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Fogo ligado a desmatamento continua a ameaçar a Amazônia

Foto: Ivan Canabrava/Illuminati Filmes/IPAM
Expedição científica passou por três biomas; em Apiacás (MT), equipe acompanhou luta de bombeiros contra queimada de árvores derrubadas.

Cuiabá, 14 de agosto de 2021 – Um grupo de pesquisadoras do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e do Woodwell Climate Research Center, dos Estados Unidos, encerrou nesta sexta-feira (13) uma expedição de campo sobre fogo no município de Apiacás (MT), onde encontraram bombeiros lutando para controlar a queimada de uma área desmatada.

O trabalho foi dificultado pela ignição em locais diferentes do terreno. Esse tipo de fogo acaba com as árvores derrubadas e prepara a área para uso agropecuário. É frequente na Amazônia especialmente nesta época do ano, quando há menos chuvas na região.

“A área desmatada vai se tornar um pasto, com características climáticas muito diferentes do que seria com a floresta em pé”, explica a pesquisadora do IPAM e do Woodwell Climate, Ludmila Rattis. “Um dos efeitos do desmatamento é o aumento da temperatura no microclima local, subindo em até cinco graus Celsius e afetando a produtividade da terra. No final das contas, desmatar não compensa nem no aspecto climático, nem no econômico.”

Com o tempo quente e seco, o risco de uma queimada desse tipo escapar para uma floresta vizinha e virar um incêndio é grande. “O fogo relacionado ao desmatamento aumenta o desafio do controle, uma vez que é desejado e oferece riscos até mesmo para quem está atuando para combatê-lo”, diz a pesquisadora Manoela Machado, do Woodwell Climate.

Ciência e prática

Apiacás foi a última parada da expedição iniciada uma semana antes. O grupo percorreu os três biomas de Mato Grosso – Cerrado, Pantanal e Amazônia – acompanhando o trabalho do Corpo de Bombeiros Militares do estado, para melhorar o uso de dados científicos na prevenção e no combate a queimadas e incêndios florestais.

“Esse é um projeto que nasceu da conversa entre pesquisadores e bombeiros. Desde o início, a ideia é de colaboração mútua entre a ciência aplicada e o trabalho de detecção, prevenção e combate a incêndios ambientais”, afirma Machado, que coordena a iniciativa.

Durante a expedição, foi possível identificar sinergias entre as estratégias usadas pelos bombeiros ambientais e as predições feitas pelos pesquisadores do fogo. “Passar o diálogo da sala fechada para o campo enriquece o trabalho.”

A equipe também teve a oportunidade de testemunhar os impactos do fogo. No Cerrado, as pesquisadoras viram a destruição de uma área de plantio de agricultores familiares, depois que uma queimada escapou e atingiu outras áreas da propriedade, além de vegetação nativa. No Pantanal, um fogo acidental espalhou-se rapidamente nos pastos secos, formando o primeiro grande incêndio deste ano na região. Na Amazônia, tendo como combustível o desmatamento, uma área antes florestada transformou-se rapidamente em cinzas.

Um diário da viagem foi compartilhado no Instagram do IPAM.

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COP26 lança iniciativa internacional para a proteção de florestas

● Ministros de mais de 18 países se reúnem para desenvolver roteiro de comércio internacional que promova cadeias de abastecimento alimentar sustentáveis e proteja as florestas
● Mais de 10 milhões de hectares de floresta, associados à produção global de commodities, são destruídos a cada ano
Uma nova iniciativa para proteger as florestas tropicais do desmatamento, garantindo que o desenvolvimento e o comércio sejam sustentáveis, foi lançada ontem pelo Reino Unido, anfitrião da COP26, conferência de cúpula do clima que acontece em novembro. Trata-se do Diálogo sobre Florestas, Agricultura e Comércio de Commodities (FACT, na sigla em inglês para Forest, Agriculture and Commodity Trade), que reunirá os principais países exportadores e consumidores de produtos agrícolas na busca de soluções que tornem este processo mais verde e sustentável.

O anúncio foi realizado ontem, dia 02/02, por Alok Sharma, presidente da COP26, e mais 18 ministros de diferentes países.

O comércio internacional de commodities como óleo de palma, soja e carne bovina movimenta mais de US$ 80 bilhões por ano em receitas de exportação para os países produtores e contribui para a segurança alimentar e o crescimento econômico nos países consumidores. O setor provê trabalho e subsistência para cerca de 1,5 bilhão de pessoas, a maioria delas em países em desenvolvimento. No entanto, ao mesmo tempo, as florestas continuam desaparecendo em um ritmo alarmante e em alguns casos, o desmatamento está aumentando.

A iniciativa FACT visa acordar princípios para a ação colaborativa em um roteiro compartilhado para a transição em direção a cadeias de abastecimento e a um comércio internacional sustentáveis, tomando medidas agora para proteger as florestas enquanto promove o desenvolvimento e o comércio.

“Tenho orgulho em reunir os países que podem tornar o comércio global mais sustentável para todos”, destacou Alok Sharma, presidente da COP26. “Trata-se de trabalhar em conjunto para proteger nossas preciosas florestas, melhorando a subsistência e apoiando o desenvolvimento econômico e a segurança alimentar, que é uma de nossas principais prioridades para a COP26”.

Também no evento de ontem, a TFA (Tropical Forest Alliance), parceira da iniciativa FACT, anunciou a criação de uma Força-Tarefa Multilateral Global voltada para o comércio de commodities. O grupo de trabalho reunirá mais de 25 personalidades que trabalham com sustentabilidade, que irão canalizar sua expertise e assessorar os diálogos governamentais ao longo do ano.

“Esta ousada iniciativa é uma certeza de que todas as vozes relevantes serão ouvidas, conforme os países se unem para garantir um uso mais sustentável da terra”, comentou Justin Adams, diretor executivo da TFA. “A ação para proteger a diversidade do planeta e estabelecer um futuro sustentável exigirá a colaboração global de toda a sociedade, desde os legisladores e produtores até os consumidores individuais. Esta parceria com a COP26 para a viabilização do FACT é motivo de grande orgulho para nós”.

A 26ª Conferência sobre Mudança Climática da ONU (COP26) acontecerá em Glasgow, de 1º a 12 de novembro de 2021. Sua principal meta é acelerar a ação em direção aos objetivos do Acordo de Paris e da Agenda da ONUA relativa às Mudanças Climáticas.

O evento de ontem pode ser assistido no endereço https://bit.ly/FACTDialogueLive

Sobre a TFA
A Tropical Forest Alliance (TFA), ou Aliança para as Florestas Tropicais, é uma rede que reúne múltiplos parceiros em torno do objetivo comum da busca e da implementação de soluções para o combate ao desmatamento resultante de atividades comerciais em áreas de florestas tropicais. Iniciativa do World Economic Forum, a TFA trabalha com representantes governamentais, do setor privado e da sociedade civil, como povos indígenas e organizações internacionais, na consolidação de parcerias de alto impacto para reduzir o desmatamento e construir um futuro positivo para as florestas. A rede TFA, por meio de seus parceiros, identifica desafios e elabora soluções, reunindo especialistas de todo o mundo para transformar ideias em ações efetivas na América Latina, na África, na China e no Sudoeste Asiático.

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Garimpeiros invadem aldeia no Amapá e matam cacique

Garimpeiros invadiram neste sábado (27) a aldeia de Waiãpi, no Amapá, e assassinaram uma liderança indígena do local; segundo o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), ataque é fruito da escalada do ódio após a eleição de Jair Bolsonaro; “O sangue derramado é culpa do governo federal, que ocorre por causa da omissão de organismos de controle” .

Segundo o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), acuados e com medo de novas retaliações, os índios se refugiaram na comunidade vizinha Aramirã, para onde crianças e mulheres foram levadas. 

“Uma liderança fez contato informando que ocorreu uma invasão dos garimpeiros e assassinaram um cacique”, relatou ao Congresso em Foco o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). 

A Polícia Federal foi acionada para controle da invasão, assim como a Fundação Nacional do Índio (Funai). 

Ranfolfe alerta para a escalada do ódio e da intolerância após a eleição do presidente Jair Bolsonaro. “O sangue derramado é culpa do governo federal, que ocorre por causa da omissão de organismos de controle”, reprovou. “Quem vive do crime se sente protegido em poder invadir terra indígena.”

O cantor Caetano Veloso também se manifestou sobre o ataque aos índios Waiãpi. “Eu peço às autoridades brasileiras que, em nome da dignidade do Brasil e do mundo, ouçam esse grito”, afirmou em vídeo.

Brasil 247

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