o dia virando noite”, por volta das 15h30. O fenômeno, que viralizou nas redes sociais, tem relação com as queimadas realizadas nas regiões Centro Oeste e Norte do Brasil.

Tatiana Vasconcellos

@tavasconcellos

o marcelo pinheiro, da @climatempo, nos explicou essa escuridão : nuvem cumulonimbus beeeeem carregadas + queimadas no mato grosso e mato grosso do sul cuja fumaça o vento trouxe para sp. parabéns aos envolvidos.

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MetSul.com@metsul

CLIMA | Já o fogo em na Bolívia segue sendo combatido. As áreas mais atingidas estão no departamento de Santa Cruz. O grande incêndio teria começado com queimadas deliberadas na região.

Vídeo incorporado

MetSul.com@metsul

IMAGEM | De manhã informamos que a fumaça avançava pra São Paulo. O céu é o principal assunto na capital paulista nesta tarde. Nuvens de uma frente fria e a fumaça das queimadas e incêndios deixam a capital paulista assim. Imagem via @moisselle.

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MetSul.com@metsul

🌳🔥 O modelo de dispersão do Sistema @CopernicusEU mostra a pluma de fumaça avançando nesta manhã da região amazônica e interior do continente justamente para o Norte paranaense que está com situação pré-frontal.

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MetSul.com@metsul

🔥💨 A projeção é que a pluma de fumaça atue hoje no fim do dia e durante a terça-feira com mais força no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e estado de São Paulo.

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Do Brasil 274

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Por que o governo ataca o Fundo Amazônia ?

POR MÍRIAM LEITÃO

A atitude do governo Bolsonaro contra o Fundo Amazônia é completamente irracional. O Fundo nasceu porque o Brasil convenceu o mundo de que merecia compensação quando consegue reduzir o desmatamento O dinheiro é doado. O grande beneficiário é o próprio setor público. O Comitê Orientador tinha representantes de todos os estados amazônicos, de empresários, cientistas e ambientalistas. Era plural. O governo acabou com o comitê, brigou com os doadores e está rasgando dinheiro. Por isso digo que é irracional.

A Noruega suspendeu um repasse de R$ 133 milhões para o Fundo Amazônia, que apoia projetos de preservação da floresta. A Alemanha já havia suspendido o envio de R$ 155 milhões.

O Fundo ainda existe, mas caminha para o seu fim porque deteriorou-se a relação do governo com os principais financiadores dos projetos. Alemanha e Noruega repassaram 94% dos R$ 3,4 bilhões aplicados lá.

O Fundo Amazônia nasceu em 2008, levando-se em conta o que o Brasil dizia nas negociações internacionais. Foi o Brasil que convenceu o mundo a recompensar pelo desmatamento evitado. Antes, a recompensa era por área replantada. O Brasil explicava que se esforça para evitar o desmatamento e por isso emite menos gases que provocam o efeito estufa. Era preciso recompensar. O país levantou a questão e ganhou. O dinheiro do Fundo Amazônia vai, majoritariamente, para projetos dos estados da região.

Havia um sistema de governança no Fundo. Mas em junho, o atual governo resolveu extinguir o Comitê Orientador do Fundo Amazônia (Cofa). Ele era o responsável por escolher a destinação dos recursos. Governos federal e estaduais, além das entidades civis, formavam o Cofa. O ministro do Meio Ambiente acusou que o Comitê era dominado por ONGs. Os fatos o desmentem. Eram nove representantes dos governos estaduais. O governo federal também tinha nove. O setor industrial também estava presente, com a CNI. O setor madeireiro também participava. Havia um representante do fórum de ONGs. Os cientistas também tinham voz, com o escolhido pela SBPC, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. A sociedade, no sentido amplo, estava representada lá. O ministro, ao negar isso, acha que nem todos saberão dos detalhes. A intenção é concentrar o poder no governo federal.

A extinção do Cofa foi uma quebra de contrato. Qualquer modificação deveria ser negociada com os parceiros. Daí por diante, o que se viu foi uma sucessão de grosserias. Todo o dia o presidente fala grosserias em relação à Alemanha e à Noruega. Nesses países, há gente que se opõe ao financiamento. É um equilíbrio político delicado. O dinheiro está sendo enviado a um país que aumenta o desmatamento e com um presidente que faz ataques agressivos aos financiadores.

A reação da Noruega não é por razões políticas. O governo norueguês tem até uma tendência conservadora. Foi a ignorância do governo brasileiro que motivou a suspensão dos repasses. A política ambiental está sendo conduzida de forma temerária, arriscada. O governo ainda está estimulando o desmatamento e paralisando os órgãos de controle. A máquina pública vem sendo desmontada e quem nos ajuda virou alvo. O Brasil se isola e passa a brigar com a instituição científica que monitora as florestas. O pior de tudo isso é o resultado: o desmatamento está crescendo

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Desastre ambiental: Bolsonaro anuncia entrega da Amazônia aos Estados Unidos

O presidente Jair Bolsonaro disse neste sábado (27), durante cerimônia de formatura de paraquedistas no Rio de Janeiro, que a exploração da Amazônia foi um dos motivos de sua relação com os Estados Unidos; “Estou procurando o primeiro mundo para explorar essas áreas em parceria e agregando valor. Por isso, a minha aproximação com os Estados Unidos”, disse Bolsonaro.

O presidente Jair Bolsonaro disse neste sábado (27), durante cerimônia de formatura de paraquedistas no Rio de Janeiro, que busca parcerias “no primeiro mundo” e, em especial com os Estados Unidos, para a exploração do território amazônico brasileiro, respondendo a líderes europeus que criticaram suas políticas para a região amazônica. 

“O senhor presidente da França [Emmanuel Macron], a senhora Merkel [chanceler da Alemanha] queriam que eu voltasse para cá [depois da reunião do G20], demarcando mais 30 reservas indígenas, ampliando reservas ambientais. Isso é um crime. Só de reserva indígena já temos 14% tomados aqui no Brasil. Na Reserva Ianomâmi, são 9 mil índios e tem o dobro do estado do Rio de Janeiro. É justo isso? Terra riquíssima. Se junta com Raposa Serra do Sol é um absurdo o que temos de reservas minerais ali. Estou procurando o primeiro mundo para explorar essas áreas em parceria e agregando valor. Por isso, a minha aproximação com os Estados Unidos”, disse Bolsonaro.  

Antes de dar estas declarações, o presidente, que já não consegue disfarçar seu entreguismo e subserviência aos Estados Unidos, fez uma bravata:  “O Brasil é nosso. A Amazônia é nossa. A Presidência é do povo brasileiro. Povo esse ao qual devo lealdade absoluta”, disse.

Com informações da Agência Brasil 

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Ameaça à Amazônia: sem licença ambiental, Bolsonaro quer pavimentar BR 319

MANAUS, AM (FOLHAPRESS) – Em visita a Manaus, o presidente Jair Bolsonaro prometeu pavimentar a rodovia BR-319, que liga a cidade a Porto Velho. A obra, que não tem licença ambiental aprovada, é considerada uma das maiores ameaças à Amazônia por estudiosos e ambientalistas.

Inaugurada em 1976, a estrada tem 406 km dos seus 900 km sem asfalto. A conclusão acabaria com o isolamento rodoviário entre Manaus e o restante do país, mas abrira uma área maior do que a Alemanha para a invasão descontrolada de florestas preservadas, segundo o Idesam (Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia).

“É uma das nossas obras prioritárias”, afirmou Bolsonaro, durante entrevista coletiva nesta quinta-feira (25). Ele prometeu que o início será em meados do ano que vem. Questionado se a pavimentação será concluída até o final do mandato, em 2022, disse: “Acredito que sim.”

Bolsonaro voltou a fazer críticas à legislação ambiental e criticou os governos anteriores: “Imagina se eu tivesse comigo o Zequinha Sarney (governo Temer) ou a Marina Silva (governo Lula) como ministro [do Meio Ambiente]? Nunca vocês iam ver essa BR asfaltada.”

O principal motivo para que o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) não emita a licença ambiental é a baixa presença do Estado na região da BR-319, cujo asfaltamento viabilizaria também a abertura de quatro estradas estaduais projetadas.

Diversos estudos têm mostrado que a abertura de rodovias é o principal motor do desmatamento da Amazônia. Um artigo publicado em 2014 na revista acadêmica Biological Conservation calculou que 95% do desmate na região ocorre em até 5,5 km de estradas ou a 1 km de um rio.

Segundo o estudo do Idesam publicado no ano passado, a área de influência da BR-319, quase toda intacta, equivale aos territórios da Alemanha e da Holanda juntos. A ocupação desse parte abriria uma divisão entre os lados ocidental e oriental da Amazônia. 

A rodovia hoje é transitável durante a maior parte do ano, mas a viagem se torna imprevisível no período de chuvas devido aos atoleiros. Não são raros relatos de motoristas que demoram até uma semana para cruzar o trecho não pavimentado.

Fontes: Notícias ao Minuto e Folha Press

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