Em Paris, cacique brasileiro diz suspeitar da vontade de Bolsonaro proteger a Amazônia

Em Paris, cacique brasileiro diz suspeitar da vontade de Bolsonaro proteger a Amazônia

O cacique brasileiro Almir Narayamoga, do povo Suruí, participou nesta quarta-feira (28) da abertura do tradicional “Encontro dos executivos da França”, organizado pelo Medef, a poderosa entidade de empresários franceses. Ao lado de chefes de Estados, ministros europeus e personalidades francesas, ele disse não confiar no presidente Bolsonaro em relação à proteção da floresta Amazônica.

Com informações de Pauline Gleize da RFI

O cacique Almir Narayamoga (Almir Suruí) , de Rondônia, foi convidado para participar do importante evento do Medef, que acontece todos os anos, antes que os incêndios da Amazônia ocupassem as primeiras páginas dos jornais e preocupassem o mundo. Apresentado como um dos mais importantes ativistas da América do Sul em favor do clima e vencedor de vários prêmios internacionais, ele veio falar, segundo o programa do evento, “sobre o impacto do aquecimento global para o futuro do capitalismo”.

Mas as queimadas e as polêmicas criadas pelo presidente Jair Bolsonaro dominaram sua fala. Há anos o cacique milita pela preservação da floresta amazônica, onde nasceu. Foi ele quem conseguiu que o Google Earth passasse a ajudar no monitoramento do desmatamento.

Aos participantes do encontro do Medef, Almir Narayamoga pediu que os europeus passem a prestar atenção nos produtos que consomem, provenientes da floresta. “É necessário conhecer o impacto dos produtos antes de comprá-los. É assim que vocês podem nos ajudar”, declarou o cacique Suruí.

A posição lembra a advertência de ambientalistas franceses. Várias ONGs do meio ambiente são contrárias ao acordo União Europeia-Mercosul por considerar que o consumo de produtos do agronegócio brasileiro, como carne e soja, incentiva o desmatamento da floresta para o aumento das terras agrícolas.

Ajuda do G7 para combater os incêndios

O cacique também disse não confiar no presidente Bolsonaro. Ele lembrou que desde a campanha eleitoral, o presidente brasileiro afirma que “a floresta derrubada é a melhor forma de desenvolver o Brasil”.

“Eu não acho que ele tenha a responsabilidade de cumprir a proposta do G7 se ele aceitar este apoio. E muito vago para mim. Até por que ele acabou com todo o espaço da representação da sociedade civil dentro do ministério do Meio Ambiente e outras instâncias implementadas com responsabilidade social e política.

No final da cúpula do G7 de Biarritz, o presidente Emmanuel Macron anunciou que os países do grupo ofereciam US$ 20 milhões para ajudar o Brasil a combater as queimadas na Amazônia. Depois de negar e aceitar os recursos, o presidente Jair Bolsonaro pediu novamente nesta quarta-feira uma “retratação” por parte de seu colega francês Emmanuel Macron por declarações sobre a floresta amazônica que ele considera ataques à soberania do Brasil.

“No tocante ao governo francês, o fato de me chamar de mentiroso e por duas vezes falar que a soberania da Amazônia tem de ser relativizada, somente após ele [Macron] se retratar do que falou no tocante a minha pessoa (…) aí sem problema algum voltamos a conversar”, declarou Bolsonaro aos jornalistas ao receber a visita do presidente chileno Sebastián Piñera.

Fonte: RFI

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