“Legalizam crimes ambientais”, diz ativista Neidinha Suruí sobre governo e deputados de Rondônia

“Legalizam crimes ambientais”, diz ativista Neidinha Suruí sobre governo e deputados de Rondônia

Ivaneide Bandeira Cardozo, mais conhecida como Neidinha Suruí, é uma das maiores ativistas ambientais da Amazônia brasileira. Seu trabalho de preservação da Amazônia é reconhecido por organismos internacionais. Ela mora em Rondônia onde poucos conhecem e valorizam sua atuação. Isso porque o estado é incentivador do agronegócios e tem avançado em políticas anti-ambientalistas com o apoio do governador Marcos Rocha e os deputados da Assembleia Legislativa, com aval do presidente Jair Bolsonaro, que atua no desmonte ambiental federal.

Os deputados eleitos por Rondônia tomaram decisões nos últimos anos que vão impactar no aquecimento global, mudança do ciclo das chuvas e hidrológicos, poluição do ar, morte de animais, destruição das florestas e dos povos tradicionais, como os índios.

Os parlamentares aprovaram leis para reduzir em 90% o território do Parque Estadual de Guajará-Mirim e da Reserva Extrativista de Jaci-Paraná. O Tribunal de Justiça derrubou a medida. Depois os políticos avançaram contra a destruição de bens apreendidos por crimes ambientais. E agora querem regular a exploração do garimpo por meio de dragas no Rio Madeira, utilizando mercúrio, elemento químico que pode matar animais e adoecer humanos.

Para Neidinha o estado caminha para grandes retrocessos. “É muito impressionante o efeito Bolsonaro no Marcos Rocha e na Assembleia Legislativa. Nesses anos todos nunca presenciamos tanto retrocesso nas questões ambientais em Rondônia, como estamos presenciando agora. Tanto é que a proteção do meio ambiente agora parou nas mãos do Ministério Público, fazendo várias ações de inconstitucionalidade. O governador e os deputados deviam ser os guardiões da lei, eles criam leis para legalizar o ilegal”.

Mesmo com decisões judiciais contra os invasores, muitos grileiros ainda permanecem dentro de reservas ambientais, desafiando as leis. “A reserva extrativista de Jaci Paraná foi invadida por grileiros, tem quase 200 mil cabeças de gado lá dentro que não são de pequenos agricultores. É dos invasores. Tem estruturas lá dentro e a devastação que foi causada é um demonstrativo de que é coisa de quem tem muita grana. É bandido grande, não é bandido pequeno. Quem comete crime é criminoso, não é possível falar de outra forma. O governo e os deputados modificam as leis para legalizar o crime de invasão”.

Na visão da ativista ambiental os impactos ambientais provocados em Rondônia podem afetar não só a vida de toda sociedade, como também pode gerar uma impressão negativa internacional do estado.

“Rondônia não precisa desmatar mais nenhum milímetro da floresta para ser economicamente rica. O desmatamento vai prejudicar o estado, o agronegócios, exportações, negociações internacionais. Eles tem que parar para pensar que esse estado tem uma lei de serviços ambientais e que o Brasil tem um compromisso de diminuir gases de efeito estufa até 2030. Se continuar assim, Rondônia vai se tornar um estado mal visto. Eles estão prejudicando a visão sobre o estado. O meio ambiente equilibrado é dever do estado e o direito do povo”.

Neidinha afirma que a sociedade precisa abrir os olhos para os ataques contra a natureza e defende a eleição de parlamentares que trabalhem pelos interesses coletivos e não individuais.

“Falta mais mobilização social para defender a causa ambiental. A sociedade precisa entender que os prejuízos vão para a população inteira. Os lucros e os ganhos vão para os empresários. Quando licencia garimpo no rio Madeira, usando mercúrio isso é prejuízo para a população inteira. As pessoas vão comer peixe contaminado pelos garimpos, e isso causa câncer. Somos o estado campeão no Brasil de câncer. As pessoas precisam parar e pensar sobre isso”, finaliza.

Fonte: Blog do Painel

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