COP26: US$ 150 trilhões precisam ser investidos para zerar emissões até 2050, estima BCG

COP26: US$ 150 trilhões precisam ser investidos para zerar emissões até 2050, estima BCG

Consultoria oficial da conferência, BCG afirma que gases do efeito estufa precisam cair à metade até 2030 para atingir a principal meta do Acordo de Paris

Dados da consultoria Boston Consulting Group (BCG) indicam que para evitar danos irreversíveis ao meio ambiente e cumprir as metas do Acordo de Paris – como chegar a zero emissões líquidas (net-zero) até 2050 e impedir que a temperatura global aumente mais de 1,5°C – os gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera devem ser reduzidos pela metade até 2030 e US$ 150 trilhões precisam ser investidos por empresas e governos globalmente. Os dados são do relatório Climate Finance Markets & The Real Economy, produzido em conjunto com a Global Financial Markets Association (GFMA).

De acordo com o BCG, a consultoria oficial e exclusiva da COP26, o objetivo não é simples e pode servir para nortear debates do evento. A conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas acontece em Glasgow, Escócia, de 31 de outubro a 12 de novembro, e vai reunir as principais lideranças globais dos setores público e privado em busca de soluções para as crises climáticas e ambientais globais. Ela é considerada a convenção mais importante desde a edição de 2015, quando foi assinado o Acordo de Paris.

No último ano, o BCG desenvolveu estudos relevantes sobre mudanças climáticas e sustentabilidade, propondo soluções para empresas e governos em sua jornada ESG. Confira alguns insights levantados pela consultoria recentemente:

• The Next Generation of Climate Innovation: o material evidencia casos práticos de empresas e governos que estão inovando em seus modelos de sustentabilidade e gerando valor no mercado. As empresas de vanguarda em sustentabilidade já geram retornos para os acionistas em níveis semelhantes aos das Big Techs (Amazon, Apple, Facebook e Google). De outubro de 2017 a outubro de 2020, empresas como Enel Group, Iberdrola, Neste, NextEra Energy e Ørsted geraram retornos anuais totais para os acionistas da ordem de 30%. Outras, como Beyond Meat e Tesla, conseguiram resultados surpreendentes de 70% a 80% de retorno.

• Six Steps to a Sustainability Transformation: o BCG mapeou seis passos essenciais para empresas iniciarem uma transformação de sustentabilidade internamente, com o objetivo de amadurecer sua jornada de descarbonização.

• Supply Chains as a Game- Changer in the Fight Against Climate Change: o estudo mostra que oito cadeias de suprimentos globais são responsáveis por mais de 50% das emissões anuais de gases de efeito estufa. Porém, apenas uma pequena proporção dessas emissões é produzida diretamente na fabricação final – a maioria está embutida em materiais básicos, agricultura e no transporte para movimentar mercadorias ao redor do mundo. Nesse sentido, uma reformulação das cadeias de suprimento é essencial para atingir o net-zero, e os custos disso não impactam decisivamente os consumidores finais: mesmo a descarbonização total resultaria em aumentos de preços ao de apenas 1% a 4% em produtos no médio prazo.

• The Shipping Ecosystem Can Help Tackle Humanity’s Climate-Change ‘Code Red’: o setor de transporte marítimo é responsável por cerca de 3% das emissões de GEE globais. O estudo indica que metas de curto prazo precisam ser adotadas para ajudar a alinhar e focar a ação da indústria, como tornar embarcações de emissão zero comercial e tecnicamente viáveis, além de seguras, até 2030. Até lá, combustíveis com emissão zero terão que representar 5% dos combustíveis de navegação internacional e 15% dos combustíveis de navegação doméstica para permitir a adoção em massa em meados do século.

• The Biodiversity Crisis Is a Business Crisis: O estudo evidencia os impactos que as crises de biodiversidade causam nos negócios. Isso não é intuitivo para o mercado, mas é comprovado em números: a biodiversidade cria valor na forma de serviços ecossistêmicos, como abastecimento de alimentos, armazenamento de carbono e filtragem de água e ar, que valem mais de US﹩ 150 trilhões anualmente – cerca de duas vezes o PIB mundial. Ao mesmo tempo, o BCG estima que o declínio na dos ecossistemas já custam à economia global mais de US﹩ 5 trilhões por ano na forma de serviços naturais perdidos.

Além do apoio direto ao governo do Reino Unido e parceiros italianos na organização do COP26, a consultoria está à frente de campanhas importantes do evento, como a Race to Zero e Race to Resilience (saiba mais neste link), e assumiu compromissos importantes, tendo desenvolvido trabalhos de destaque na área para clientes:

• Há um ano, o BCG assumiu compromissos climáticos importantes para reduzir seus impactos em emissões. Hoje, a empresa já remove mais carbono da atmosfera do que emite e aumentou a ambição de metas de emissões: vai reduzi-las pela metade até 2025, principalmente cortando viagens executivas.

• No trabalho de consultoria para clientes, a parceria com a C&A Foundation criou um acelerador de inovação sem fins lucrativos, apoiando startups e players de moda na inovação e expansão de tecnologias, a fim de tornar a cadeia de valor da indústria mais sustentável.

• Junto com fornecedores na Índia e em Bangladesh, a equipe do BCG desenvolveu iniciativas de impacto, incluindo a primeira camiseta reciclável com “certificação ouro”. A C&A foi a primeira varejista a comercializar a camiseta, campeã de vendas com margens iguais às de seus produtos convencionais, e aplicar a abordagem em outras frentes.
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