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Documentos mostram que Bolsonaro tem planos devastadores para a Amazônia

DemocraciaAbierta teve acesso a uma apresentação em PowerPoint que mostra que o governo de Bolsonaro pretende usar o discurso do ódio para isolar as minorias da Amazônia.

Documentos vazados mostram que o governo de Jair Bolsonaro pretende usar o discurso de ódio do presidente brasileiro para isolar as minorias que vivem na região amazônica. Slides de PowerPoint, que o democraciaAbierta teve acesso, também revelam planos para implementar projetos predatórios que poderiam ter um impacto ambiental devastador.

O governo Bolsonaro tem como uma de suas prioridades habitar a região amazônica para prevenir a realização de projetos multilaterais de proteção à floresta, especificamente o projeto denominado “Triplo A”.

“Integrar a Calha Norte do rio Amazonas ao restante do território nacional, para se contrapor às pressões internacionais pela implantação do projeto denominado Triplo A. Para isso, projetar a construção da hidrelétrica do rio Trombetas e da ponte de Óbidos sobre o rio Amazonas, bem como a implementação da rodovia BR 163 até a fronteira do Suriname”, diz um slide da apresentação.

Entre as táticas citadas no documento está a de redefinir os paradigmas do indigenismo, quilombolismo e ambientalismo através das lentes do liberalismo e conservadorismo

Um dos slides da apresentação. | democraciaAbierta

Em fevereiro deste ano, os ministros Gustavo Bebianno (Secretaria-Geral da Presidência), Ricardo Salles (Meio Ambiente) e Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) teriam ido a Tiriós (PA) para discutir com líderes locais a construção de uma ponte sobre o Rio Amazonas na cidade de Óbidos, uma hidrelétrica em Oriximiná e a extensão da BR-163 até a fronteira do Suriname. Mas essa reunião foi cancelada.

Em outra reunião entre membros do governo, também em fevereiro, uma apresentação PowerPoint foi usada para detalhar as obras anunciadas pelo governo Bolsonaro para a região. Na projeção – que foi vazada ao democraciaAbierta – fica claro que a habitação da região amazônica é importante para que projetos de preservação não possam ser desenvolvidos.

O slide é claro. A estratégia, antes de começar a depredação, vai acontecer através do discurso. O discurso de ódio de Bolsonaro já está dando sinais de que o plano está funcionando. A Amazônia está em chamas. Está em chamas faz três semanas e nem mesmo quem mora no Brasil sabia. Graças aos esforços de comunidades locais com o auxílio das redes sociais, a realidade está finalmente viralizando.

A reação dos internautas não é sensacionalismo. O Brasil teve 72 mil focos de incêndio só neste ano, metade dos quais acontecem na Amazônia. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) informou que seus dados de satélite mostraram um aumento de 84% em relação ao mesmo período de 2018.

https://twitter.com/i/status/1164045802613821440

The Amazon rainforest provides 20% of the world’s oxygen. People are deliberately starting fires in effort to illegally deforest land for cattle ranching. President Bolsonaro is letting this slide!!

Atacar organização não governamentais faz parte da estratégia do governo Bolsonaro para a Amazônia. Segundo mostra outro slide da apresentação, o governo afirma que existe atualmente uma campanha globalista que “relativiza a Soberania Nacional na Bacia Amazônica”, usando uma combinação de pressão internacional assim como “opressão psicológica” tanto externa como interna que usa como armas ONGs ambientalistas e indigenistas, além da mídia, para fazer pressões diplomáticas e econômicas. Essa campanha mobiliza minorias indígenas e quilombolas para agirem com o apoio de instituições públicas a nível federal, estadual e municipal. O resultado dessa campanha restringe “a liberdade de ação do governo”.

O item 3 do documento aponta que o Calha Norte serve como arma para combater “pressões internacionais” pela implementação do projeto Triplo A. | democraciaAbierta

Essas são, segundo o slide, “as novas esperanças para a Pátria, Brasil Acima de Tudo!”

Slide usado durante a apresentação. | democraciaAbierta

Então não é de surpreender que a resposta de Bolsonaro em relação aos incêndios venho em forma de ataque às ONGs. Na quarta-feira (21), Bolsonaro disse acreditar que organizações não governamentais poderiam estar por trás dos incêndios como uma tática de gerar atenção negativa para o seu governo.

Bolsonaro não citou nomes de ONGs e, quando questionado se há evidência para as alegações, disse que não há registros escritos sobre as suspeitas. Segundo o presidente, as ONGs podem estar retaliando contra os cortes de verba de seu governo. O seu governo cortou 40% dos repasses internacionais que eram destinados às organizações, ele afirmou na saída do Palácio da Alvorada, ao ser questionado sobre a onda de incêndios na região.

“Então, pode estar havendo, sim, pode, não estou afirmando, ação criminosa desses ‘ongueiros’ para chamar a atenção contra a minha pessoa, contra o governo do Brasil. Essa é a guerra que nós enfrentamos”, afirmou Bolsonaro.

Portanto, parte da estratégia do governo de burlar essa “campanha globalista” é depreciar a importância e a voz das minorias que vivem na região, e transforma-las em inimigos. Entre as táticas citadas no documento está a de redefinir os paradigmas do indigenismo, quilombolismo e ambientalismo através das lentes do liberalismo e conservadorismo com base nas teorias realistas. Essas são, segundo o slide, “as novas esperanças para a Pátria, Brasil Acima de Tudo!”

*Nota: Uma versão deste artigo disse que a apresentação foi usada em uma reunião entre ministros. Essa reunião foi cancelada. Os documentos foram usados em outra reunião entre membros do governo na mesma semana que a outra reunião teria acontecido.

Link original da notícia

 

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Biólogo descreve a Amazônia em chamas: ‘Animais carbonizados e silêncio no lugar do verde’

O relato do biólogo Izar Aximoff, divulgado pela BBC Brasil, é de cortar o coração. Embora tenha experiência na recomposição de florestas do Rio de Janeiro atingidas por incêndios, ele garante que o cenário de destruição na Amazônia assusta muito mais do que qualquer fotografia pode traduzir.

Os sons do movimento de plantas e troncos, ruídos de animais, os cantos dos pássaros e a exuberância do verde dão espaço para o silêncio. Some isso ao cheiro de queimado – de árvores e animais -, a cor pálida da fuligem. A morte.

“É muito triste ver a floresta totalmente dizimada. Aquele cenário colorido, com flores, sons de animais, pássaros cantando, bichos se movimentando e cheiro de mata dá lugar ao silêncio, a animais carbonizados, a um cheiro de carne queimada, à desolação. Fica tudo preto e você fica sujo com aquele resíduo de carvão”, disse à BBC o biólogo, que é doutor em Botânica pelo Instituto de Pesquisas do Jardim Botânico, no Rio de Janeiro.

Para biólogos e outros profissionais com experiência em biomas como o amazônico, a perda da diversidade provocada pelas chamas é irreversível. Muitos animais, dizem eles, sequer retornam.

O incêndio é visto de satélite da NASA

Ardendo há pelo menos três semanas, a Amazônia brasileira perdeu entre 2000 e 2017, uma área maior que o território da Alemanha. São mais de 400 mil km² engolidos pelo fogo, diz estudo da Universidade de Oklahoma publicado na revista Nature Sustainability.

Fundo Amazônia 

Ambientalistas são unânimes, prevenir sai mais barato do que aplicar multas ou apagar incêndio. Por isso, a provável extinção do Fundo Amazônia pode deixar o cenário ainda mais complicado.

Ataques do presidente Jair Bolsonaro provocaram a saída da Noruega, país responsável por 93,8% dos R$ 3,4 bilhões doados para a proteção da floresta tropical.

Quase extinto, o Fundo Amazônia é vital para proteção

Como mostrou matéria do jornal O Globo, o fundo é vital para o funcionamento de órgãos de fiscalização como o Ibama e a Força Nacional. A floresta amazônica ocupa uma área que passa por Brasil, Peru, Bolívia, Colômbia, Equador e Venezuela. A parte brasileira assusta pelo tamanho, são mais de 5 milhões de metros quadrados.

Presente em 59% do território brasileiro, se fosse um país, seria o 6º maior do mundo em faixa territorial. A Amazônia está no Acre, Pará, Amapá, Roraima, Rondônia, Mato Grosso, Maranhão, Goiás, Tocantins e claro, Amazonas. O verde responde por 67% de TODAS as florestas tropicais do mundo.

Fotos: foto 1: Ricardo Funari/Brazil Photos/LightRocket via Getty Images/foto 2: Reprodução/NASA/foto 3: Ricardo Funari/Brazil Photos/LightRocket via Getty Imagem

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Amazônia em chamas pede socorro ao Mundo

Rio de Janeiro- O Instituto Rondon iniciará a partir de setembro uma série de intervenções para o lançamento nacional da campanha “Amazônia em chamas pede socorro ao Mundo”. A campanha inicialmente será de informações em diversas cidades brasileiras acerca do que está acontecendo na Amazônia brasileira, criminosamente atacada por exploradores ilegais de madeira, ouro diamante e outros minérios. Sem só e nem piedade, bandidos estão matando índios, tocando fogo na floresta e dizimando populações inteiras de pássaros e animais silvestres. As redes sociais estão tomadas por denúncias. Até o Papa Francisco já alertou sobre o problema que poderá mudar o clima do mundo em menos espaço de tempo do que o previsto. A primeira intervenção será uma passeata no dia 1 de setembro, em Copacabana. A segunda intervenção será dia 7 de setembro em Brasília.

 

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