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Força-tarefa fiscaliza invasão e grilagem em terras indígenas em Rondônia

As recorrentes denúncias de invasões e grilagem, além da extração ilegal de madeira, levaram a formação de uma força-tarefa para fiscalizar as terras indígenas em Rondônia.


As ações aconteceram entre o final de abril e o começo deste mês.


Participaram das operações, servidores da Funai, do Ibama, do Exército, do Batalhão da Polícia Ambiental, além de funcionários da Secretaria Estadual do Desenvolvimento Ambiental.


Um dos focos das atividades foi o norte da Terra Indígena Karipuna. Segundo a Funai, ela ocupa o primeiro lugar entre as mais desmatadas de Rondônia.


No ranking nacional está entre as dez primeiras. Foram cerca de 1.080 hectares de desmatamento, em 2017.


No local, a equipe constatou a venda de terras por parte de grileiros que chegavam a cobrar além do valor do lote, mensalidade para exploração.


No caso de prisão, a pessoa já tinha assegurada a contratação de advogado. O custo também era cobrado previamente.


Uma pessoa foi presa em flagrante, por invasão de terra indígena e posse ilegal de arma. Outro infrator recebeu multa de R$ 20 mil, por danificar 3 hectares de floresta nativa, em área de domínio público.


Ainda em Kapiruna foram aplicadas multas, no total de cerca de R$ 750 mil a algumas madeireiras que praticavam extração ilegal.


A força-tarefa visitou ainda a terra indígena Karitiana. Informações falsas circularam pela internet sobre a existência de diamantes na região e convocavam garimpeiros de todo o país à invadir o local.


Uma operação do ICMBio, o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade, e da Polícia Militar já havia feito varredura na área. Algumas pessoas chegaram a ser presas.


No balanço das operações foram recolhidas toras de madeira que somam R$ 180 mil e aproximadamente R$ 46 mil em madeiras serradas.

Carta aberta à senhora Lily Safra

Prezada senhora, Lily Safra, ajude a Amazônia também. A selva está ardendo em chamas e os índios sendo dizimados. Vimos em nome do Instituto Rondon, com sede em Brasília e atuação em Rondônia, pedir à senhora que nos ajude também a preservar a Amazônia e os nossos indígenas, que estão sendo dizimados pela ganância do homem branco. Sabemos que a senhora fez uma doação generosa para a reconstrução da igreja de Notre Dame. Parabéns pelo gesto, pela grandeza, pelo amor que a senhora tem pela igreja e pela tradição católica.
A Amazônia está sendo devastada, queimada, transformando em cinzas a natureza e os animais. O Mundo está sentindo os efeitos destas ações criminosas do homem civilizado. O clima está mudando e nós em menos de 50 anos poderemos ser extintos também da face da Terra se não tomarmos providências. O Instituto Rondon vai atuar firmemente nas reservas indígenas Uru Eu Wau Wau, além de outras. Precisamos de sua ajuda.

O Instituto Rondon atuará na defesa da Amazônia, dos indígenas e nas demandas sociais como luta contra racismo, preconceitos etc. Educação, saúde e cidadania são os focos do instituto. Projetos como Brasil Sem Fome, Pago para Ler e Brasil 2030 estão disponíveis para execução em breve.

Em Rondônia, expedições à aldeia Uru Eu Wau Wau estão em planejamento com apoio de entidades consolidadas. Uma expedição também está em planejamento rumo às ruinas do Eldorado-Paititi descobertas numa reserva no centro de Rondônia.

Projeto REDD+: obras de melhoria da infraestrutura da Resex Rio Preto-Jacundá serão inauguradas nesta terça-feira

“O projeto mostra que há outras possibilidades, que derrubar a floresta para produzir não é a única saída. É um exemplo histórico e vivo de que isso é possível”

Na próxima terça-feira (14), acontece a inauguração das obras de melhoria e infraestrutura da Associação de Moradores das Reserva Extrativista Rio Preto-Jacundá (Asmorex), localizada nos municípios de Machadinho D’Oeste e Cujubim, por meio do projeto de REDD+ realizado pelo Centro de Estudos Rioterra, em parceria com a Asmorex, Biofílica Investimentos Ambientais e apoio do Governo de Rondônia.

O REDD+ (Redução das emissões por desmatamento e degradação florestal mais conservação, manejo florestal sustentável e manutenção de estoques florestais) Resex Rio Preto-Jacundá é um projeto precursor no país e mostra, de forma efetiva, que manter a floresta em pé é uma alternativa rentável diante do crescente desmatamento na Amazônia.

Através dele, a conservação da floresta em pé é recompensada financeiramente, fomentando importantes discussões sobre modelos econômicos no país e contribuindo para as ações de mitigação da emissão dos gases de efeito estufa por meio do estoque de carbono. “O projeto mostra que há outras possibilidades, que derrubar a floresta para produzir não é a única saída. É um exemplo histórico e vivo de que isso é possível”, salienta Alexis Bastos, coordenador de Projetos do CES Rioterra.

Essa recompensa se dá por meio da transferência de recursos financeiros à países em desenvolvimento que já alcançaram resultados quanto a preservação e mitigação, medidos em toneladas de CO2, devidamente reconhecidos e certificados pelas instituições nacionais e internacionais competentes, como é o caso do projeto REDD+ Resex Rio Preto Jacundá.

Neste processo, o projeto gerou cerca de 1,2 milhões de créditos referentes aos anos de 2013 a 2015. Recurso esse aplicado na execução das ações de Plano de Vida da Comunidade, elaborado a partir das necessidades apontadas pelos moradores da Resex como as obra que serão inauguradas nesta terça-feira: oito casas, auditório, refeitório, escritório, dois banheiros comuns e, ainda, a instalação de uma antena para comunicação e internet.

A realização do diagnóstico para o desenvolvimento de cadeias produtivas, suporte técnico para aprimoramento de práticas agrícolas na comunidade, fortalecimento da vigilância patrimonial em parceria com a Sedam também estão previstas no projeto.

Histórico do projeto

O projeto foi implantado em 2012. No ano seguinte, foram realizados os primeiros estudos para a elaboração e desenvolvimento do Projeto REDD+ na Resex; diagnóstico de fauna e flora; diagnóstico socioeconômico; levantamento de estoque de carbono; e modelagem de desmatamento no futuro (potencial de geração de créditos).

Em 2014 foram realizados as oficinas comunitárias, onde foram discutidas as primeiras ações para elaboração do Zoneamento e Plano de Uso da Resex; criação participativa do Plano de Vida Comunitário; e a construção coletiva do “Mecanismo de Repartição de Benefícios e Resolução de Conflitos.

Em 2015 a comunidade recebeu a equipe de auditoria do Imaflora para certificação (Validação) do projeto. Após todo o processo, o projeto recebeu os selos internacionais mais reconhecidos para projetos de REDD+ no mundo, o VCS e CCBS.

Agrotóxicos: Brasil é líder mundial em consumo de veneno

(Brasil de Fato)-Você sabia que nenhum outro país no mundo consome tanto veneno quanto o Brasil? 🥗💦 Os agrotóxicos estão na comida e na água e já causam diversas doenças, mas novas substâncias continuam sendo liberadas, em velocidade cada vez maior. Essa política nacional que favorece o agronegócio está caminhando na contramão de nações desenvolvidas. A proposta do governo, que tem como ministra da Agricultura Tereza Cristina, integrante da bancada ruralista e conhecida popularmente como “musa do veneno”, é facilitar ainda mais o uso de tóxicos, tanto na água quanto na comida. Entenda qual é este modelo de agricultura e os efeitos nocivos para a saúde da população brasileira! ☠️

Ruralistas aprovam novas anistias ao Código Florestal

Medida concede novas anistias a multas ambientais e beneficia desmatadores ilegais

Nesta quarta-feira, 8, membros da Comissão Mista de deputados e senadores aprovaram o novo texto da Medida Provisória 867/18 sobre o Programa de Regularização Ambiental (PRA), que, na prática, gera ainda mais anistias a multas ambientais e benefícios aos desmatadores ilegais. Com a inclusão de emendas que não tinham relação direta com o tema da MP, propostas pelo deputado Sérgio Souza MDB/PR, membro da bancada ruralista, o novo texto altera profundamente o Código Florestal.

“O atual texto altera pontos essenciais do Código Florestal, distribui anistias e enfraquece a proteção das nossas florestas. Um absurdo, que poderá estimular ainda mais o desmatamento e prejudicar a economia e a imagem do país. O Código Florestal vem sendo atacado por projetos no Senado e agora por este texto na Câmara. Patrocinadas pela bancada ruralista, as propostas seguem o mesmo caminho da agenda antiambiental do governo Bolsonaro. Lucram apenas os criminosos ambientais, com prejuízo para todo o país”, considera Marcio Astrini, coordenador de Políticas Públicas do Greenpeace Brasil.

O novo texto da MP segue agora para o Plenário da Câmara e, em seguida, para o Plenário do Senado. Após apreciação pelo Congresso, o texto irá para sanção/veto presidencial.

Assessoria de Imprensa-Green Peace

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Rondônia bate recorde em desmatamento

No ranking das dez Unidades de Conservação que mais sofreram com a perda de suas florestas, seis estão localizadas em Rondônia.

Portal Amazônia, com informações da Radioagência Nacional

jornalismo@portalamazonia.com

Atualizado em 07.05.2019 08:32


desmatamento na Amazônia Legal caiu 77% em março de 2019 em comparação com o mesmo mês do ano anterior. Os dados significam uma diferença de 221 quilômetros quadrados de florestas que deixaram de ser destruídas na comparação entre março de 2018 e março deste ano.

O pesquisador associado do Imazon, Carlos Souza atribui a redução a questão climática. Segundo ele, as fortes chuvas podem ter contribuído para a queda no desmatamento.

Mas os dados do Instituto de Pesquisas Imazon, que monitora a Amazônia, também apontam aumento de 24% do desmatamento nos oito primeiros meses do atual calendário do desmatamento, no período que compreende agosto do ano anterior até março deste ano.  

Foto:Divulgação/Ibama

Carlos Souza coordena e monitora a Amazônia, e afirma que a redução do desmatamento em março é uma boa notícia. Porém, alerta que é importante observar a série histórica – que há sete anos vem apresentando piora nos índices de preservação da floresta.

Para o pesquisador do Imazon, é preciso intensificar a fiscalização e as operações de combate a esse tipo de crime ambiental, para frear o desmatamento. 

Proporcionalmente, Mato Grosso é que mais desmata, mas o estado seguiu a tendência de março e reduziu em 78% o desmatamento.

A Secretaria de Meio Ambiente do Estado afirma que utiliza a tecnologia para monitoramento em tempo real e autuação remota, o que possibilitou, nos quatro primeiros meses deste ano, a aplicação de cerca de R$ 110 milhões em multas e 32 mil hectares embargados por desmatamento ilegal.

O Sistema de Alerta do Desmatamento da organização revela ainda que a maioria, cerca de 58% do desmatamento ocorreu em áreas privadas. Terras Indígenas ainda são as que mais protegem e registaram o menor desmatamento, cerca de 2%.

No ranking das dez Unidades de Conservação que mais sofreram com a perda de suas florestas, seis estão localizadas em Rondônia.

O ministério do Meio Ambiente não se pronunciou sobre os dados até o fechamento desta reportagem. 

Educar para transformar: quem é o líder do futuro?


Por Norman Arruda Filho (*)

“Não existe vento favorável para o marinheiro que não sabe aonde ir”. A
famosa frase do filósofo Sêneca – um dos mais célebres advogados, escritores e intelectuais do Império Romano – se encaixa perfeitamente nas discussões sobre educação executiva responsável, uma vez que, encontrar seu valor vai muito além da simples propagação de princípios. As instituições focadas em formação de líderes responsáveis precisam despertar uma visão global das mudanças que são necessárias para impactar de forma positiva a sociedade.

O diretor do Escritório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) em
Nova York, Vinícius Pinheiro elenca os principais desafios relacionados à
três áreas-chaves:

Economia digital: os avanços em tecnologia, robótica e automação podem
contribuir positivamente para melhorar as condições de vida das pessoas. Por outro lado, podem ampliar as desigualdades sociais.

Mudanças climáticas e transição para a economia verde: representam uma
mudança nos processos produtivos e uma releitura do uso dos recursos
naturais disponíveis no planeta. Além disso, tem o potencial de geral 18
milhões de empregos no mundo, impactando os outros pilares do tripé da
sustentabilidade: o social e o econômico.

Transição demográfica: considera a realidade inegável e já bastante
discutida de que a população mundial em idade para trabalhar irá diminuir
progressivamente. Com exceção da África que terá um incremento de 12% de pessoas nesse grupo, há uma previsão de redução de 14% para a Europa. É um cenário que precisa ser pensado e planejado.

Entre as inovações disruptivas há o receio de que as pessoas sejam
dispensáveis perante a supremacia das máquinas. A alta tecnologia domina
todos os setores produtivos: na indústria, no mercado, na saúde, nas
linguagens, nas nossas escolas, na nossa casa. As novas formas de consumo
questionam nossas referências, nosso próprio modelo de vida e são
acompanhadas de um constante medo do desconhecido, como profissões que sequer existem ainda. E para atender a tudo isso, não podemos mais ficar sentados atrás de grandes mesas ou a frente de quadros negros das escolas sem olhar para o que está acontecendo no mundo ao redor.

A sala de aula como costumava ser tinha o professor como detentor do
conhecimento. Hoje, um aluno com um celular na mão tem acesso a muito mais informações do que o professor é capaz de memorizar. A sala de aula deve fazer parte dessa transformação e se tornar um espaço para compartilhamento, no qual cada um dos envolvidos tem um potencial valioso que não pode ser limitado a formalidades, mas deve ser medido por sua capacidade de participação, articulação e contribuição para o aprendizado em comunidade.

Paulo Freire foi um grande educador, pedagogo e filósofo brasileiro que há
décadas defende a necessidade de mudança no papel da educação. Como grande defensor do aluno protagonista do conhecimento, em suas colocações afirma que “Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou sua construção”.

Há vinte anos, o ISAE Escola de Negócios defende essa abordagem, acreditando no potencial de transformação da educação. Ao adotarmos um modelo educacional que associa teoria e a prática, valorizamos a experienciação, a avaliação por meio de resultados aplicáveis e o grau de comprometimento do aluno. Somos defensores do ensino transversal, do aluno como protagonista de seu próprio aprendizado e vemos o professor como facilitador desse processo e instigador da busca por mais conhecimento.

Nosso maior objetivo é honrar nosso compromisso de estar aqui para
contribuir com a sociedade por acreditarmos na educação executiva
responsável como grande fator de transformação social. No entanto, a
transformação depende das pessoas. Se as pessoas não se mobilizarem, a
educação sozinha não terá poder algum. Por isso, mais do que estar
consciente das mudanças do mundo do futuro é preciso encará-las como
oportunidades e instigar em nossos alunos a curiosidade, sendo provocador e despertando o interesse pelo aprendizado e a sede por conhecimento. Somente assim, quando conseguimos inspirar o outro, deixamos de ser espectadores passivos e nos tornamos verdadeiros agentes da mudança.

(*)Norman de Paula Arruda Filho é Presidente do ISAE Escola de Negócios,
conveniado à Fundação Getulio Vargas, professor do Mestrado em Governança e
Sustentabilidade do ISAE/FGV, e Coordenador do Comitê de Sustentabilidade
Empresarial da Associação Comercial do Paraná (ACP).

Obscurantismo no Ministério do Meio Ambiente ameaça o ICMBio e a biodiversidade brasileira

Por Bráulio Dias (*)

Declarações e atos recentes do ministro Ricardo Salles sugerem que este governo está prestes a destruir a capacidade institucional da União para a proteção da biodiversidade brasileira, em especial do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Veja a bem fundamentada Carta Aberta da Associação Nacional de Servidores da Carreira de Meio Ambiente (ASCEMA Nacional) à Sociedade:

A Destruição da Gestão Ambiental Federal e os Ataques aos Servidores, disponível na internet


Com que propósito, pergunto? Em benefício de quem? Quem conhece minimamente o tema sabe que o Brasil é o detentor do maior patrimônio de biodiversidade no mundo. Sabe que a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos associados sustentam mais da metade do PIB nacional nos setores da agricultura, floresta, pesca e aquicultura, saúde, oferta de água e ar puro, fertilidade dos solos, segurança alimentar, capacidade de mitigar e adaptar às mudanças climáticas, desenvolvimento de novas vacinas e remédios e o grande potencial de desenvolvimento da biotecnologia.
Não faz sentido, portanto, destruir nossa capacidade institucional de cuidar da biodiversidade, desenvolvida com tanto custo ao longo dos últimos 50 anos! Os motivos parecem ser de caráter ideológico, no qual prevalece uma visão distorcida de que a agenda de conservação da biodiversidade estaria nas mãos de ambientalistas radicais e incompetentes – se assim fosse, todos os significativos avanços alcançados pelo ICMBio descritos na Carta Aberta da ASCEMA não teriam acontecido – e que prejudicaria os interesses econômicos nacionais (o que não é verdade) ao criar obstáculos ao pleno exercício do direito da propriedade privada e ao direito dos proprietários e empresas fazerem uso pleno de todos os recursos naturais e terras do país para a produção agropecuária, mineral e energética e para a expansão urbana e da infraestrutura.
A exploração descontrolada e insustentável de nossos recursos naturais faz parte de nossa história e levou à destruição de 97% da Floresta com Araucárias, ao colapso dos estoques da sardinha brasileira na costa Sul-Sudeste em mais de 75%, à destruição total dos solos do Vale do Paraíba do Sul pela cultura do café sem curva de nível etc. Naturalistas brasileiros já denunciavam a destruição dos recursos naturais no período colonial e durante o império (José Augusto Pádua, 2002, Um Sopro de Destruição). Euclides da Cunha escreveu uma crônica denunciando os “fazedores de deserto” (Contrastes e Confrontos, 1907) e Monteiro Lobato escreveu crônicas denunciando a “velha praga” e o “grilo” (Urupês, 1918, e A Onda Verde, 1921).
Mas, a Constituição Federal de 1934 condicionou o exercício do direito de propriedade privada aos interesses coletivos nacionais. Essa determinação foi confirmada pela Constituição Federal de 1988, que condicionou o uso das propriedades privadas ao cumprimento da função social da propriedade definido no artigo 186, que inclui a obrigação de proteção ao meio ambiente e do uso dos recursos naturais de forma racional – para que não venham a faltar.
Depois de muita devastação, a atenção para o meio ambiente começou a mudar em 1973 com a criação da Secretaria Especial do Meio Ambiente (SEMA), dirigida por Paulo Nogueira Neto, em resposta aos princípios adotados na Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente Humano realizada em Estocolmo, em 1972. Os principais legados de Nogueira Neto foram a adoção da Lei da Política Nacional do Meio Ambiente, em 1981, e sua participação na Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (conhecida como Comissão Brundtland), que consolidou as bases conceituais do desenvolvimento sustentável (ONU, Nosso Futuro Comum, 1988) e foram fundamentais para o sucesso da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio 92) e da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável em 2012 (Rio+20), base para a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e seus 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável adotados pela Assembleia Geral da ONU em 2015.
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade foi criado especificamente para implementar obrigações estabelecidas pela Constituição Federal para a proteção da biodiversidade. O ICMBio é um órgão de gestão ecológica de ecossistemas e da biodiversidade. Não é uma repartição de polícia. Não cabe, portanto, militarizar a chefia da gestão da biodiversidade brasileira, seja na presidência e diretorias do ICMBio, seja na coordenação da Secretaria de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente. Os militares e policiais são treinados para proteger o país de perigos externos e para manter a ordem pública. Não são treinados para a gestão ambiental.
Também não cabe a privatização da gestão das unidades de conservação. Essa é uma função de Estado prevista na Constituição Federal. Cabe, sim, parcerias e concessões para exploração de alguns serviços como o turismo. Se há falta de recursos públicos para cumprir as funções de Estado como a proteção ambiental, cabe ao governo privatizar empresas estatais, reduzir os subsídios e as isenções fiscais às empresas e acabar com a sangria dos desvios de recursos públicos pela corrupção. Em todos os países, inclusive nas ditaduras, a gestão da biodiversidade é exercida por profissionais da área ambiental e não por amadores e interventores.
Penso que já está na hora de o Ministério Público Federal intervir em defesa do cumprimento da Constituição Federal e dos interesses públicos difusos. A Constituição Federal assegura a todos o direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado e incumbe o poder público de preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas e proteger a fauna e a flora. São vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies e a definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei. É vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção. No âmbito da União, esse é o mandato do ICMBio!
Cabe registrar que, desde a década de 1970, graças aos contínuos investimentos em ciência e tecnologia e ao aprimoramento da legislação ambiental, a agropecuária brasileira tem tido grandes avanços de produtividade e sustentabilidade, comprovando que a proteção do meio ambiente e a produção de alimentos e fibras são perfeitamente compatíveis. O Brasil pode sim ser ao mesmo tempo campeão mundial de proteção da biodiversidade e de produção e exportação de alimentos!
Seria um grande contrassenso se este governo desmontar a estrutura legal e institucional de proteção da biodiversidade brasileira, justamente no país mais rico em biodiversidade e que liderou a construção da agenda global de desenvolvimento sustentável, o que traria grandes prejuízos ao meio ambiente, à sociedade e à economia brasileira e abalaria a imagem do Brasil no exterior. Isso certamente traria barreiras às exportações de produtos brasileiros. Apenas por retaliação de pessoas (“fazedores de desertos” e “grileiros”) que ainda não perceberam que o mundo caminha na direção do desenvolvimento sustentável.
Presidente Bolsonaro, peço sua atenção para os rumos do Ministério do Meio Ambiente em descompasso com sua visão de reconhecer, em seus discursos no exterior, a biodiversidade e as florestas brasileiras como um grande Capital Natural nacional, com grande potencial de contribuir para o desenvolvimento nacional e para o bem-estar da população brasileira. Presidente, o senhor precisa decidir se quer apoiar a banda progressista, competitiva e sustentável do agronegócio nacional ou sua banda podre atrasada, destruidora do meio ambiente e grileira de terras públicas.

(*)Braulio Dias é professor do Departamento de Ecologia da Universidade de Brasília, ex-Secretário Executivo da Convenção da ONU sobre Diversidade Biológica e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza.

                                

                                                                                 

Professora denuncia invasão em massa nas terras indígenas dos Uru-Eu-Wau-Wau em Rondônia

Brasília-O site de notícias Rondônia Dinâmica obteve um áudio onde determinada professora indígena pede socorro às autoridades e atores dos movimentos sociais a fim de frear invasão em massa ocorrida em terras dos Uru-Eu-Wau-Wau.

A tomada ilegal começou próxima à aldeia Jamari, no município de Jorge Teixeira.

“Eles estão ameaçando a vida dos indígenas e desmatando tudo”, alertou à redação fonte ligada à autora do áudio.

OUÇA

Além disso, ainda de acordo com a fonte embasada em outros depoimentos apresentados pela população étnica regional, a intenção dos invasores é expandir a tomada de terras indígenas a um perímetro que abrange cerca de 13 municípios rondonienses.

“Pelo amor de Deus, entra em contato porque o negócio está ficando feio. […] Está todo mundo preocupado”, disse a professora na conclusão do áudio.

Autor / Fonte: Rondoniadinamica

Mudança de data: Projeto de Carbono Resex Rio Preto-Jacundá – REDD+

“O projeto mostra que há outras possibilidades, que derrubar a floresta para produzir não é a única saída. É um exemplo histórico e vivo de que isso é possível”

Foi transferida para o dia 14 de maio, próxima terça-feira, a inauguração das obras de melhoria e infraestrutura da Associação de Moradores das Reserva Extrativista Rio Preto-Jacundá e Ribeirinhos do Rio Machado/ASMOREX, localizada nos municípios de Machadinho D’Oeste e Cujubim, realizadas por meio do projeto de REDD+ desenvolvido pelo Centro de Estudos Rioterra, em parceria com a Asmorex, Biofílica Investimentos Ambientais e apoio do Governo de Rondônia.

O REDD+ (Redução das emissões por desmatamento e degradação florestal mais conservação, manejo florestal sustentável e manutenção de estoques florestais) Resex Rio Preto-Jacundá é um projeto precursor no país e mostra, de forma efetiva, que manter a floresta em pé é uma alternativa rentável diante do crescente desmatamento na Amazônia. 

Através dele, a conservação da floresta em pé é recompensada financeiramente, fomentando importantes discussões sobre modelos econômicos no país e contribuindo para as ações de mitigação da emissão dos gases de efeito estufa por meio do estoque de carbono. “O projeto mostra que há outras possibilidades, que derrubar a floresta para produzir não é a única saída. É um exemplo histórico e vivo de que isso é possível”, salienta Alexis Bastos, coordenador de Projetos do CES Rioterra.

Essa recompensa se dá por meio da transferência de recursos financeiros à países em desenvolvimento que já alcançaram resultados quanto a preservação e mitigação, medidos em toneladas de CO2, devidamente reconhecidos e certificados pelas instituições nacionais e internacionais competentes, como é o caso do projeto REDD+ Resex Rio Preto Jacundá.

Neste processo, o projeto gerou cerca de 1,2 milhões de créditos referentes aos anos de 2013 a 2015. Recurso esse aplicado na execução das ações de Plano de Vida da Comunidade, elaborado a partir das necessidades apontadas pelos moradores da Resex como:
– Construção de um centro comunitário (auditório, sala de internet e refeitório);
– Investimento em comunicação para a comunidade (torres de internet e rádio amador);
– Instalação de estrutura para energia elétrica e energia solar;
– Construção de 8 novas casas para comunitários;
– Realização do diagnóstico para o desenvolvimento de cadeias produtivas;
– Suporte técnico para aprimoramento de práticas agrícolas na comunidade;
– Fortalecimento da vigilância patrimonial em parceria com a SEDAM;

Histórico do projeto

Entre suas principais ações, estão a implementação de diagnósticos atualizados sobre situação socioeconômica, fundiária, ambiental e biótica da unidade; organização social das instituições que representam seus moradores; fomento às atividades de geração de renda alternativa; e apoio técnico ao monitoramento da paisagem na unidade e seu entorno.

O projeto foi implantado em 2012. No ano seguinte, foram realizados os primeiros estudos para a elaboração e desenvolvimento do Projeto REDD+ na Resex; diagnóstico de fauna e flora; diagnóstico socioeconômico; levantamento de estoque de carbono; e modelagem de desmatamento no futuro (potencial de geração de créditos).

Em 2014 foram realizados as oficinas comunitárias, onde foram discutidas as primeiras ações para elaboração do Zoneamento e Plano de Uso da Resex; criação participativa do Plano de Vida Comunitário; e a construção coletiva do “Mecanismo de Repartição de Benefícios e Resolução de Conflitos.

Em 2015 a comunidade recebeu a equipe de auditoria do Imaflora para certificação (Validação) do projeto. Após todo o processo, o projeto recebeu os selos internacionais mais reconhecidos para projetos de REDD+ no mundo, o VCS e CCBS.

Serviço: Inauguração de obras de infraestrutura da Asmorex
Local: Asmorex/ Reserva Extrativista Rio Preto-Jacundá
Data/hora: 14/05 – 8h30
Contato: Vanessa Fernandes – 69 98419-8410

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