Milicianos armados atacam camponeses em Rondônia, revelam áudios vazados

Milicianos armados atacam camponeses em Rondônia, revelam áudios vazados

Por Valdo Santos – Jornalista 

A Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental (LCP) denuncia que um grupo de milicianos armados, composto por pistoleiros e policiais militares de Ariquemes, Machadinho d’Oeste e Distrito do Quinto BEC, presta serviços de maneira criminosa para latifundiários dessas localidades. Os líderes da milícia são os PMs Claudenir do Quinto BEC e Arruda do GOE que atuam como pistoleiros e também fornecem armas e munições para os demais membros do grupo.

A LCP afirma que os áudios vazados do WhatsApp de Zuca Gomes Ribeiro, gerente da fazenda Jatobá, comprovam a operação desse grupo de milicianos que ataca camponeses na região. Conforme relata a Liga, “esse bando armado foi contratado e financiado pelo latifundiário Tiago Lopes Moura, herdeiro das terras da fazenda Jatobá, localizada a cerca de 45 km de Machadinho do Oeste, que como a esmagadora maioria dos latifúndios da região são terras griladas da União”.

Para essa operação criminosa, praticada abertamente por esse grupo de milicianos contra os camponeses da região, o latifundiário conta com a cumplicidade, proteção e apoio dos órgãos do estado por meio de juízes, delegados e polícia militar. “Não é nenhuma novidade em Rondônia que policiais atuam como pistoleiros, cometem toda sorte de crimes contra camponeses, incluindo torturas e assassinatos, e são sempre acobertados pela cúpula da área de segurança do Estado e seus aparatos que servem aos interesses do latifúndio”, denuncia a LCP.

Esse vasto material, vazado do telefone do gerente da fazenda Jatobá, revela um exemplo real das relações criminosas que muitas instituições de Rondônia têm com a bandidagem que opera a favor dos latifundiários. Essas práticas ilegais são rotineiras e ocorrem impunemente e de maneira generalizada no interior do estado, localizado na região Norte do Brasil, governado pelo bolsonarista coronel da Polícia Militar, Marcos Rocha (PSL-RO).

Vale ressaltar, de acordo com a referida denúncia desse caso concreto na fazenda Jatobá, que há um histórico de abusos e torturas contra os trabalhadores do campo. A Liga dos Camponeses revela que, “por exemplo, no ano de 2015, 12 elementos com armas de fogo de grosso calibre e vestidos com roupas camufladas invadiram um acampamento de camponeses na fazenda, e após darem vários tiros para cima, renderam quem estava no local, ameaçaram, bateram, torturaram e roubaram os acampados. Um desses camponeses teve a orelha queimada com um isqueiro para dar informações e outro apanhou de facão”.

A LCP finaliza o relato, afirmando que “após cometerem tais crimes, os pistoleiros se dirigiram para a sede da fazenda. Posteriormente após denúncias dos camponeses, a própria polícia encontrou as armas, roupas e outros materiais usados na ação criminosa na sede da fazenda Jatobá. Tais fatos foram inclusive noticiados na época, porém os crimes do latifúndio e seu bando armado seguiu impune”, conclui a Liga.

Neste momento de ataques fascistas aos operários da cidade e do campo é de suma importância denunciar todo tipo de ato criminoso contra os trabalhadores sem-terra. Dessa maneira, a organização, a formação de comitês e a luta pelo direito ao armamento são fatores essenciais para os trabalhadores se prevenirem contra o inimigo. Ainda mais agora com o Brasil sendo ‘comandado’ por um presidente golpista e conduzido por seus comparsas milicianos.

ASSISTA AO VÍDEO:

Fonte: Liga dos Camponeses Pobres (LCP)
Foto: reprodução da internet

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