Carta aberta à senhora Lily Safra

Carta aberta à senhora Lily Safra

Prezada senhora, Lily Safra, ajude a Amazônia também. A selva está ardendo em chamas e os índios sendo dizimados. Vimos em nome do Instituto Rondon, com sede em Brasília e atuação em Rondônia, pedir à senhora que nos ajude também a preservar a Amazônia e os nossos indígenas, que estão sendo dizimados pela ganância do homem branco. Sabemos que a senhora fez uma doação generosa para a reconstrução da igreja de Notre Dame. Parabéns pelo gesto, pela grandeza, pelo amor que a senhora tem pela igreja e pela tradição católica.
A Amazônia está sendo devastada, queimada, transformando em cinzas a natureza e os animais. O Mundo está sentindo os efeitos destas ações criminosas do homem civilizado. O clima está mudando e nós em menos de 50 anos poderemos ser extintos também da face da Terra se não tomarmos providências. O Instituto Rondon vai atuar firmemente nas reservas indígenas Uru Eu Wau Wau, além de outras. Precisamos de sua ajuda.

O Instituto Rondon atuará na defesa da Amazônia, dos indígenas e nas demandas sociais como luta contra racismo, preconceitos etc. Educação, saúde e cidadania são os focos do instituto. Projetos como Brasil Sem Fome, Pago para Ler e Brasil 2030 estão disponíveis para execução em breve.

Em Rondônia, expedições à aldeia Uru Eu Wau Wau estão em planejamento com apoio de entidades consolidadas. Uma expedição também está em planejamento rumo às ruinas do Eldorado-Paititi descobertas numa reserva no centro de Rondônia.

Websérie retrata turismo de base comunitária na Amazônia

Último episódio da 5ª temporada da websérie Pé no Parque vai ao ar nesta quarta-feira (11), destacando a importância do turismo para a conservação da biodiversidade no Parque Nacional de Anavilhanas

O turismo em áreas naturais e a importância de conservar a natureza são os principais aspectos retratados no quarto e último episódio da 5ª temporada do Pé no Parque, movimento que busca estimular o turismo em áreas de proteção ambiental a partir de produtos audiovisuais. A temporada se passa no Parque Nacional de Anavilhanas, no Amazonas e o último capítulo será lançado nesta quarta-feira (11/12), no site do Pé no Parque e no canal do WikiParques no Youtube.

A imensidão verde da Amazônia traz ao turismo diversas rotas e opções de passeio para conhecer paisagens exuberantes, a biodiversidade, a cultura ribeirinha e a história local. A websérie traz a beleza singular de Anavilhanas e seu arquipélago formado por cerca de 400 ilhas fluviais o segundo maior do mundo. Em meio a paisagens de tirar o fôlego, é possível descobrir aspectos diferentes do parque, como a força do turismo de base comunitária como chave para conscientizar as pessoas sobre o valor da floresta em pé.

“No último episódio, a gente mostra como a riqueza da floresta é um atrativo e quem nos apresenta toda essa riqueza são os moradores locais. As pessoas que vivem lá há gerações e conhecem a floresta com a palma da mão. São elas que, por meio do turismo de base comunitária, valorizam ainda mais a floresta que dá a eles alimento e remédio, além de uma fonte de renda a partir do turismo. Ou seja, um motivo a mais para todo mundo colocar o pé no parque e conhecer o Parque Nacional de Anavilhanas”, conta a roteirista da websérie, Duda Menegassi.

A websérie é dirigida pelo fotógrafo Marcio Isensee e Sá, diretor do documentário Sob a Para do Boi (2018), e produzida por WikiParques e ((o)) eco, com patrocínio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. “O turismo associado a áreas naturais é um fator gerador de renda em diferentes regiões do Brasil. Por meio da websérie e do movimento queremos mostrar a importância que a conservação da biodiversidade tem para assegurar a sobrevivência de ecossistemas e o sustento de milhares de famílias que encontram na preservação ambiental uma oportunidade de negócio”,  destaca a diretora-executiva da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, Malu Nunes.

O parque

Localizado a 200 quilômetros de Manaus (AM), o Parque Nacional de Anavilhanas é acessado por Novo Airão e pode ser visitado o ano todo. Estão entre os atrativos do parque passeios aquáticos; trilhas terrestres; observação de flora e fauna; escalada em árvore, voo panorâmico e interação com botos-vermelhos. De setembro a fevereiro, no período de seca, o parque oferece ao turista belas praias de areia branca. Nos meses de cheia, o turista é levado a trilhas aquáticas para conhecer florestas alagadas de igapó. Não há cobrança de ingresso para acessar o parque e as atividades são oferecidas por agentes de turismo.


Sinopse
Episódio 1: Amazônia em Pé
A 200 quilômetros de Manaus (AM), o Parque Nacional de Anavilhanas protege o segundo maior arquipélago fluvial do mundo. Com cerca de 400 ilhas em meio ao Rio Negro, o parque é o local perfeito para conhecer a flora, a fauna, as águas, a história e a cultura amazônica, demonstrando a importância de conservar a natureza.

Episódio 2: Origens do Caboclo Ribeirinho
Além dos atrativos naturais, Anavilhanas preserva a cultura do caboclo ribeirinho com artesanato com palha-inajá e culinária a base de peixe, frutos e mandioca. Outros ativos históricos são as ruínas de Velho Airão, o antigo centro comercial do Ciclo da Borracha, e artes rupestres esculpidas por povos indígenas.

Episódio 3: Rio Negro
Com suas águas escuras, o Rio Negro transforma a paisagem de Anavilhanas ao longo do ano com seus períodos de cheia e seca. O rio é conservado por um mosaico de áreas protegidas e reserva belas paisagens ao turista, como as florestas alagadas de igapó.

Episódio 4: A Floresta é o Atrativo
O Parque Nacional de Anavilhanas possui uma série de atrativos que fortalecem o turismo de base comunitária. A visitação nutre a sensação de pertencimento da população local e reforça a importância de conservar a natureza.

Sobre Movimento Pé no Parque

O movimento Pé no Parque é uma iniciativa de valorização dos parques nacionais brasileiros que utiliza o poder transformador do audiovisual como ponto de partida para engajar mais pessoas a visitarem e entenderem a importância dessas áreas para sua qualidade de vida e para o desenvolvimento do país. O turismo em unidades de conservação é essencial, assim como a educação ambiental para tornar o visitante cada vez mais consciente. O movimento é uma união da Associação O Eco, WikiParques e Fundação Grupo Boticário. A websérie do movimento foi lançada em 2018, durante o IX Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação (CBUC) e a cada temporada apresenta um parque diferente, com episódios que retratam a cultura, aspectos naturais, a história e os personagens que dão rosto e voz aos parques nacionais brasileiros. As quatro temporadas de Pé no Parque já foram assistidas por mais de 1 milhão de pessoas.

Fundação Grupo Boticário

A Fundação Grupo Boticário é uma das primeiras instituições ligadas à iniciativa privada voltadas à conservação da natureza no Brasil. Desde 1990, é uma das principais financiadoras de projetos ambientais do país, com cerca de 1,6 mil iniciativas apoiadas em todas as regiões. Conserva duas reservas naturais, somando mais de 11 mil hectares de Mata Atlântica e Cerrado, os dois biomas mais ameaçados no país. A Fundação também atua para que a conservação da biodiversidade seja priorizada nos negócios e nas políticas públicas, além de contribuir para que a natureza sirva de inspiração ou seja parte da solução para diversos problemas da sociedade.

VÍDEO- Tudo o que você precisa saber sobre o desmatamento na Amazônia em 2019

O desmatamento na Amazônia cresceu 29,5% entre 1º de agosto do ano passado e 31 de julho de 2019. É a maior taxa desde 2008. Só para você, leitor, ter uma ideia, o desmatamento em 2019 foi o terceiro pior da história. O que o Governo faz em contrapartida? Flexibiliza a aplicação de multas e exonera servidores do IBAMA e ICMBIO. Enquanto isso, as queimadas continuam… Veja no vídeo acima um resumo e o histórico da situação da Floresta Amazônica.

Fonte: Projeto Colabora

 

Festival de Música: Instituto Rondon tem projeto para melhorar a música brasileira

Música de qualidade. Doses cavalares de música de qualidade na veia da juventude brasileira. De Norte a Sul, o brasileiro precisa de uma overdose de boa música. Chega de música ruim sendo vendida como cultura. Nos últimos 20 anos o Brasil foi tomado por um tsunami de músicas de péssima qualidade. “A música brasileira tá uma merda”, diz Milton Nascimento. “As letras, então. Meu Deus do céu. Uma porcaria”, emenda o cantor e compositor de 76 anos de idade.  “Não sei se o pessoal ficou mais burro, se não tem vontade [de cantar] sobre amizade ou algo que seja. Só sabem falar de bebida e a namorada que traiu. Ou do namorado que traiu. Sempre traição.”  Milton está mais certo do que nunca. Bebidas, drogas, sexo. Esse é o resumo da nossa música atual. O jovem não tem para onde correr.

Nesse sentido, o Instituto Rondon presidido pelo jornalista Roberto Kuppê lança uma ideia de festival.  Um projeto musical que envolveria toda a juventude brasileira, de Norte a Sul.  O projeto de nome  “Festival de Música Chico Buarque do Brasil”, ou FMCBB, poderia ser uma mudança nos rumos de nossa cultura que está deturpada. O primeiro FMCBB seria com com composições exclusivas interpretadas por Chico Buarque.

Por que Chico Buarque (*)?

Porque simplesmente o Brasil tem o maior e o melhor de todos os compositores vivos que se chama Chico Buarque. Dono de uma coleção de músicas nunca vista, um verdadeiro tesouro. E não é só na música que Chico é sucesso. Na literatura também. Seria mais do que uma homenagem ao cantor, compositor  e escritor, que ganhou recentemente o Prêmio Camões de Literatura, prêmio esse que será entregue a ele em abril, em Lisboa, Portugal.  O governo português anunciou que a entrega do prêmio acontecerá no dia 25 de abril de 2020, em Lisboa. O Prémio Camões ou Prêmio Camões, instituído pelos governos do Brasil e de Portugal em 1988, é atribuído àqueles autores que contribuíram para o enriquecimento do patrimônio literário e cultural da língua portuguesa. Poxa, não é pouca coisa! Nada mais justo do que homenagear esse grande brasileiro.

Como será o festival?

O FMCBB será de âmbito nacional podendo participar até cantores portugueses. Através de um aplicativo de celular (app), serão inscritos candidatos de todo o Brasil e países de língua portuguesa.  Através deste aplicativo serão selecionados mil participantes, dentre os que enviarem um vídeo interpretando uma das músicas de Chico Buarque. Feito isso, uma rede de TV (Globo, de preferência), fará a seleção de 300 participantes do festival que será desenvolvido em um, dois ou três meses.  O prêmio para o melhor intérprete seria de R$ 1 milhão de reais entregues pelo próprio Chico Buarque. Os segundo, terceiro, quarto e quinto lugares, receberiam de R$ 500 mil a R$ 100 mil cada, respectivamente.

Para ajudar as comunidades mais pobres como Paraisópolis (SP), Rocinha (RJ) dentre outras, serão distribuídos cerca de 10 mil violões com cifras musicais de Chico Buarque.

Esse festival será realizado em 2020, podendo repetir de dois em dois anos, homenageando Milton Nascimento, Caetano Veloso, Roberto Carlos, Zeca Pagodinho, Osvaldo Montenegro, sempre intérpretes vivos e atuantes na música brasileira.

O projeto do festival está sendo configurado. Os interessados devem entrar em contato através do email do Instituto Rondon: contato@institutorondon.com.br ou pela zap: 061-98254-1644. 

 

 

(*) Obs: Chico Buarque não está ciente desse projeto. Ainda será comunicado oficialmente caso o projeto vá adiante.

 

New York Times diz que sob Bolsonaro, Amazônia está completamente sem Lei

O jornal New York Times publicou nesta quinta-feira (5) uma reportagem especial sobre os impactos negativos do governo de Jair Bolsonaro na floresta amazônica. Sob o título “A Amazônia está completamente sem lei: a floresta tropical após o primeiro ano de Bolsonaro”, a reportagem culpa o presidente pelo aumento deste ano nos índices de desmatamento do bioma.

O desmatamento na maior floresta tropical do mundo, um importante amortecedor contra as mudanças climáticas, disparou sob o presidente Jair Bolsonaro do Brasil”, diz o texto, logo em seus primeiros parágrafos. Em seguida, a reportagem de  conta que Bolsonaro prometeu liberar a exploração da indústria na floresta, além de reduzir fiscalizações.

“E seu governo seguiu adiante, cortando fundos e pessoal para enfraquecer a aplicação das leis ambientais. Na ausência de agentes federais, madeireiros, fazendeiros e mineiros entraram [na floresta], encorajados pelo presidente e ansiosos para satisfazer a demanda global”, relata.

A reportagem ainda sustenta que o governo de Bolsonaro “fez alguns acenos” para combater o desmatamento ilegal, mas o presidente “reafirmou sua antiga posição de desdém pelo trabalho de conservação”.

“Ele disse uma vez que a política ambiental do Brasil estava ‘sufocando o país’; prometeu em sua campanha que nenhuum centímetro quadrado de terra seria designado para os povos indígenas; e, no mês passado, ele ignorou dados oficiais sobre o desmatamento”, cita o texto.

O jornal americano já fez diversas reportagens denunciando o descaso de Bolsonaro com relação ao meio ambiente. Em setembro, quando os incêndios na floresta amazônica se intensificaram, o NYT deu amplo destaque à crise ambiental brasileira, além de ironizar a postura do presidente, que culpava as ONGs como responsáveis pelas chamas.

Revista Forum

Por ordem de Bolsonaro, desmatamento na Amazônia aumenta 212% em outubro

As florestas degradadas – caracterizada pelo Imazon pela extração das árvores, normalmente para fins de comercialização – somaram 618 quilômetros quadrados em outubro – um aumento de 394%, em relação a 2018- Foto Ibama

São Paulo –  Só no mês de outubro houve registro de desmatamento em 583 quilômetros quadrados na Amazônia Legal. A devastação é 212% maior do que a registrada em igual de 2018, segundo o Sistema de Alerta de Desmatamento do Imazon, quando foram perdidos 187 quilômetros quadrados de floresta.

As florestas degradadas – caracterizada pelo Imazon pela extração das árvores, normalmente para fins de comercialização – somaram 618 quilômetros quadrados no mês de outubro, enquanto em outubro de 2018 a degradação florestal detectada totalizou 125 quilômetros quadrados – aumento de 394%.

O estado do Pará lidera com 59% das áreas afetadas. Em seguida aparecem: Mato Grosso (14%), Rondônia (10%), Amazonas (8%), Acre (6%), Roraima (2%) e Amapá (1%). O município de Pacajá, no sudeste do Pará, aparece pelo segundo mês consecutivo no topo da lista das cidades que mais registraram desmatamento, com 32 quilômetros quadrados.

Os dados mostram também que 54% do desmatamento na Amazônia ocorreu em áreas privadas ou sob diversos estágios de posse. Entretanto, o restante foi registrado em assentamentos (32%), unidades de conservação (7%) e terras indígenas (7%). Das 10 terras indígenas mais desmatadas, oito ficam no estado do Pará.

Fonte: Imazon

Ver imagem no Twitter

O anúncio do ministro, no entanto, chamou atenção no Brasil, mas pela sua contradição, como observa o presidente do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam), Carlos Bocuhy. Em entrevista à jornalista Marilu Cabañas, da Rádio Brasil Atual, Bocuhy lembra que o governo Bolsonaro recusou a entrada de recursos para o Fundo Amazônia, que recebia aportes financeiros da Alemanha e da Noruega para estimular ações de controle sobre desmatamento e uso sustentável do bioma. Mas não só, o país não está cumprindo as metas do Acordo de Paris, tem um chanceler como ministro que nega as mudanças climáticas, além de ser omisso com a questão indígena e as queimadas na Amazônia, fazendo declarações anti-diplomáticas e ofensivas contra líderes do G20.

Criminalização

“Esse histórico, ao longo deste ano, não deixa o Brasil em uma situação muito favorável de negociação. Acho que a possibilidade é muito maior hoje de que os próprios estados da região Amazônica consigam viabilizar acordos entre eles e os países europeus do que o governo brasileiro. O governo está em uma situação muito pouco favorável, negacionista, e esta posição tem sido atacada pela Conferência em Madri. O que é dito hoje é que há uma urgência e os negacionistas vão ficar para trás”, avalia Bocuhy.

Pesa ainda sobre a o governo a maneira como tem atuado para criminalizar o trabalho das organizações não-governamentais (ONGs), por exemplo, quando, mais recentemente, Bolsonaro acusou sem provas o ator Leonardo DiCaprio de financiar, por meio de ONGs, as queimadas na Amazônia. “Isso é muito ruim para a imagem do Brasil e faz com que o país perca a possibilidade de negociação que inclusive favorece a proteção ambiental brasileira. E o pior é que o Brasil fora desse contexto de mudanças climáticas perdeu na verdade  a grande liderança que tinha dentro desse processo”, alerta o presidente do Proam.

Bocuhy pondera que diante da postura do presidente e de seu ministro, “de ser contra aos princípios republicanos e anti-cidadãos”, é preciso que a sociedade tenha mecanismos para enfrentar essas ações, por meio de órgãos como o Ministério Público Federal e a Controladoria-Geral da União. “O governo tem que estar absolutamente respaldado nos princípios da boa administração pública, como o da impessoalidade e o princípio da eficiência”, aponta o presidente do Proam. “Cada vez mais esse governo demonstra que precisa dessa intervenção interna, desse contrapeso constitucional para colocá-lo nesse lugar, de um governo da República Federativa do Brasil que tem que defender aquilo que está presente na Constituição”.

Nesta quarta-feira (4), o Proam participa de uma conferência com o Ministério Público Federal (MPF) para tratar dessas mudanças climáticas e os desastres ambientais. De acordo com o instituto, representantes da sociedade civil organizada preparam uma representação pedindo para que o Ministério Público Federal obrigue o governo Bolsonaro a recuperar as áreas que foram desmatadas na Amazônia, que nesse ano viu aumentar o nível de devastação. “Se nós não obrigarmos à recuperação, vai ficar muito fácil continuar colocando fogo na floresta para valorizar essas áreas para especulação imobiliária”, pontua Bocuhy.

Rede Brasil Atual


 Rede Brasil Atual

Após se reunir com infratores ambientais, Salles suspende fiscalização na reserva Chico Mendes

Em 6 de novembro 2019, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, se reuniu com infratores ambientais da Resex Chico Mendes (dois já condenados); após o encontro, intermediado pela bancada do Acre, ele determinou a suspensão da fiscalização da Resex Chico Mendes, a segunda unidade de conservação mais desmatada deste ano – Foto acima Divulgação

Fabiano Maisonnave

O autor de uma ameaça de morte contra um servidor do ICMBio.
Um ex-procurador-geral de Justiça do Acre acusado de abrir uma estrada ilegal dentro da
Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes. Um condenado por desmatamento. Uma
fazendeira com um haras em uma unidade de conservação criada para atender a
seringueiros.

Ao todo, cinco infratores ambientais participaram de uma reunião com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, no dia 6 de novembro, em Brasília, para discutir o futuro da primeira Resex do país e reclamar da suposta truculência de agentes do. No final, conseguiram que o governo federal suspendesse a fiscalização dentro da unidade de conservação.

Somente neste ano, a Resex já perdeu 74,5 km de floresta, segundo o sistema
do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), um aumento de 203% em relação ao ano
passado. A área perdida equivale a quase dois Parques Nacionais da Tijuca (RJ), a maior
floresta urbana do mundo, e é a maior da série histórica, iniciada em 2008.

Um dos presentes na reunião em Brasília, intermediada por parlamentares acrianos, foi
o grileiro Rodrigo Oliveira Santos.Em 2013, ele ameaçou de morte um servidor do ICMBio no
Acre que o multou por desmatamento de 69 hectares dentro da Resex. “Cadeia, a gente
entra e a gente sai. Caixão, não, só tem entrada, não tem saída”, disse, em conversa
gravada e entregue à Polícia Federal.

 


1. Gutierrri Ferreira da Silva. Condenado pela
Justiça Federal por desmatamento dentro da
Reserva Chico Mendes (Resex)
2. Gessi Capelão (MDB). Vereador de Xapuri,
defende a expansão do gado dentro da Resex e
a redução do seu território
3. Homem não identificado (está atrás dos
demais)
4. Fátima Abreu Sarkis. Tem um haras dentro
da Resex, onde agora cria gado. Autuada pelo
ICMBio e pelo Ibama, conseguiu liminar na
Justiça para ficar na reserva
5. Deputada federal Mara Rocha (PSDB).
Prepara projeto de lei que diminui área da
Resex Chico Mendes
6. Jorgenei da Silva Ribeiro. Ex-procuradorgeral do Acre e advogado, mora em Brasília.
Autuado pelo ICMBio e denunciado à Justiça
Federal por abrir uma estrada ilegal dentro da
Resex, desmatando 71,5 hectares
7. Deputado federal Alan Rick (DEM-AC)
8. Uenderson de Brito. (único sentado) Tem
400 hectares dentro da Resex, onde cria gado.
Autuado pelo ICMBio por desmatamento e
quebra de embargo, foi notificado para sair,
mas obteve liminar na Justiça Federal
9. Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente
10. Senadora Mailza Gomes (PP-AC). Da
bancada evangélica, é condenada em segunda
instância por improbidade administrativa
11. Deputada federal Vanda Milani (SD-AC).
Cunhada do “deputado da motosserra”
Hildebrando Pascoal, condenado por
homicídio e formação de quadrilha. No ano
passado, ele gravou um vídeo de apoio
“incondicional” para sua campanha. É mãe do
04/12/2019 quem-foto-meio-ambiente – Ciência – Folha de S.Paulo
https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2019/12/apos-se-reunir-com-infratores-ambientais-salles-suspende-fiscalizacao-na-reserva-chico-mende… 2/2
secretário de Meio Ambiente do AC, Israel
Milani
12. Deputado federal Jesus Sérgio (PDT-AC)
13. Rodrigo Oliveira Santos. Desmatador e
grileiro da Resex, foi sentenciado em primeira
instância pela Justiça Federal e preso em
flagrante por desmatamento. Indiciado por
ameaçar servidor do ICMBio de morte
14. Senador Sérgio Petecão (PSD-AC)

Em novembro de 2016, a Justiça Federal determinou a reintegração de posse contra
Santos. Pecuarista, ele não é morador tradicional, além de exercer atividade econômica
incompatível com o regulamento da reserva extrativista. Em 6 de novembro 2019, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, se reuniu com infratores ambientais da Resex Chico Mendes (dois já condenados); após o encontro, intermediado pela bancada do Acre, ele determinou a suspensão da fiscalização da Resex Chico Mendes, a segunda unidade de conservação mais desmatada deste ano .

Em julho do ano passado, o grileiro ficou preso por alguns dias a pedido do Ministério
Público Federal (MPF), após ter sido flagrado abrindo um ramal (estrada de terra) ilegal
dentro da Resex. Acabou solto após o juiz entender que o ICMBio não poderia ter dado
voz de prisão.

O ramal estaria sendo financiado pelo ex-procurador-geral do Acre e advogado Jorgenei
da Silva Ribeiro, também presente na reunião em Brasília, onde tem residência. Em
setembro, ele foi denunciado pelo MPF à Justiça Federal pelo desmatamento de 71,5
hectares para a abertura da estrada.

A via seria usada para escoamento de madeira. Ribeiro diz ser o dono de uma área
denominada Seringal Senegal, vizinho à Resex. Segundo relatório da CPI da Grilagem,
concluída em 2001, trata-se de uma área sem título definitivo expedido pelo Poder
Público e registrada irregularmente no cartório da cidade de Sena Madureira (AC).
“Foram abertas na floresta: uma estrada principal, uma estrada secundária, e uma
clareira ao lado de um igarapé onde foi construído um local típico de acampamento”, diz
o MPF, que o acusa de causar dano direto a uma unidade de conservação. A pena prevista
é de um a cinco anos de prisão.

BANCADA

Entre os parlamentares acreanos na reunião está a deputada federal Mara Rocha (PSDB).
Junto com o senador Marcio Bittar (MDB-AC), ela prepara um projeto de lei para reduzir
a Chico Mendes,  retirando da unidade de conservação áreas tomadas pela pecuária.
Se aprovada, a redução pode beneficiar Santos e outros três infratores ambientais
presentes na reunião, os pecuaristas Uenderson de Brito, Fátima Sarkis e Gutierri
Ferreira da Silva, todos criadores de gado dentro da Resex.

Participante do encontro, o vereador de Xapuri Gessi Capelão (MDB) disse que a
proposta é excluir 19 mil hectares da Resex, o que representa 2% da unidade de
conservação. Segundo ele, trata-se de áreas próximas a Xapuri onde predomina a
pecuária e não tem mais o perfil extrativista.

O vereador confirmou a ordem de paralisar a fiscalização. “O coronel Homero [Cerqueira,
presidente do ICMBio] pediu pra gente: ‘Vamos suspender a operação devido ao abuso de
autoridade por parte do ICMBIO, portanto peço que não degrade as terras.’ Isso eu estou
levando aos produtores rurais da Resex para que não degradem mais as terras, senão
daqui a pouco não teremos as matas”, afirmou à Folha.

Sem fiscalização, o crime ambiental continua. No último dia 27, a reportagem flagrou a
queimada de uma área que havia sido embargada pelo ICMBio em outubro. O lote
destruído foi negociado ilegalmente entre dois moradores da Resex.
A reportagem enviou perguntas por escrito ao ministro do Meio Ambiente, Ricardo
Salles, sobre a Resex Chico Mendes, mas, como tem sido a praxe em sua gestão, o pedido
de esclarecimento foi ignorado.
Na semana passada, a Folha também pediu uma entrevista para a deputada Mara Rocha,
sem resposta.

Fonte: Folha de S. Paulo

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É preciso ‘atitude drástica’ para frear o desmatamento em terras indígenas de RO, diz Ivaneide Bandeira

Pasto após queimada ao redor do território Karipuna, em Rondônia. — Foto: Fábio Tito/G1

O avanço do desmatamento que assola as terras indígenas de Rondônia vem preocupando aqueles que estão à frente na luta pela preservação das reservas. Ao G1, Ivaneide Bandeira, ambientalista da Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé – responsável por assistir os povos da região –, acredita que o governo precisa ter uma “atitude drástica” para frear o problema.

“Ou se toma uma atitude drástica do governo exercer mesmo o seu papel de defensor do patrimônio público, porque as terras indígenas, unidades de conservação são patrimônios do povo brasileiro. Então precisa que o estado defenda essas áreas, fiscalize e puna os invasores, os grileiros, aqueles que cometem ilícitos”, disse.

O fato de ter aumentado a área desmatada nas terras indígenas do Norte não é surpresa para a ambientalista. Segundo ela, as projeções do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) já vinham apontando um futuro crescimento de desmate nas áreas que tangem as florestas.

Ambientalista Ivaneide Bandeira diz que governo precisa tomar atitude drástica para evitar o desmatamento nas terras indígenas de RO.  — Foto: Mayara Subtil/G1Ambientalista Ivaneide Bandeira diz que governo precisa tomar atitude drástica para evitar o desmatamento nas terras indígenas de RO.  — Foto: Mayara Subtil/G1

Ambientalista Ivaneide Bandeira diz que governo precisa tomar atitude drástica para evitar o desmatamento nas terras indígenas de RO. — Foto: Mayara Subtil/G1

Entre agosto de 2018 e julho de 2019, por exemplo, o desmatamento nas terras indígenas no Brasil cresceu 74%. O percentual é resultado da análise do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), do Inpe, que foi divulgado pelo G1 em 28 de novembro.

Apenas em Rondônia, quase 24 mil hectares de áreas protegidas no estado (sendo unidades de conservação estadual, federal e terras indígenas) já foram desmatadas, o que representa 18% de floresta suprimida na região.

Entre o ranking de áreas mais desmatadas estão as TIs rondonienses Karipuna e Uru-Eu-Wau-Wau. Com uma área que abrange 153 mil hectares, entre 2008 e novembro de 2019, a terra Karipuna teve 33,17 km² de desmate. Já a Uru-Eu-Wau-Wau, que tem ao todo 1.857 mil hectares de área, perdeu 42,54 km² no mesmo período, conforme dados do Prodes.

Juntas, a soma de terra perdida em cerca de 11 anos é de 75,71 km², o equivalente a quase 13 campos de futebol do tamanho do Maracanã, no Rio de Janeiro.

“Se pegarmos o Uru-Eu-Wau-Wau, que é a terra indígena considerada como sendo a mais importante de Rondônia por conta de ter a nascente dos principais rios do estado, todo o entorno está desmatado e que há uma pressão, uma invasão muito grande em cima da terra indígena. O mesmo acontece com a Karipuna, Sete de Setembro, Roosevelt, Aripunã. Então você tem uma série de terras indígenas hoje ameaçadas e invadidas por madeireiros, garimpeiros e grileiros”, explicou Ivaneide.

Evolução do desmatamento no Uru-Eu-Wau-Wau (em km²)
Índice é referente ao período de 2008 a novembro de 2019
Fonte: Prodes

A resistência dos Karipuna

O perfil do povo Karipuna é mais jovem. A maioria deles são crianças e adolescentes. Mas é uma população pequena: apenas sete famílias formam a aldeia atualmente. Porém, está no ranking das 10 regiões mais desmatadas do Brasil.

Também foi o alvo preferido das queimadas em 2019, sendo a terra mais ameaçada pelo fogo. Em outubro deste ano, por exemplo, o G1 esteve na região e revelou que a base da Fundação Nacional do Índio (Funai) no local foi destruída.

Batiti Karipuna ao lado de troncos derrubados em meio à terra indígena — Foto: Fábio Tito/G1Batiti Karipuna ao lado de troncos derrubados em meio à terra indígena — Foto: Fábio Tito/G1

Batiti Karipuna ao lado de troncos derrubados em meio à terra indígena — Foto: Fábio Tito/G1

Segundo Adriano Karipuna, atual presidente da Associação dos Karipuna, o trabalho dos garimpeiros continua mesmo assim. As ameaças e a propagação do medo também, principalmente para as lideranças.

“Depois que o Exército saiu, voltaram a desmatar. Tem lotes, roçado para começarem a fazer derrubada maior. Mas, de modo geral, a comunidade está ameaçada. Acreditamos que eles andam armados. Eles falam que ‘se pegar alguém nas picadas’ (parte dos garimpeiros nas redondezas desmatando) deles irão matar”, revelou.

Adriano acredita que o trabalho de desmate na região fique mais parado durante o período chuvoso, mas prevê que o problema seja retomado entre abril e maio de 2020. O que resta para a aldeia é continuar denunciando o desmatamento das florestas junto ao Ministério Público Federal de Rondônia (MPF-RO).

“O que tem refletido hoje é o medo. Não temos mais sossego em dormir. A aldeia não é mais segura. Não estamos podendo mais caçar direito, o colhimento de alimento. O que fazemos é resistir, pois aquela terra é nossa. A gente vai resistir”.

Uru-Eu-Wau-Wau: isolamento em risco

A floresta na terra indígena Uru-Eu-Wau-Wau garante a sobrevivência de cinco povos, sendo dois isolados, ou seja, sem qualquer contato com pessoas de fora da aldeia. Eles dependem exclusivamente do que a mata oferece. A terra também está na lista das mais desmatadas do país.

MP e PF investigam invasão e loteamento de terras indígenas em Rondônia

MP e PF investigam invasão e loteamento de terras indígenas em Rondônia

Porém, como consequência do desmatamento desenfreado na terra, é possível ver até gado pastando em uma área que, de regra, deveria ser constituída apenas por mata. A Fundação Nacional do Índio (Funai), por exemplo, informou à Rede Amazônica em agosto deste ano que muitas das placas que marcam os limites da terra indígena ou foram arrancadas ou estão marcadas por balas.

De acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), duas áreas invadidas foram ocupadas pela Associação Rural Rio Bonito, do município de Campo Novo de Rondônia, que estaria loteando e comercializando as áreas.

Indígenas da terra Uru EU Wau Wau são ameaçados por invasões de território.  — Foto: Reprodução/Rede AmazônicaIndígenas da terra Uru EU Wau Wau são ameaçados por invasões de território.  — Foto: Reprodução/Rede Amazônica

Indígenas da terra Uru EU Wau Wau são ameaçados por invasões de território. — Foto: Reprodução/Rede Amazônica

Na ocasião, o coordenador da Frente de Proteção Índios Isolados da Funai, Rieli Franciscato, disse que temia por um confronto.

“Pode acontecer duas coisas: uma é os índios tomarem atitude, eles mesmo fazerem valer a defesa do seu território, e a outra é o extermínio de certos povos. A exemplo dos Uru Eu e Karipuna, que são grupos pequenos e podem, com essa ação, levar ao extermínio desses povos”, explicou na época.

Há uma forma de combate ao desmatamento?

O MPF-RO contabilizou 44 denúncias por desmatamento em terras indígenas em 2019. De caráter temporário, o órgão resolveu colocar em prática quatro operações também este ano com objetivo de proteger as florestas e as unidades de conversação do estado. Oito madeireiras também foram denunciadas.

Ao G1, a procuradora Giseli Bleggi informou que os crimes dentro das terras não se limitam apenas a desmatamento de área. “É invasão de terra indígena, grilagem, lavagem de dinheiro, organização criminosa e também crimes ambientais. A Força-tarefa Amazônia foi criada para desmantelar essas quadrilhas. É muito movimento de madeira dentro das florestas”, explicou.

Operação descobre desmatamento em Rondônia.  — Foto: PF/DivulgaçãoOperação descobre desmatamento em Rondônia.  — Foto: PF/Divulgação

Operação descobre desmatamento em Rondônia. — Foto: PF/Divulgação

Apesar da TI Karipuna estar abaixo no ranking entre as 10 regiões mais desmatadas, é a primeira quando se fala em impacto sinérgico. Segundo Giseli, os Karipunas sofrem muito mais com a prática grileira, queimadas e ações criminosas de cunho ambiental.

“E há ainda os impactos dos empreendimentos hidrelétricos. Então imagina uma intervenção humana desse grau às terras indígenas? É uma das mais pressionadas”, complementou a procuradora.

Apesar do trabalho do MPF em proteger como pode as terras indígenas, Giseli acredita que um reforço frequente dos órgãos fiscalizadores seria o ideal. “Eles têm recursos mais frequentes. Teria que ter fiscalização mais intensiva, porque nós estamos em um período de crise”.

O secretário de Desenvolvimento Ambiental de Rondônia (Sedam), Elias Rezende, explicou que mais de 150 missões de combate foram desencadeadas afim de também combater o desmatamento.

Isso significa que os agentes da pasta aplicaram em torno de R$ 150 milhões apenas em multas em áreas preservadas onde não se pode desmatar. Em 2018, a Sedam aplicou mais de R$ 175 milhões em multas.

Secretário da Sedam, Elias Rezende informou que este ano houve intensificação em ações contra queimadas e o desmatamento em Rondônia.  — Foto: Mayara Subtil/G1Secretário da Sedam, Elias Rezende informou que este ano houve intensificação em ações contra queimadas e o desmatamento em Rondônia.  — Foto: Mayara Subtil/G1

Secretário da Sedam, Elias Rezende informou que este ano houve intensificação em ações contra queimadas e o desmatamento em Rondônia. — Foto: Mayara Subtil/G1

Apesar disso, Rezende revelou que o foco não foram as terras indígenas em si, mas as regiões onde há maior incidência, já que depende do local atingido. Porém, garantiu que a demanda de fiscalização foi intensificada este ano.

“Nós mapeamos quais são as áreas com maiores incidências de queimadas e de desmatamento. Intensificado as nossas fiscalizações. As áreas, tanto as nossas unidades de conservação estadual e federal, as terras indígenas, a zona de amortecimento, tem muita pressão. E o que nós temos feito é intensificar a fiscalização através dos nossos agentes da Sedam e também da Polícia Ambiental. Estamos também trabalhando com uma outra forma de abordagem na educação ambiental. Evitando o desmatamento, iremos evitar queimadas lá na frente”, explicou.

Entre uma das medidas determinadas pela Sedam em frear o desmatamento está na aplicação das multas. Segundo o secretário, a estratégia é não aplicar multas exorbitantes, pois o “infrator nunca vai pagar e vai colocar a situação dele em uma restrição a crédito até mesmo para recuperar áreas. Nós optamos por aplicar multas razoáveis, partindo do mínimo legal, daquilo que a lei nos autoriza”.

 

  • G1 Rondônia

Governo Bolsonaro é denunciado na ONU por desmonte de política ambiental

“O governo de Jair Bolsonaro vem promovendo um alarmante desmantelamento do sistema de proteção ambiental no Brasil, agindo com extrema negligência diante de tragédias ambientais”, diz um trecho da denúncia apresentada por parlamentares do PSOL e encaminhada aos principais órgãos da ONU

Em documento encaminhado à alta comissária da ONU para Direitos Humanos, Michelle Bachelet, e outros seis relatores representantes de outros órgãos da ONU, o governo brasileiro foi denunciado pelo desmatamento e a falta de política ambientais.

A denúncia foi apresentada pelo PSOL, assinada por parlamentares como Fernanda Melchionna e Marcelo Freixo, que pedem que a entidade envie ao país uma missão de relatores para avaliar o que chamam de “alarmante desmantelamento do sistema de proteção ambiental no Brasil”. A informação é do colunista Jamil Chade, do UOL.

“O governo de Jair Bolsonaro vem promovendo um alarmante desmantelamento do sistema de proteção ambiental no Brasil, agindo com extrema negligência diante de tragédias ambientais como os incêndios na Floresta Amazônica e o enorme derramamento de petróleo que vem contaminando a costa brasileira desde agosto deste ano”, diz um trecho da denúncia.

O documento reforça que mesmo diante de graves fatos, como o aumento do desmatamento na Amazônia brasileira que cresceu 29,5%, destruindo 9.762 quilômetros quadrados de floresta e o derramamento de petróleo na costa brasileira que já atingiu 740 praias do Brasil, o “presidente brasileiro e seu ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, reduziram drasticamente o orçamento para políticas ambientais, promoveram o relaxamento das inspeções e incentivaram a impunidade dos crimes ambientais”.

“O governo federal também avançou na perseguição e censura aos órgãos ambientais, desmantelando mecanismos de participação, atacando organizações não-governamentais (ONGs) e não protegendo a vida dos defensores do meio ambiente. Além disso, as unidades de preservação são constantemente ameaçadas e novas licenças são emitidas para pesticidas que antes eram proibidos pela legislação brasileira, colocando em risco o meio ambiente e a vida de milhões de brasileiros e, de fato, da população mundial em geral”, enfatiza.

Brasil 247

Brigadistas do Pará consideram suas prisões injustas e revoltantes

Os quatro membros da brigada de combate a incêndios florestais presos preventivamente por suspeita de envolvimento nos incêndios que, em setembro, destruíram parte da Área de Proteção Ambiental (APA) Alter do Chão, em Santarém (PA), afirmam ser alvo de uma injustiça.

Daniel Gutierrez Govino, João Victor Pereira Romano, Gustavo de Almeida Fernandes e Marcelo Aron Cwerner conversaram com jornalistas na tarde deste domingo (1), dois dias após serem libertados em caráter provisório pela Justiça do Pará.

Os quatro foram presos preventivamente na terça-feira (26), no âmbito da operação Fogo do Sairé, que apura as causas e os responsáveis pelas queimadas de setembro. Para a Polícia Civil do Estado do Pará, os quatro são suspeitos de causar os incêndios com a intenção de promover as atividades da Brigada de Incêndios de Alter do Chão (organização criada em 2018) e, assim, obter donativos em dinheiro de outras organizações não governamentais.

“Foi estarrecedor pensar que estávamos sendo acusados de um crime ambiental, sendo que tudo o que fazemos, e não é de agora, é auxiliar e proteger o meio ambiente”, declarou Aron sobre as prisões decretadas pelo juiz da 1ª Vara Criminal de Santarém, Alexandre Rizzi, a pedido da Polícia Civil. “Não houve excesso policial na abordagem. Todo mundo foi educado, mas tudo isto que está acontecendo com a gente é sim injusto. O que sofremos é revoltante e inacreditável”, acrescentou Aron que, como os outros três brigadistas, teve os cabelos raspados antes mesmo de passar pela audiência de custódia.

Aron confirmou que o Instituto Aquífero Alter do Chão, organização mantenedora das atividades da brigada de incêndios, recebeu R$ 70 mil da ONG ambientalista WWF-Brasil. A própria WWF-Brasil já havia admitido que a quantia foi transferida ao instituto por meio de um convênio de parceria técnico-financeira que firmou para viabilizar a compra de equipamentos de combate a incêndios florestais como abafadores, sopradores, coturnos e máscaras de proteção usados pelos brigadistas. A WWF-Brasil nega ter repassado qualquer outra quantia ao instituto ou à brigada.

“Estamos sofrendo uma tremenda injustiça”, reforçou Gutierrez, afirmando que a revelação das suspeitas da Polícia Civil, que continua investigando o caso, suscitaram prejulgamentos e ameaças contra o grupo. “As fake news, os ataques, os prejulgamentos, estão deixando a gente em risco. Estamos recebendo ameças diárias por meio de grupos de Whatsapp e, realmente, isto nos deixa com muito medo”, acrescentou Gutierrez, garantindo que, no momento, o maior desejo do grupo é “voltar à vida normal”.

João Victor assegurou que, desde que chegaram à região, em 2017 (um ano antes, portanto, da criação da Brigada de Incêndios) o grupo vem procurando atuar na proteção da floresta e no combate ao fogo de forma apartidária, em conjunto com as autoridades municipais, estaduais e, quando necessário, federais.

“A Polícia Militar conhece a gente, sabe onde fica a minha casa e, em caso de fogo, de resgates de animais, nos acionam. Antes, os PMs tinham que deixar atividades que eram mais da alçada deles para ir até lá. Hoje, nós os auxiliamos”, contou Victor, assegurando que, no momento das prisões, os brigadistas se mantiveram tranquilos por saberem que a situação seria esclarecida.

“Sabíamos da nossa inocência. Tudo o que nos pediram nós acatamos para que [a situação] se esclarecesse da forma mais rápida possível. Entendemos como um procedimento [investigatório] e, a todo o momento, quisemos colaborar para que a verdade viesse à tona o mais rápido possível”, disse Victor para, em seguida, admitir “o baque”. “No momento em que rasparam minha cabeça, eu pensei se minha filha de dez meses iria me reconhecer quando eu saísse [da prisão]”.

Três dias depois da prisão, na quinta-feira (28), a Justiça do Pará determinou que os quatro brigadistas fossem soltos. A liberdade provisória foi decretada pelo titular da 1ª Vara Criminal de Santarém, o juiz Alexandre Rizzi, o mesmo que, com base no pedido da Polícia Civil, decretou as prisões e negou o primeiro pedido de liberdade apresentado pelos advogados dos quatro brigadistas.

Poucas horas antes do magistrado expedir a ordem de soltura dos investigados, o governador Helder Barbalho determinou a substituição do delegado responsável pelo inquérito policial, Fábio Amaral Barbosa, pelo diretor da Delegacia Especializada em Meio Ambiente, Waldir Freire Cardoso. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Barbalho afirmou que estava “preocupado” com os fatos ocorridos em Alter do Chão e que, “por isto”, determinou a troca do delegado.

Agência Brasil

Amazônia: Governo muda discurso e pedirá apoio externo na COP25

O Brasil vai à 25ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP25), que começa nesta segunda-feira (2) na Espanha, com a intenção de negociar com os países desenvolvidos o financiamento de projetos de preservação ambiental. A proposta será apresentada pelo governo federal e reiterada pelos governadores da Amazônia Legal, que dizem ter chegado a um consenso com o Executivo no entendimento de que, por ser vital para a manutenção da temperatura do planeta por conta da floresta amazônica, o Brasil tem direito aos recursos internacionais prometidos pelo Acordo de Paris.

 

Esse discurso, porém, não foi comprado da mesma forma pelos ambientalistas. Especialistas ouvidos pelo Congresso em Foco explicam que, para ter acesso a esses recursos, o Brasil precisaria estar cumprindo metas de preservação ambiental, como a redução do desmatamento, o que não vem acontecendo. E lembram: o apelo revela uma mudança de discurso do governo Bolsonaro no que tange à cooperação internacional na preservação ambiental, já que no auge das queimadas da Amazônia o Planalto negou ajuda externa, dizendo que não precisava do auxílio de países como França e Alemanha para manter a floresta de forma sustentável.

A ideia de usar a COP25 para angariar recursos para a preservação ambiental foi revelada no último encontro dos governadores da Amazônia Legal, realizado na semana passada no Maranhão. Na ocasião, o governador Flávio Dino (PCdoB-MA), disse que foi construída uma “convergência entre os estados da Amazônia e o governo federal mediante a intervenção brasileira na COP25 para que o país possa efetivamente avançar”. “Vamos reivindicar do mundo e, claro, do governo federal, a existência de mecanismos que ajudem o nosso modelo de desenvolvimento sustentável”, contou o governador, argumentando que a Amazônia tem ajudado o Brasil e o mundo a cumprir as metas de redução de emissões de gases poluentes do Acordo de Paris.

“Queremos que o esforço já feito pela população da Amazônia seja reconhecido. Temos problemas como todos os países do mundo, mas temos feito no longo prazo uma redução expressiva do desmatamento através da preservação da floresta amazônica. A questão central passa a ser como isso vai ser valorizado internacionalmente mediante uma série de mecanismos ambientais como o pagamento de serviços ambientais e o reconhecimento de créditos derivados da mitigação dos desmatamentos”, afirmou Dino, que no começo do ano entrou em rota de colisão com o governo federal depois de ser chamado de “o pior dos paraíbas” pelo presidente Jair Bolsonaro, mas agora evitou fazer críticas à política ambiental do governo e não citou os dados que apontam o aumento do desmatamento na Amazônia.

“Estamos tentando fazer um alinhamento entre a visão da Amazônia Legal e a visão do governo federal para que haja uma intervenção única perante outros países do mundo. Sabemos que infelizmente há, por vezes, uma visão conflituosa da política externa, muito belicista, muito isolacionista e muito severa com o relacionamento de outros países, o que cria dificuldades práticas. Tanto que um dos pontos do nosso documento também é a retomada do Fundo Amazônia, que recebe recursos de outros países e neste momento está isolado em razão dessas posições”, disse Dino.

Ele explicou que, ao contrário que vinha sugerindo o governo federal, esse dinheiro faz falta nos projetos de preservação da floresta e, por isso, deveriam ser retomados. “O Maranhão, por exemplo, tem um projeto de R$ 100 milhões que está aguardando andamento uma vez que houve a determinação do governo de paralisar o fundo. Todos os nove estados têm reivindicado que esse fundo seja retomado, porque é um caminho para que os países contribuam para que a floresta fique em pé, que haja preservação dos recursos ambientais e que haja a remuneração do que os povos tradicionais que preservam a floresta”, defendeu Dino.

E o governo parece ter entendido isso, como sugeriram os governadores da Amazônia Legal. “Estaremos lá [na COP25] representando o Presidente Jair Bolsonaro e, desde então, participaremos das reuniões técnicas preparatórias e de encaminhamento dos temas que sejam pertinentes ao Acordo de Paris, sobretudo das tratativas para a regulamentação do artigo 6º, que diz respeito à monetização, à parte financeira, que é tão importante para os países em desenvolvimento, e em especial para o Brasil”, afirmou o Ministério do Meio Ambiente em nota enviada ao Congresso em Foco.

A pasta, comandada por Ricardo Salles, ainda disse que, dessa forma, espera “receber a sinalização, finalmente, de que a promessa de recursos vultosos dos países ricos para os países em desenvolvimento, já a partir do ano que vem, se concretize”. “Temos o trabalho que já fazemos de preservação ambiental, temos muito para mostrar na parte da agricultura, energia renovável, reciclagem. O Brasil tem feito muito e levará para a COP todo esse acervo de temas ambientais”, prometeu.

Especialistas lembram, por sua vez, que esse discurso de cooperação internacional que o Brasil vai levar para a COP25 difere do que foi dito pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo ministro Ricardo Salles no auge das queimadas na Amazônia, em meados deste ano. Na época, o G7 chegou a oferecer ajuda para o trabalho de combate ao fogo, mas Bolsonaro condicionou essa ajuda a pedidos de desculpa do presidente francês, Emmanuel Macron, e acabou rejeitando o auxílio.

“Há uma contradição total. É um discurso de conveniência. Naquele momento, o discurso de conveniência era atacar o Fundo Amazônia, atacar as organizações da sociedade civil e dizer que não precisávamos de dinheiro para cumprir nossos compromissos. Tanto era um discurso falacioso, de conveniência e oportunista que não deu seis meses para o governo aproveitar a COP para ir lá cobrar essa conta”, criticou o Coordenador do Projeto #RADAR Clima & Sustentabilidade do Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS), André Lima, dizendo que “o governo muda de discurso sem contransgimento nenhum, tanto que demitiu o diretor do Inpe dizendo que ele trabalhava para as ONGs e poucos meses depois dois ministros lançaram dados oficiais corroborando que o presidente do Inpe que foi demitido estava certo”.

Apesar de ser favorável à ideia de que os países desenvolvidos devem ajudar os países tropicais a combater o desmatamento, André Lima ainda disse que “cobrar essa conta” não faz sentido, porque o Brasil não assinou o Acordo de Paris e não se comprometeu a reduzir suas emissões cobrando algo em troca. E, mesmo que tivesse negociado alguma contrapartida, agora não estaria em condições de cobrar esse repasse por conta do avanço do desmatamento, que contribui com o aumento do nível de emissões, acrescenta a diretora da Talanoa, Natalie Unterstell.

“É verdade que o Brasil fez muita redução de emissão e deu uma grande contribuição que poderia ser convertida em recursos para o país. No entanto, existem condições para isso acontecer. Você tem que cumprir metas e condições que o Brasil não vem cumprindo e precisa verificar isso por meio de instituições como o Inpe”, explicou Nathaly, lembrando que os últimos dados do desmatamento indicam que o Brasil não vai cumprir, por exemplo, a meta de reduzir a área desmatada para 3,9 mil quilômetros quadrados por ano em 2020, já que hoje essa taxa é de 9,7 mil quilômetros quadrados.

“Não basta dizer que quer receber. Tem que merecer receber porque é um investimento, é dinheiro de contribuintes de outros países, dinheiro público, que não vai ser aplicado em países que dão sinais de que não vão fazer uma coisa séria”, acrescentou Nathaly, dizendo que, associando o cenário ambiental a esse cenário de investimentos, é possível dizer que “as condicões para os investidores estão ruins no Brasil”. “Ninguém é obrigado a pagar e quem tinha interesse em investir foi afugentado, porque essas condições foram dizimadas neste ano quando o governo duvidou do Inpe, atacou as ONGs e desfez a REED+ (Comissão Nacional para Redução das Emissões de Gases de Efeito Estufa”, afirmou a ambientalista.

“É um discurso oportunista, de conveniência e contraditório com a prática do governo em relação aos compromissos nacionais e internacionais relativos à redução da emissão de CO2 e do desmatamento”, reforçou André Lima. Os dois acreditam, então, que, além de contraditório, esse novo discurso que o governo de Jair Bolsonaro vai adotar na COP25 pode não ser convincente o bastante para atrair novos recursos internacionais para projetos de preservação ambientais. E é por isso que, concomitantemente a isso, os governadores da Amazônia também vão defender a criação ou a retomada de outros mecanismos de financiamento internacional, como o próprio Fundo Amazônia, durante a 25ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas.

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Fonte: Congresso em Foco

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