Parceria com atores subnacionais é roteiro para salvar Amazônia, sugere Instituto britânico

Parceria com atores subnacionais é roteiro para salvar Amazônia, sugere Instituto britânico

Chatham House ouviu governadores, prefeitos, servidores técnicos em vários níveis de governo, além de lideranças indígenas e de empresários para criar proposta

A poucos dias da Conferência das Nações Unidas sobre o Clima, a organização britânica Chatham House apresenta o documento Repensando a Amazônia, no qual afirma que a comunidade internacional poderia acabar com o desmatamento trabalhando com parceiros subnacionais no Brasil – governos estaduais e municipais, empresas, sociedade civil e grupos indígenas.
O estudo é assinado por Joaquim Levy, ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento do Brasil (BNDES); Ana Toni, economista e diretora executiva do Instituto Clima e Sociedade (iCS); Ana Yang, Diretora Executiva da Aceleradora de Sustentabilidade da Chatham House; e Roberto Waack, biólogo, líder empresarial nos setores farmacêutico e florestal e pesquisador visitante da Chatham House.
O documento apresentado hoje foi construído após 18 meses de entrevistas com especialistas, ex-governadores, ex-prefeitos, ex-chefes do Banco Central do Brasil, ex-embaixadores, funcionários de agências reguladoras e representantes de empresas, investidores, movimentos sociais e grupos indígenas.
O Chatham House, conhecido anteriormente como Royal Institute of International Affairs, é uma organização social sem fins lucrativos fundada em 1920, em Londres. Ele se dedica a analisar temas de alta política em relações internacionais e já foi reconhecido pela revista Foreign Policy como um dos think tanks mais importantes do mundo.
Bioeconomia
Segundo o documento, qualquer projeto para preservar a Amazônia só terá sucesso se oferecer resultados sociais e econômicos para as 29,3 milhões de pessoas que vivem lá. A proposta destaca que a região é uma das mais pobres do Brasil, com os menores valores de Produto Interno Bruto (PIB) e os mais baixos níveis de acesso a direitos sociais básicos, como saneamento, educação e saúde.
Ao evitar “soluções de bala de prata”, o relatório aponta faces distintas da Amazônia, desde a floresta primária, até as grandes cidades – áreas que apresentam desafios de desenvolvimento e de conservação muito diferentes e que exigem soluções também distintas. As medidas propostas vão de estímulos políticos e fiscais, passando por apoio para a ação urgente de interromper o desmatamento agora, até subsídios para trabalhos de longo prazo na construção de uma economia amazônida sustentável.
O relatório avalia que as legislações que estão sendo propostas no exterior para proibir produtos com origem no desmatamento nas cadeias de abastecimento internacionais – as leis de due diligence – , precisam ser acompanhadas de uma contrapartida de investimentos em bioeconomia nos países florestais. Da mesma forma, qualquer financiamento de curto prazo para agências e mecanismos de proteção ambiental deve ser acoplado ao apoio de longo prazo para um sistema eficaz de planejamento do uso da terra.
A sobrevivência da Amazônia é indispensável para alcançar a meta do Acordo de Paris de limitar o aumento da temperatura global a 1,5C. Os altos níveis de desmatamento – que marcaram níveis recorde pelo terceiro ano consecutivo – transformaram a Amazônia de um sumidouro de carbono para uma fonte de carbono, empurrando o bioma perigosamente para perto de um ponto a partir do qual se transformará em uma savana degradada.
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