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Urgente! Tribo indígena Lage (Guajará-Mirim) sendo atacada neste momento por garimpeiros grileiros

GUAJARA-MIRIM (RO)- “Parentes estamos precisando de ajuda. Nossa terra está sendo invadida. Os invasores estão na cabeceira do rio Lage se aproximando da linha 26. Estamos preocupados a cada dia estão se aproximando da nossa aldeia. Por isso estamos pedindo apoio de todos. Já avisamos a FUNAI, infelizmente até o momento a mesma não se manifestou”…

Esse apelo foi feito por um indígena através do Instagram (veja no link  AQUI)

Mapa de Igarapé Lage, RO

Um grito de alerta que vem da Terra Indígena Laje no município de Guajará Mirim em Rondônia. Nós do Instituto Rondon e COMVIDA pedimos providências urgentes em favor dos parentes que estão lutando pra manter a floresta em pé para dela tirar seus alimentos… invasores comprometem a segurança física e alimentar dos guardiões e guardiãs da Mãe Terra… urge tomada de ação pelos órgãos responsáveis constitucionalmente pela proteção dos direitos coletivos frente as ameaças a esse direito…
Escutem o grito que vem dos filhos e filhas da terra…

 

Produção agrícola global não dá conta de meta de segurança alimentar da ONU

FOTO: Nova Ubiratã (MT) destina sua produção agrícola de consumo direto para exportação e para alimentação animal; na imagem de satélite, plantações de soja e pivôs centrais de irrigação (Imagem: IPAM)

Lavoura destinada à alimentação direta perde espaço para processados e commodities, acendendo alerta da desnutrição até 2030 em vários países; estudo aponta que, em vez de abrir mais áreas, é preciso investir em políticas públicas e em produtividade

Em trabalho de cooperação internacional, a pesquisadora no IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) Andrea Garcia integra um grupo de cientistas que mapeou os 10 principais produtos agrícolas do mundo e sua destinação. A descoberta acende um sinal de alerta para a desnutrição em vários países, mostrando que plantações com uso direto de alimento são insuficientes para cumprir com o segundo Objetivo de Desenvolvimento Sustentável da ONU (Organização das Nações Unidas). A meta diz respeito à segurança alimentar para todas as pessoas até 2030.

 

O estudo foi publicado nesta quinta, 12, pela revista científica Nature Food, em um contexto de acirramento de disputas pelo uso da terra e pelo uso de culturas no Brasil e no mundo. Entre os autores, além da brasileira, estão pesquisadores da Universidade de Minnesota, da Universidade de Delaware e do World Resources Institute, nos Estados Unidos, da Universidade Agrícola de Jiangxi e da Universidade de Pequim, na China.

Cevada, mandioca, milho, óleo de palma, canola, arroz, sorgo, soja, cana-de-açúcar e trigo são as dez principais culturas globais e representam atualmente mais de 80% de todas as calorias das culturas em colheita. Ocorre que nem todas essas calorias e nutrientes colhidos são usados para consumo direto de alimentos por pessoas.

Desde a década de 1960, mostram os mapas da pesquisa, a fração de culturas colhidas para consumo direto de alimentos diminuiu, enquanto a colheita para processamento (ração animal, xarope de milho rico em frutose, óleos hidrogenados), exportação e uso industrial (etanol, bioplásticos, produtos farmacêuticos) aumentou globalmente. Se a tendência continuar até 2030, apenas 26% das calorias globais colhidas poderão ser para consumo direto de alimentos.

 

A produção agrícola brasileira voltada à alimentação direta nos anos 60 ocorreu com maior proporção de terras destinadas a esse uso no interior do país – padrão que foi alterado no Brasil na década de 2010, para maior destinação de áreas agrícolas à indústria. Inversão que reflete a onda de commodities, apontam os autores, acompanhando um tipo de produção que antes só aparecia na costa do país. No Centro-Oeste, a lavoura que viraria comida passou a se voltar ao processamento e à exportação. Nas regiões Nordeste e Sudeste, a cultura se direcionou também ao processamento e à alimentação animal.

Em Mato Grosso, a cidade de Nova Ubiratã está em uma das regiões com significativa destinação da produção agrícola de consumo direto para exportação e para alimentação animal. Enquanto a produção de mandioca, item que tem no município 35% da produção destinada à alimentação direta, foi de 1.748 toneladas, a produção de soja, com 1% destinada à alimentação direta, foi de quase 1,5 milhões de toneladas em 2020.

 

“Nossa mensagem principal é que a expansão agrícola não é a solução para a segurança alimentar mundial. São necessárias políticas muito bem construídas para a intensificação da produção de alimentos e a destinação do que é produzido na agricultura, de forma a garantir a segurança alimentar das pessoas que vivem em todos os países”, diz Garcia.

 

O aumento da riqueza e a crescente demanda da classe média por alimentos processados, carne, laticínios e outras commodities estão criando uma pressão crescente para que produtores agrícolas se especializem em culturas de alto rendimento, cultivadas para outros usos que não o consumo direto de alimentos. Na medida em que o setor responde às expectativas de consumo, indica o estudo, populações sob insegurança alimentar seguem sendo negligenciadas – especialmente em áreas nas quais a pobreza também se faz presente na vida dessas pessoas, como regiões de África, América Central e Ásia.

 

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Cultura de soja em Nova Ubiratã (Foto: Andrea Garcia/IPAM)

 

A pesquisa estima que pelo menos 31 países provavelmente deixarão de atender às suas necessidades alimentares até 2030, mesmo que todas as calorias colhidas no país sejam destinadas para o consumo direto de alimentos. Entre eles estão África do Sul, Arábia Saudita, Haiti, Iraque e Taiwan. Outros 17 países não serão capazes de atender às demandas alimentares de seu crescimento populacional esperado no mesmo período, o que poderá piorar a insegurança alimentar em suas populações – como Chile, Espanha, Moçambique, Nova Zelândia e Portugal. O Brasil está fora das duas projeções, mantendo-se autossuficiente na produção de alimentos.

 

“Os mapas podem ser usados ​​para primeiro entender por que fazemos colheitas em todo o mundo e ver como isso mudou e está mudando ainda mais”, comenta o pesquisador sênior na Universidade de Minnesota Deepak Ray, primeiro autor do artigo. “Com essas informações, podemos começar a criar políticas sólidas que atendam às necessidades de segurança alimentar em nível global e local, embora não seja fácil. Mas pelo menos agora temos um ponto de partida para ver a agricultura como ela realmente é”.

Pensar em soluções para a insegurança alimentar global pode envolver a proposta do uso de mais terra para a produção agrícola de alimentos, o que levaria a mais perdas de paisagens naturais e de seus serviços ecológicos e de sustentabilidade, trazendo para a pauta uma outra questão: a da produtividade das culturas.

 

“A área destinada para produção de comida segue mais alta que outros usos, mas, ao mesmo tempo, é uma tendência de declínio, enquanto outros usos têm tendência de expansão. É interessante olhar a produtividade, ou seja, o quanto se produz por hectare. Isso está relacionado às políticas públicas e ao setor privado. Os usos que não são diretamente para comida têm maior ampliação da produtividade, com indicativo de aumentar ainda mais, o que nos mostra quais são os modelos de produção prioritários aos investimentos hoje”, explica Garcia.

Mesmo que lavouras com uso para alimentação animal possam ter parte das calorias direcionadas à alimentação humana, há uma perda energética de 2,5 a 25 vezes nesse processo, se comparado à destinação direta da produção à alimentação humana. “Muitas dessas calorias destinadas à alimentação animal são transformadas e redestinadas como produtos alimentícios, porém, acompanhados de uma grande perda energética. Assim, não consideramos no estudo como uma destinação direta de alimento”. Garcia reforça a necessidade de revisão de políticas internas, tanto de destinação de produtos agrícolas, como de financiamento de pesquisas em produtividade agrícola de países produtores.

O estudo destaca países conforme o que é produzido em seus territórios e desconsidera dinâmicas de importação e exportação. “Países que são grandes produtores, como no caso do Brasil, têm uma taxa de importação que é relativamente baixa para apresentar algum impacto significativo nesses cálculos”, diz a pesquisadora. Contextos de guerra, como o vivenciado atualmente, alteram a produção e o comércio agrícola, colocando em posição sensível países que dependem mais de importações.

Diretor executivo no IPAM, André Guimarães projeta o potencial do Brasil no cenário global. “Com a Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária], universidades de Agronomia e outros centros de pesquisa, passamos de um país importador para sermos um dos maiores produtores e exportadores de commodities agrícolas do mundo, em 50 anos. Deveríamos estar usando essa capacidade científica para ampliar nossa produção de alimentos e posicionar o Brasil como parte da solução desse desafio futuro”.

Fonte: IPAM

Cientista político de Rondônia diz que a extrema-direita da Amazônia não defende o meio ambiente

Foto:Cientista político, João Paulo Saraiva Leão Viana avalia que nenhum governo, desde os militares, fez tanto mal à Amazônia como o Bolsonaro (Foto: Phil Limma/Free lancer)

Doutor em Ciência Política, João Paulo Saraiva Leão Viana, afirma que, na maioria dos estados da Amazônia, políticos de extrema-direita estão ligados ao agronegócio com total desapego às questões ambientais

Em entrevista para A CRÍTICA, o professor da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) e doutor em Ciência política (Unicamp), João Paulo Saraiva Leão Viana, afirmou que nenhum governo fez tão mal à Amazônia quanto a atual gestão federal. Ele é o autor da pesquisa “Da eleição de 2018 ao comando do governo: algumas considerações sobre a extrema direita na Amazônia Ocidental do Brasil”, focado principalmente em Rondônia, considerado por ele um grande centro do extremismo de direta na Amazônia.

Leão Viana apresentou sua pesquisa em uma mostra de teses na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) na semana passada. Na ocasião, defendeu a ideia de que a extrema direita na Amazônia está ligada ao avanço do agronegócio por uma identificação econômica. Além disso, que os políticos dessa ideologia carregam uma visão “arcaica” de desenvolvimento, sem levar em consideração a preservação ambiental.

Ele liga ainda a influência da extrema direita na região amazônica ao presidente Jair Bolsonaro (PL), quem o pesquisador considera uma força que une políticos de ideias semelhantes no que chama de “bolsonarismo”. Nas eleições de 2018, dos nove estados da Amazônia Legal, seis deram a vitória ao atual Presidente. No Amazonas, o percentual foi de 50,28% de votos para Bolsonaro, puxado principalmente pela capital, Manaus (65,72%). Abaixo, a entrevista completa.

Peço que comece com uma introdução sobre a sua pesquisa.

Sou professor da Universidade Federal de Rondônia, doutor em Ciência Política pela Unicamp e estive como pesquisador visitante da Universidade de Pittsburgh [Estados Unidos], onde iniciei essa pesquisa sobre o processo de chegada ao poder da extrema direita na eleição de 2018 no estado de Rondônia. Importante frisar também, sou pesquisador do Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal (Legal). Somos um laboratório com cerca de 40 pesquisadores de 11 universidades da Amazônia Legal e essa pesquisa que desenvolvo agora faz parte também do grupo.

Como o senhor caracteriza um político de extrema-direita?

A gente pode classificar um político de extrema direita, hoje, no Brasil, tanto do ponto de vista da questão dos costumes e dos valores, muitas vezes identificado com o conservadorismo e muito ligado à questão da religião também e completamente alheio a temas e questões na pauta das minorias, por exemplo, como a defesa de comunidades tradicionais, de políticas de ações afirmativas, a defesa de união civil homoafetiva ou o aborto, ou a favor do porte de armas. Do ponto de vista econômico, se identifica com um liberalismo de estado mínimo, muitas vezes contra políticas sociais ou contra a intervenção do estado na economia.

E como é esse político de extrema-direita nos estados da Amazônia?

É uma caracterização que se leva por uma visão antiga de desenvolvimento que na imensa maioria dos estados amazônicos está intimamente ligada ao agronegócio. Então, é a expansão do agronegócio, da fronteira agrícola na região amazônica. É um total desapego a políticas ambientais, uma visão retrógrada e arcaica em desenvolvimento que existia há 40, 50 anos e não se aplica mais hoje. É uma ideia de que a floresta não importa, que as matas são uma barreira ao progresso, que o primeiro lugar é a produção e o desenvolvimento econômico. Isso se choca com questões relativas ao meio ambiente, clima, a defesa de comunidades originárias, territórios indígenas, ribeirinhos, quilombolas. Nesse contexto todo, como eu disse, o agronegócio tem sido um ator de grande relevância para a extrema-direita na Amazônia Legal.

Seu estudo é mais focado em Rondônia, mas que semelhanças da extrema-direita nesse estado também podem ser observadas em outras unidades federativas da Amazônia Legal?

Quando falamos em Amazônia, é importante frisar que existem várias. Ou seja, a realidade da Amazônia rondoniense é diferente do cenário amazônico no Maranhão ou até mesmo no Acre, que é nosso vizinho. No Acre, houve um processo inverso. Durante muitos anos ele preservou a floresta e na última eleição o Acre, ao lado de Rondônia e Roraima, deu a Bolsonaro o segundo maior eleitorado nacional, apenas atrás do Estado de Santa Catarina. Todos esses três estados estavam ali pertinho um do outro na eleição. O que percebemos é que nesses três estados há uma força muito grande do agronegócio, uma ameaça muito forte à questão ambiental. Rondônia é um Estado conservador e denomino isso como combinação explosiva do conservadorismo rondoniense, que é aquela questão da área de fronteira [agrícola] e também da própria formação constitutiva do estado através de ditaduras. A primeira em 1943, na era Vargas, e a segunda em 1982, no final da Ditadura Militar, com a criação de Rondônia. Além disso, o Estado tem o segundo maior eleitorado evangélico do país. Aí você pega o Pará, por exemplo, onde já há uma política [mais consolidada], um reflexo maior do quadro nacional, onde há uma esquerda mais competitiva, onde o bolsonarismo é forte, mas não tanto quanto nesses outros estados. De forma geral, olhando para todos os estados, o que vemos é que nenhum governo desde os militares fez tanto mal à Amazônia como o Bolsonaro.

Nas eleições presidenciais de 2018 quem venceu no Pará foi o Fernando Haddad, então candidato do PT. Além disso, a capital Belém tem um prefeito do PSol, o Edimilson Rodrigues. O que torna a esquerda mais forte por lá?

É importante frisar que Rondônia, Tocantins e Roraima são estados muito novos. No Pará você já tem uma estrutura de governo, uma tradição de governos, uma esquerda que teve momentos de forte influência na política paraense. A Ana Julia, por exemplo, foi governadora, era filiada ao PT. Temos, então, uma trajetória de uma esquerda no Pará que difere de outros estados. O Pará está com o Amazonas como um dos estados mais consolidados da região Norte. Principalmente no caso do Pará, há uma tendência de uma influência maior de um quadro nacional, ou seja, de uma competição maior em relação a blocos ideológicos, esquerda e direita. O que você não vê nesses outros estados mais jovens, que se constituíram mais recentemente.

No Amazonas, estamos no meio de uma crise gerada pela redução do IPI via decreto federal, o que prejudica a Zona Franca de Manaus. Nessa guerra vemos muitos políticos ligados ao bolsonarismo que negam a existência de um prejuízo às empresas do Polo Industrial por conta da medida. Esse negacionismo é também uma característica de extrema-direita?

O negacionismo certamente é uma característica da extrema-direita. Eu não acompanhei o processo [da redução do IPI] diretamente porque estava em viagem aos Estados Unidos [para essa pesquisa]. Mas o que vemos também é que você já pode definir ou diferenciar quem são os políticos de direita e de centro-direita [dos extremistas]. São aqueles que mesmo assim se colocam a favor da Zona Franca, diferente daqueles que são de fato o núcleo duro do bolsonarismo no Amazonas. É aquele político que nesse momento [de crise] continua ao lado de Jair Bolsonaro, inclusive, indo ao encontro dele e contra os interesses do Estado. Por outro lado, você tem políticos conservadores que apoiaram o Bolsonaro em 2018 e agora se colocam em oposição a ele em relação a esse tema.

O prefeito de Manaus, David Almeida, é um exemplo. Ele se considera conservador, mas tem feito críticas à gestão federal no caso do IPI.

Exato, você me confirma essa premissa. Tem políticos conservadores de direita ou centro-direita, mas que não são do núcleo duro do bolsonarismo, então eles têm uma certa independência, inclusive um rompimento com o Bolsonaro. Posso até dizer que talvez, hoje, Bolsonaro não seja o mais votado no Amazonas. Não há uma certeza em relação a isso, mas principalmente se levando em consideração essa questão da Zona Franca, é provável. Pode até ser que ele seja o mais votado, mas é inegável que afetou diretamente o povo do Amazonas, de Manaus.

E como o senhor analisa o discurso da extrema-direita? Como são formadas as narrativas?

Tem um discurso muito forte de bancadas específicas [do Congresso], como a evangélica, do agronegócio, da bala. É um conservadorismo extremamente religioso, evangélico, neopentecostal, que cresce muito no Brasil nos últimos anos. Além de forte apoio entre militares e profissionais da segurança pública. Você tem discursos contra o funcionamento das instituições e isso a gente vê principalmente no caso do Daniel Silveira, exemplo emblemático de defesa do AI-5, de negação das instituições, da democracia, de tentativa de desestabilizar as instituições democráticas. Isso também pode ser visto na questão da urna eletrônica, de tentar colocar o próprio cidadão ou parcela significativa da sociedade contra as instituições. Além dessa questão, também na pandemia ficou nítido o papel negacionista e antivacina. Uma visão completamente arcaica da ciência, anti-ciência, contra medidas de distanciamento social e do uso de máscara. Tudo isso é característica dos discursos da extrema-direita.

O senhor sempre cita muito o agronegócio e, claro, faz parte da sua pesquisa. Mas o que liga exatamente o agronegócio à extrema-direita? Para o senhor, eles são a mesma coisa ou estamos falando de apenas um ponto em comum entre ambos?

A ligação por parte da bancada do agronegócio no Congresso Nacional é essa identificação econômica com a extrema-direita. É óbvio que o agronegócio é importantíssimo para o país, é fundamental. O Brasil é um grande produtor de commodities, é isso que move a nossa economia. Não discutimos isso. O que está em pauta é o papel do agronegócio em relação à Amazônia, que é a questão da minha pesquisa. E o que assistimos hoje é um agronegócio que não se importa com a floresta. O que vemos hoje é um modelo de desenvolvimento contrário à floresta, ao meio ambiente, que vai de encontro aos interesses ecológicos, à preservação ambiental, à defesa de comunidades tradicionais. Agora grande parte do agronegócio, hoje, apoia diretamente o bolsonarismo. Eu não poderia aqui afirmar com melhor clareza se esse apoio não é só econômico, mas também ideológico. Creio que sejam os dois, é a minha hipótese.  O governo atual tem sido essencial para a política do agronegócio na Amazônia, em especial, no que diz respeito às terras indígenas, a áreas de preservação ambiental, e à expansão da fronteira agrícola. Apesar disso, vale lembrar também que em governos anteriores o agronegócio teve um papel fundamental, inclusive nos governos do PT e do Fernando Henrique Cardoso.

Seu estudo é voltado para a extrema-direita, mas para deixar um contraponto no final, de que maneira o senhor caracteriza a esquerda na Amazônia? Como se articula esse grupo nos estados, ressalvadas as diferenças regionais?

Vou citar o caso rondoniense, porque posso falar com propriedade. A esquerda em Rondônia está completamente esfacelada. O que sobrou da esquerda em Rondônia está completamente esfacelado. É um sentimento antipetista muito forte em Rondônia e isso, em larga medida, pode ser consequência não apenas do quadro nacional, ainda do desastre que foi o segundo governo Dilma do ponto de vista econômico, mas também passamos em Porto Velho por uma experiência desastrosa do PT no poder. O partido governou Porto Velho durante dois mandatos e no segundo o prefeito não concluiu. Ele saiu por uma medida judicial, na época, por várias denúncias de corrupção contra o governo. Então, o que sobrou da esquerda que está tentando se reconstruir é através da eleição do Lula, do que hoje ele representa na corrida eleitoral brasileira. Por isso que as possibilidades de dois candidatos bolsonaristas no segundo turno para o governo do estado são enormes. Se o sentimento antipetista é grande no Brasil, em Rondônia é maior ainda.

Gostaria de destacar algum ponto ao final da entrevista?

Acredito que vale a pena enfatizar esse ponto de caracterização da extrema-direita no Brasil, a questão do agronegócio, dos evangélicos e também da questão da segurança pública e das forças armadas, já que boa parte desse meio apoia o governo Bolsonaro. Esses três setores, assim também como parte do empresariado. No caso da Amazônia, esse apoio está muito mais ligado ao agronegócio, nessas regiões de expansão da fronteira agrícola. É um conservadorismo religioso, extremado, e uma visão literal de mercado que visa o lucro a qualquer custo. Não se preocupa com questões ambientais, territórios indígenas e áreas de preservação, tem uma visão arcaica de desenvolvimento. Além disso, o negacionismo, em especial, aquele demonstrado durante a pandemia.

Fonte: A Crítica, de Manaus

Terras indígenas bloqueiam desmatamento no Brasil, segundo novo estudo | Notícias sobre a crise climática

As imagens de satélite não deixam dúvidas de que os povos indígenas estão impedindo a destruição da Amazônia’, diz o pesquisador.

As reservas indígenas no Brasil atuaram como uma barreira contra o desmatamento nas últimas três décadas, de acordo com um novo estudo, embora a destruição da floresta amazônica tenha se acelerado recentemente sob o presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro.

Dos 69 milhões de hectares (170 milhões de acres) de vegetação nativa que o Brasil perdeu nos últimos 30 anos, apenas 1,6% estava em terras indígenas, segundo o relatório do MapBiomas, um projeto conjunto entre vários grupos ambientalistas, universidades e novos empresas.

Cerca de 70 por cento da área desmatada estava em terras privadas, descobriu.

“As imagens de satélite não deixam dúvidas de que os povos indígenas estão retardando a destruição da Amazônia”, disse Tasso Azevedo, coordenador do projeto.

“Sem reservas indígenas, a floresta certamente estaria muito mais próxima do ‘ponto de inflexão’ onde deixa de fornecer os serviços ecológicos dos quais nossa agricultura, indústrias e cidades dependem.”

 

 

As descobertas são as mais recentes em vários estudos que mostram que proteger as terras indígenas é uma das melhores maneiras de impedir a destruição de florestas nativas, que são recursos vitais na corrida para conter as mudanças climáticas.

As reservas indígenas representam 13,9% do território brasileiro, cobrindo 109,7 milhões de hectares (271,1 milhões de acres) de vegetação nativa, quase um quarto do total do país.

Mas eles enfrentam uma pressão crescente sob Bolsonaro, que foi eleito com a promessa de não permitir a criação de “mais um centímetro” de reservas indígenas.

A destruição da maior floresta tropical do mundo aumentou desde que Bolsonaro assumiu o cargo em 2019 e enfraqueceu as proteções ambientais, argumentando que elas prejudicam o desenvolvimento econômico que poderia reduzir a pobreza na região amazônica.

Representantes de 100 tribos indígenas estiveram na capital, Brasília, este mês para exigir mais proteção para suas terras e denunciar propostas de leis que permitiriam ao governo explorar ainda mais a floresta tropical.

O protesto ocorreu quando o Brasil estabeleceu um novo recorde sombrio de desmatamento na Amazônia nos primeiros três meses de 2022 em comparação com o ano anterior, segundo dados do governo.

 

 

De janeiro a março, o desmatamento na Amazônia brasileira aumentou 64% em relação ao ano anterior, para 94.100 hectares (232.526 acres), mostraram dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) no início deste mês.

A destruição foi impulsionada principalmente pela agricultura e especulação de terras no Brasil, uma potência agrícola e o maior exportador mundial de carne bovina e soja. O país abriga cerca de 60% da floresta amazônica.

Raoni Rajao, professor de gestão ambiental da Universidade Federal de Minas Gerais, disse à Al Jazeera quando os dados do INPE foram divulgados que a situação era “bastante grave”.

“O fato de já estarmos em um nível recorde e realmente [seeing] os números que normalmente são esperados no meio do ano, quando está mais seco e na verdade é mais fácil acessar a floresta e causar alguns danos, são realmente preocupantes”, disse Rajao.

Fonte: ZEDDBRASIL

Roubo de madeira, grilagem e projeto de usina ameaçam extrativistas em Rondônia

Um relatório de missão ao Conselho Nacional de Direitos Humanos apontou 16 mortes brutais na região nos últimos 10 anos

Por Luciana Oliveira – Angelim, Aquariquara, Castanheira e outras 13 árvores dão nomes às reservas extrativistas da região de Machadinho do Oeste e Vale do Anari, em Rondônia.

Todas as reservas dessa região estão sob intensa pressão da extração ilegal de madeira.

A grilagem é também grave ameaça às áreas protegidas para a conservação do meio ambiente. De 21 reservas estaduais, 16 estão em Machadinho do Oeste.

Acampamentos de invasores já foram destruídos.

Quem invade se sente estimulado com a política antiambiental do governo que enfraqueceu os órgãos de fiscalização.

Seringueiros que nasceram em reservas, como provam documentos, foram obrigados a viver de aluguel e a depender de cesta básica na cidade.

Outros tiveram o perfil de extrativista questionado, o benefício do Plano de Manejo negado e as casas destruídas com fogo.

A tensão aumentou nos últimos quatro anos, segundo os extrativistas. Com vídeos, denunciam e pedem socorro.

Eu choro assim porque eu fico envergonhado, com raiva, medo, nervoso desse pessoal. A Sedam é péssima no estado nosso. Péssima. Eu não recebo um centavo de manejo de 2016 pra cá. Não sei pra onde esse dinheiro tá indo. É muito dinheiro, muita madeira. Estão destruindo nossa reserva, doutora. Estão destruindo nossa reserva e nós não temos o direito de falar nada”, desabafou um extrativista que não quer sua identidade revelada.

Um relatório de missão ao Conselho Nacional de Direitos Humanos apontou 16 mortes brutais na região nos últimos 10 anos.

À reportagem, um seringueiro contou sobre morte após tortura: “E daí pegaram uma mandioca, né? De aproximadamente 30 cm mais ou menos, numa espécie de grossura de um copo desses de vidro comum e colocaram no ânus dele, né?

E daí ele era uma pessoa muito preservada, acanhada. E ele teve uma temporada junto com a gente. E a gente via que pra ele lavar uma roupa de serviço ele entrava dentro do banheiro. Ele se escondia. Ele não lavava em frente a qualquer pessoa.

E ele foi com esse material ingerido dentro dele. E o tempo foi passando e o médico fazendo tratamento diferente e quando viu que ele estava com o “pé da barriga muito inchado” foi que fizeram um RAIO-X. E nesse RAIO-X comprovou o material ingerido dentro dele. E quando foi pra fazer a operação dele, segundo o filho, que tava junto com ele, ele não resistiu mais. Porque estava todo infecionado”.

O pior está por vir se a construção da usina hidrelétrica de Tabajara for autorizada.

A promessa com a obra é de empregos na região.

O custo é alto para uma usina que vai gerar em média 237 Megawatts de energia.

O estudo de impacto ambiental se restringe a uma área bem menor do que a que será atingida.

Os prejuízos ao meio ambiente e às pessoas estão sendo questionados na justiça.

“Do ponto de vista ambiental, do discurso que o governo promove, que vai proteger, que vai segurar o desmatamento, não tem coerência falar isso e ao mesmo tempo aprovar projetos frouxos, com licenciamentos frouxos, com regras frouxas”, diz Luís Fernando Novoa, Coordenador do grupo de pesquisa Territorialidades e Imaginários na Amazônia/UNIR

Para discutir o roubo de madeira, a grilagem e o projeto da usina que ameaçam as reservas extrativistas, a Comissão Pastoral da Terra realizou um encontro e audiência pública em Machadinho.

Os extrativistas ouvidos apontaram a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Ambiental como órgão violador de direitos, por ação e omissão.

Eles denunciaram a falta de transparência e controle nos Planos de Manejo. Quem vive na Resex Aquariquara também culpou a associação Aseva, associação que estaria direcionando o acesso ao benefício.

Um surto de depressão por causa dos conflitos atinge as comunidades.

Um seringueiro passou mal durante a audiência

“Muitas delas se encontram em estado depressivo, grave. Alguns casos a gente teve até situação de tentativa de suicídio”, denunciou Valdirene de Oliveira, Ouvidora Geral da Defensoria Pública de Rondônia.

A Sedam nega indiferença ao que ocorre nas reservas.

“Não estão tão desassistidos assim. A gente esta acompanhando e perto, o escritório da Sedam aqui de Machadinho do Oeste está tentando acompanhar a situação de todos os extrativistas”, disse Fabrício Pereira De Jesus, gerente do Escritório da Sedam em Machadinho do Oeste

Em carta encaminhada a órgãos fiscalizadores os extrativistas pedem providências urgentes.

Pedem auditoria nos Planos de Manejo e proteção para que seja garantida a soberania de seus territórios e de práticas tradicionais.

”A CPT é um braço da igreja católica, uma profética junto aos pequeninos fazendo ecoar seus gritos. Não há nada de escondido que não seja colocado em cima da mesa. As violações sofridas por vocês, cedo ou tarde, serão escancaradas por nós, seja na justiça, nos meios de comunicação, seja nas instâncias internacionais”, disse Maria Petronila, da CPT.

Brasil247

O Marechal da Paz: Livro que conta a vida de Rondon em selos será lançado dia 17 de maio, em SP

Biografia do Patrono das Comunicações — brasileiro indicado ao Nobel da Paz pelo físico Albert Einstein e enaltecido pelo presidente dos Estados Unidos, Theodore Roosevelt — , conta a trajetória do personagem numa criativa combinação de literatura e filatelia

O livro “Rondon, o marechal da paz — A vida de um herói nacional contada por meio da Filatelia”, de Maurício Melo Meneses, será lançado em 17 de maio, às 18h30, no auditório do MackGraphe, prédio 30, 5º andar, localizado na Rua da Consolação, 930, São Paulo — SP. Com 128 páginas, leitura agradável e instigante, a obra, lançada pela Editora Mackenzie, é ricamente ilustrada por selos que retratam aspectos da vida do Marechal Rondon, dos períodos nos quais realizou seu grande trabalho que entrou para a história do Brasil. Imagens e textos harmonizam-se e se complementam, propiciando que o leitor conheça a vida do importante personagem de maneira lúdica, informativa e didática.

Na introdução, o autor salienta que falar de Cândido Mariano da Silva Rondon é essencialmente fazer alusão a um herói nacional. “Marechal Rondon, como é popularmente conhecido, é um exemplo de vida e padrão de civismo para todos os brasileiros.” Ressaltando que o biografado foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz pelo físico Albert Einstein, revela que, em 2015, por meio da Lei 13.141, seu nome foi inserido no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria.

 

O livro traz depoimentos de várias personalidades, que acrescentam relatos sobre a vida de Rondon, reforçando a importância e o caráter inusitado da obra de Maurício Meneses: General de Divisão Floriano Peixoto Vieira Neto, presidente da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos; General de Brigada Paulo A. B. Valença, chefe do Estado Maior do Comando Militar do Sudeste, de 2017 a 2019; Ives Gandra da Silva Martins, professor emérito da Universidade Presbiteriana Mackenzie; Nelson Câmara, presidente da Academia Mackenzista de Letras; e o jornalista e cineasta Cacá de Souza.

Na contracapa do livro, há frases relevantes de personalidades brasileiras e estrangeiras, a começar por Theodore Roosevelt, ex-presidente norte-americano e integrante da Expedição Roosevelt-Rondon: “Rondon, como homem, tem todas as virtudes de um sacerdote, é um puritano de uma perfeição inimaginável na época moderna. E como profissional é tamanho cientista, tão grande é o seu conjunto de conhecimentos, que se poderia considerar um sábio”.

Outro admirador famoso do marechal foi o antropólogo Darcy Ribeiro, que ao ser questionado por representantes da Índia, em uma conferência internacional, se Rondon tinha sido discípulo de Gandhi, disse que “esta pergunta vale por um julgamento de atitude que alcança o pensamento pacifista brasileiro formulado por Rondon: morrer se preciso for, matar nunca”.

Ou, ainda, Carlos Drummond de Andrade, poeta brasileiro, que em trecho extraído do poema Pranto geral dos índios lembrou Rondon: “Eras um dos nossos voltando à origem e trazias na mão o fio que fala e o foste estendendo até o maior segredo da mata… Oh, Rondon, trazias contigo o sentimento da terra…”.

Além disso, Manuel Bandeira se junta aos admiradores do poeta brasileiro. Ele viu esperança e fé na caminhada do biografado: “A vida de Rondon é um conforto para todo brasileiro que ande descrente de sua terra”.

Ideal Incomum

O livro de Maurício Meneses reflete cada uma dessas e muitas outras visões que se pode ter de Rondon, um herói sui generis, que, para não matar, nem deixar que se matasse um só homem, preferiu encarar 100 vezes a morte. “Apresentamos aos leitores uma biografia única do Marechal Rondon, que não pretende ser exaustiva nem extremamente detalhada, mas almeja ser marcante em cada uma de suas páginas”.

Militar, sertanista, indigenista e professor, Rondon foi imortalizado à frente da Comissão Construtora de Linhas Telegráficas. Esse seu pioneirismo para a expansão das comunicações torna ainda mais relevante a escolha da filatelia como uma das linhas narrativas utilizadas por Maurício Meneses. Afinal, a instituição da reforma postal e do selo postal brasileiro em 1º de agosto de 1843 abriu o caminho para outras significativas modernizações que viriam a partir do estabelecimento do Segundo Reinado, o que incluiu a implementação dos telégrafos, em 1857, e do telefone, vinte anos depois.

Foi neste contexto, e em meio ao fervilhar dos movimentos abolicionistas e de integração nacional, que em 1865, na sesmaria de Morro Redondo, Campos de Mimoso, no distrito de Santo Antônio do Leverger, Mato Grosso, nascia Candido Mariano da Silva Rondon. Maurício Meneses conta que, desde muito jovem, o biografado, que descendia, por parte de mãe, de índios terenas e bororos, já expressava um “ideal incomum para sua época: o desejo constante de implantar em seu Estado natal uma rede telegráfica que ligasse todos os povoados mais longínquos à capital”.

“O grande pensamento da juventude de Rondon foi levado a cabo”, segue o autor, pois o futuro Marechal mato-grossense não apenas ligou entre si os longínquos rincões de Mato Grosso como também conectou as regiões Centro-Oeste e Norte do país ao Rio de Janeiro, então capital da República, solucionando os antigos e preocupantes problemas de comunicação e segurança daquelas partes da nação.

Tamanho conhecimento adquirido em suas andanças pelos sertões fez com que as contribuições do “patrono das comunicações do Brasil”, como é conhecido, excedessem o trabalho de unificação do território via instalação de redes de telégrafos. De 1927 a 1930, Rondon foi o responsável por inspecionar as fronteiras brasileiras, do extremo norte do país até as divisas com Argentina e Uruguai. O legado dessa contribuição pode ser identificado em expressão cunhada pelo próprio Rondon: “do Oiapoque ao Chuí”, que faz referência a estes dois municípios, o primeiro no ponto mais setentrional do território brasileiro, no Amapá, e o segundo, no mais meridional, no Rio Grande do Sul.

Rondon, O Indigenista

Uma das consequências deste trabalho, cuja amplitude vai muito além do trecho destacado acima, deu a Rondon outro dos apostos pelo qual é mundialmente conhecido: o de “mais importante registrador de etnias indígenas do Brasil”.

Em sua obra, Maurício Meneses apresenta as características que fizeram com que o biografado não apenas localizasse, mas integrasse ao território brasileiro, de maneira pacífica, muitas das nações que contatou. Ao apresentar a experiência do marechal com cada um desses povos, o autor revela o caráter pacifista de sua abordagem. “Mediante o contato diário e a descoberta dos valores desses povos, Rondon passou a cuidar dos direitos dos índios, por isso foi muito além do desempenho de suas funções geográficas e científicas. Rondon construiu, por meio do contato com os nativos, um verdadeiro legado humanista numa época em que os índios eram abatidos a tiros logo no primeiro encontro”, relata o autor.

As conclusões a que chega Maurício Meneses ao apresentá-lo como indigenista talvez traduzam o que provavelmente fez com que Rondon se tornasse o único brasileiro a ser indicado, três vezes, ao Prêmio Nobel da Paz –uma delas por ninguém menos do que um dos maiores cientistas de todos os tempos, o alemão Albert Einstein.

No entanto, Marechal Rondon pode e deve ser visto por muitas outras lentes. Suas contribuições para a consolidação do Brasil moderno não cabem nem nos milhares de quilômetros que percorreu a pé. Por isso, como ressalta Jaguaribe de Matos, membro oficial da Comissão Rondon, general de Brigada e comandante da Revolução Constitucionalista de 1932, devem sempre ser lembradas: “Tem na sola dos pés o mais longo caminho jamais percorrido, mas é preciso acrescentar: e que realizações em cada um dos passos desse fundo palmilhar!”.

É o que faz este Rondon: o marechal da paz.

Serviço

Título: Rondon: o marechal da paz.

Subtítulo: A vida de um herói nacional contada por meio da Filatelia.

Autor: Maurício Melo Meneses.

Editora: Editora Mackenzie.

Edição: 1ª.

Ano: 2021

Encadernação: capa dura, luxo.

Altura: 28 cm. Largura: 21 cm.

Nº de páginas: 128.

Lançamento: 17 de maio, às 18h30, no auditório do MackGraphe, prédio 30, 5º andar, localizado na Rua da Consolação, 930, São Paulo — SP.

Sobre a Editora Mackenzie

Especializada na publicação de livros acadêmicos e técnico-científicos, a Editora Mackenzie, há 21 anos no mercado editorial, publicou mais de 300 títulos de alguns dos mais renomados pesquisadores do país, nas áreas de Administração, Educação, Engenharia, Filosofia, Letras e Linguística, Psicologia, Teologia, entre outras, contribuindo para o desenvolvimento da educação brasileira.

Sobre a Universidade Presbiteriana Mackenzie

A Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) está na 71a posição entre as melhores instituições de ensino da América Latina, segundo a pesquisa Times High Education 2021, uma organização internacional de pesquisa educacional, que avalia o desempenho de instituições de ensino médio, superior e pós-graduação. Comemorando 70 anos, a UPM possui três campi no estado de São Paulo, em Higienópolis, Alphaville e Campinas. Os cursos oferecidos pelo Mackenzie contemplam Graduação, Pós-Graduação Mestrado e Doutorado, Pós-Graduação Especialização, Extensão, EaD, Cursos In Company e Centro de Línguas Estrangeiras.

P.S. O Instituto Rondon é em homenagem ao Marechal da Paz, Cândido Mariano da Silva Rondon, indigenista, explorador que mais profundamente penetrou em terras tropicais e indicado para 2 prêmios Nobel da Paz

 

O jihadista não conseguiu me degolar: “Quem é você? Eu não consigo mexer o facão!”

O arrepiante relato do padre franciscano Abuna Nirwan no Iraque

Ope. Abuna Nirwan é um franciscano que nasceu no Iraque e, antes de ser ordenado sacerdote, estudou medicina. Foi destinado à Terra Santa e, em 2004, ganhou das Irmãs Dominicanas do Rosário uma relíquia da sua fundadora e um terço usado por ela. O padre passou a trazer a relíquia e o rosário sempre consigo.

A fundadora em questão é Santa Marie Alphonsine Danil Ghattas, cristã palestina canonizada em 2015 pelo Papa Francisco. Em 2009, quando o Papa Bento XVI aprovou o milagre para a sua beatificação, a Santa Sé pediu a exumação do corpo da religiosa. Esta missão costuma caber ao bispo local, que, para realizá-la, designa um médico. E esse médico foi justamente o padre Abuna Nirwan.

Em 2004, a relíquia e o rosário… Em 2009, a exumação… E esses dois fatos extraordinários não foram os únicos que ligaram o padre Nirwan àquela santa fundadora.

Dois anos antes da aprovação do Papa Bento à beatificação da religiosa, mais um fato simplesmente arrepiante envolvendo o pe. Nirwan e a madre Marie Alphonsine tinha sido relatado pelo padre Santiago Quemada no seu blog “Un sacerdote en Tierra Santa”.

Eis o relato:

A história que vamos contar aconteceu em 14 de julho de 2007. Abuna Nirwan foi visitar a sua família no Iraque e, para isso, precisou contratar um táxi. Ele mesmo relatou o caso na homilia de uma missa que celebrou em Bet Yalla. O padre Nirwan contou:

Não havia possibilidade de ir de avião para visitar a minha família. Era proibido. O meio de transporte era o carro. Meu plano era chegar a Bagdá e ir de lá para Mossul, onde viviam os meus pais.O motorista tinha medo por causa da situação no Iraque. Uma família, formada pelo pai, a mãe e uma menininha de dois anos, pediu para viajar conosco. O taxista me falou do pedido e eu não vi nenhum inconveniente. Eram muçulmanos. O motorista era cristão. Ele disse que havia lugar no carro e que eles podiam ir conosco. Paramos num posto de combustível e outro homem jovem, muçulmano, também pediu para ir junto até Mossul. Como ainda restava um assento, ele também foi aceito.A fronteira entre a Jordânia e o Iraque só abre quando amanhece. Quando o sol se levantou, uma fila de cinquenta ou sessenta carros foi avançando lentamente, todos juntos.Seguimos a viagem. Depois de mais de uma hora, chegamos a um lugar onde estavam fazendo uma inspeção. Preparamos os passaportes. O motorista nos disse: “Tenho medo desse grupo”. Antes era um posto militar, mas uma organização terrorista islâmica havia matado os militares e tomado o controle do local.Quando chegamos, eles nos pediram os passaportes sem nos fazer descer do carro. Levaram os passaportes a um escritório. A pessoa voltou, se dirigiu a mim e disse: ‘Padre, vamos continuar a investigação. Podem ir até o escritório mais à frente. Depois já é o deserto”. “Muito bem”, respondi. Caminhamos uns quinze minutos até chegar à cabana a que eles se referiam.Quando chegamos à cabana, saíram dois homens de rosto coberto. Um deles tinha uma câmera em uma mão e um facão na outra. O outro era barbudo e estava segurando o alcorão. Chegaram até nós e um deles perguntou: “Padre, de onde está vindo?”. Respondi que vinha da Jordânia. Depois ele perguntou ao motorista.Depois se dirigiu ao rapaz que vinha conosco, o agarrou por trás com os braços e o matou com o facão. Amarraram as minhas mãos por trás das costas e disseram:“Estamos gravando isto para a Al-Jazeera. Quer dizer algumas palavras? Tem menos de um minuto”.Eu respondi:“Não, só quero rezar”.Eles me deram um minuto para rezar.Depois um deles me empurrou pelo ombro para baixo até eu ficar de joelhos e me disse:“Você é clérigo. É proibido que o seu sangue caia no chão porque é sacrilégio”.Por isso ele foi pegar um balde e voltou com ele para me degolar. Não sei o que rezei naquele momento. Senti muito medo e disse a Maria Alphonsine:“Não pode ser por acaso que eu trago você comigo. Se é preciso que nosso Senhor me leve ainda jovem, estou pronto. Mas, se não é, eu te peço que ninguém mais morra”.Ele pegou a minha cabeça, segurou meu ombro com força e levantou o facão. Uns instantes de silêncio e de repente ele perguntou:“Quem é você?”Respondi:“Um frade”.“E por que eu não consigo mexer o facão? Quem é você?”.E, sem me deixar responder, prosseguiu:“Padre, você e todos voltem para o carro”.Fomos de volta até o veículo. Daquele momento em diante, eu perdi o medo da morte. Sei que um dia morrerei, mas agora é mais claro que vai ser só quando Deus quiser. Desde aquele momento, eu não tenho medo de nada nem de ninguém. O que vier a me acontecer é porque é vontade de Deus e Ele vai me dar a força para acolher a Sua cruz. O importante é ter fé. Deus cuida dos que acreditam n’Ele”.

Traduzido, com adaptações, de artigo publicado pelo site Religión en Libertad (em espanhol)

Sob Bolsonaro: “Temos medo de mais mortes, os yanomami estão desaparecendo”

Liderança que denunciou desaparecimento de criança e estupro e morte de adolescente na Terra Indígena Yanomami relata ameaças de garimpeiros. “É muito assustador. Os yanomami estão totalmente abandonados.”

Uma semana após divulgar um vídeo denunciando o desaparecimento de uma mulher, de uma criança de 3 anos e a morte de uma adolescente de 12 anos vítima de estupro em consequência da ação de garimpeiros na Terra Indígena (TI) Yanomami, Júnior Hekurari Yanomami, presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Yek’wana (Condisi-YY), ainda tenta entender os detalhes da tragédia.

Os casos foram relatados por indígenas da comunidade Aracaçá, localizada numa área em Roraima que viu o número de invasores explodir nos últimos anos, segundo a Hutukara Fundação Yanomami.

Após a denúncia, representantes da Polícia Federal, Ministério Público Federal, Fundação Nacional do Índio (Funai) e Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) visitaram o local e avistaram a comunidade em chamas.

As versões dos participantes da missão especial, no entanto, são divergentes. Enquanto o Ministério Público afirmou, por meio de nota, que “não foram encontrados indícios materiais da prática dos crimes de homicídio e estupro ou de óbito por afogamento”, o Condisi diz o contrário.

A denúncia suscitou uma onda de comoção na internet com a campanha “Cadê os Yanomami”.

Em carta, o conselho divulgou que alguns indígenas que moravam na comunidade relataram que “não poderiam falar pois teriam recebido 5 gramas de ouro dos garimpeiros para manter o silêncio”.

Depois desse breve relato ao Condisi durante a visita, nenhum dos 25 moradores da comunidade Aracaçá teria sido encontrado.

O fogo nas habitações, segundo análise posterior de indígenas que verificaram as imagens gravadas durante a missão, faria parte de uma tradição: após a morte de um membro querido, a aldeia é queimada e os moradores buscam um novo lugar para viver.

Em entrevista à DW Brasil, Júnior Hekuari Yanomami diz que o medo de que novas mortes de yanomami por garimpeiros é grande, e que os invasores se sentem donos das terras. “Eles falam para as lideranças: ‘Se vocês denunciarem, a gente vai matar a comunidade inteira’. É muito assustador o que está acontecendo”, declara.

“Temos medo de que mais mortes aconteçam nas comunidades. Isso está fazendo com que nós, os yanomami, desapareçamos”, diz.

A Hutukara estima que existam atualmente mais de 40 mil garimpeiros na TI Yanomami, uma situação parecida à observada na década de 1980, que antecedeu a demarcação do território, finalizada em 25 de maio de 1992.

“O povo yanomami está totalmente abandonado. O governo federal é culpado. Ele não está nos protegendo”, afirma Júnior Hekurari Yanomami.

DW BrasilJá se sabe onde estão os indígenas que habitavam a aldeia Aracaçá? Foi possível obter novos relatos mais detalhados do que aconteceu?

Júnior Hekurari Yanomami: Ainda não temos informações concretas. Temos informações de que o povo da aldeia Aracaçá está dentro da floresta. Eu não consegui falar lá hoje (quarta-feira, 04/05) porque está chovendo muito. A comunicação que a gente faz é por radiofonia. Estou esperando o pessoal me ligar para dar mais informações.

Eu mandei alguns indígenas para procurar os parentes desaparecidos. Segundo o censo nosso, são 25 indígenas que moravam lá na aldeia. Foi lá que aconteceu o caso da criança de 3 anos, que foi jogada no rio Uraricoera, e o estupro e morte da menina de 12 anos.

Como os moradores da aldeia conseguiram avisar vocês sobre os crimes?

Uma outra aldeia nos comunicou. Os yanomami atacados comunicaram essa outra aldeia, que nos contou. O ataque foi causado por garimpeiros.

Como é a presença de garimpeiros na região desse ataque?

É muito grande! O garimpo está dentro da aldeia. A comunidade está tomada por garimpeiros! Tem muitos, muitos mesmo. Só naquele local, no Aracaçá, são uns 10 mil garimpeiros.

Área de garimpo na Terra Indígena Yanomami, em 2021
Área de garimpo na Terra Indígena Yanomami, em 2021Foto: Acervo ISA

 

Quais são as maiores preocupações do Condisi neste momento?

Nossa preocupação é com a segurança dos yanomami e das crianças, principalmente. A gente já denunciou, as autoridades já têm conhecimento, a Polícia Federal tem conhecimento, o Ministério Público Federal já sabe.

Temos medo de que mais mortes aconteçam nas comunidades. Isso está fazendo com que nós, os yanomami, desapareçamos.

Precisamos que o governo retire os garimpeiros da Terra Indígena Yanomami! Como eles já estão lá há muito, há quatro anos que eles invadiram a terra, foi tudo rápido, e eles entraram em muitos, alguns garimpeiros estão ameaçando as lideranças, se sentindo donos da terra.

Eles falam para as lideranças: “Se vocês denunciarem, a gente vai matar a comunidade inteira”. É muito assustador o que está acontecendo.

A gente tem muitos relatos fortes, a gente tem vídeos mostrando tudo o que está acontecendo.

Faz quase um ano que houve um ataque numa outra aldeia na Terra Indígena Yanomami, na região de Palimiú, quando uma criança morreu afogada tentando se proteger dos invasores. O que mudou para as comunidades?

Dia 10 de maio vai completar um ano. Foi um tiroteio. Desde lá a gente não tem segurança nenhuma.

A Fundação Hutukara lançou o relatório “Yanomami Sob Ataque” há poucas semanas detalhando a situação, relatando casos de violência sexual e a destruição do território por causa do garimpo. Vocês percebem que está havendo aumento do número de garimpeiros neste ano em relação aos passados?

Sim, está havendo um aumento muito grande. Desde 2019, a entrada dos garimpeiros aumentou bastante. Onde não existia garimpeiro agora tem, e são muitos. Está sendo uma destruição muito rápida.

As denúncias que vocês têm feito desde então trouxeram algum resultado?

Não adiantou nada.

Ano passado, a Polícia Federal fez três ou quatro operações, destruiu muito material, mas os garimpeiros continuaram destruindo normalmente.

Eles têm maquinários, eles têm balsas… Em rios pequenininhos, eles usam maquinário e destroem tudo, a floresta inteira.

Como essas máquinas estão chegando à Terra Indígena Yanomami?

Helicópteros levam tudo. Agora eles não abrem mais pista de avião, agora eles usam helicópteros. São mais de 100 voos por dia.

Diante desse cenário, o que o povo yanomami tem a dizer?

O meu povo yanomami não fala muito o português. Mulheres não falam português, as crianças não sabem o que está acontecendo. Famílias estão tendo que fugir da própria casa… O povo yanomami está totalmente abandonado.

O governo federal é culpado. Ele não está nos protegendo. Nós precisamos de proteção urgente. Porque nós estamos defendendo a vida, a floresta, os rios pra gente poder ter água limpa. Estamos bebendo água contaminada, suja. As crianças, mulheres, a população está adoecendo por causa da contaminação.

Por isso, a gente quer viver em paz. Precisamos cuidar das nossas comunidades sem medo de estar nas nossas casas.

Senador Confúcio Moura recebe Missão Europeia e reafirma compromisso com a preservação dos biomas brasileiros

O encontro, coordenado pelos senadores Confúcio Moura e Jaques Wagner, reafirmou o empenho do Senado Federal com a preservação da Amazônia e dos demais ecossistemas brasileiros

Ao abrir o encontro, o presidente da Comissão de Meio Ambiente do Senado Federal, Jaques Wagner (PT-BA) fez algumas considerações sobre o cenário mundial e criticou a fragilidade dos organismos multilaterais em relação ao avanço do conflito entre a Rússia e a Ucrânia. Em relação ao meio ambiente, Jaques Wagner, expôs a mudança na postura governamental ao afastar o Brasil das mais importantes mesas de negociação sobre o tema. “Se convencionou a acreditar numa falsa dicotomia em que o desenvolvimento, o crescimento, é incompatível com a preservação. Eu não creio nisso. Acho ser possível combinar um tipo de política que dê conta das três dimensões ao mesmo tempo: econômica, social e ambiental”, disse o senador.

Na sua fala, o senador Confúcio Moura avalia que há um conflito permanente entre produção e preservação, que já deveria ter sido superado. “O que vai definir o modelo de desenvolvimento a ser adotado nos países produtores de alimento serão a postura dos consumidores nos países importadores. A exigência por produtos certificados e com garantia de que são produzidos sem agressão ao meio ambiente serão determinantes para a preservação ambiental”, avalia o senador.

Para Confúcio Moura, o trabalho que as organizações não governamentais fazem na Amazônia, no Cerrado e na Caatinga deve ser louvado. “Recentemente, o STF derrubou algumas ações do governo relacionadas ao meio ambiente em função das manifestações destas organizações”, informou o parlamentar.

Continuando, Confúcio Moura, disse que o problema de saneamento básico ainda é um problema a ser enfrentado, para melhorar as condições ambientais no meio urbano. “O Senado Federal aprovou recentemente o Marco Regulatório do Saneamento Básico, instrumento que, esperamos, consiga ajudar no avanço da cobertura dos serviços de esgotamento sanitário no País. Por outro lado, o aumento do garimpo ilegal na Floresta Amazônica é outro desafio que temos aqui no Brasil. Este, com impactos diretos na sobrevivência da população indígena. Por fim, em relação à guerra, eu não esperava ver em vida uma guerra como essa. No meu mapa astral, isso nunca fez parte. Depois de termos avançados tanto na tecnologia, com coisas espetaculares, de repente no deparamos com uma matança sem sentido, primitiva, como a que estamos assistindo”, lamentou Confúcio.

Indagado  pelo embaixador da União Europeia no Brasil, Ignácio Ybáñez, sobre se achava que o arcabouço legal existente no País seria o suficiente para evitar o caos ambiental e preservar vidas e se o STF poderia atuar sempre nessa linha, o senador Jaques Wagner respondeu que “a visão que a sociedade tem sobre o meio ambiente não é uniforme. E isso se reflete no Congresso Nacional. Se dependesse de um grupo de parlamentares, projetos encaminhados pelo Executivo já teriam sido aprovados. Mas, há parlamentares como eu e o senador Confúcio Moura que estamos aqui para resistir”, concluiu o senador baiano.

Presentes ao encontro, além dos senadores Jackson Wagner e Confúcio Moura, o Comissário Europeu para o Ambiente, Oceanos e Pescas, Virginijus Sinkevicius; o embaixador da União Europeia no Brasil, Ignácio Ybáñez; o deputado federal, Rodrigo Augustinho (PSB/SP); Eglantine Cujo, assessora de gabinete do Comissário Europeu; Ana Beatriz Martins, ministra-chefe da Delegação Adjunta da união Europeia; Luis Plana Herrera, assistente da Direção-Geral de Ambiente; Domenica Bumma, chefe do Setor Político, Econômico e de Informação; Laurent Javaudin, conselheiro para Ação Climática, Energia, Meio Ambiente e Saúde.

Após encontro, o senador Confúcio Moura levou os integrantes da missão para conhecer o Plenário do Casa e as suas dependências, juntamente com o deputado Rodrigo Augustinho, membro da Frente Parlamentar Ambientalista da Câmara dos Deputados.

‘Pacote Verde’ do STF: ambientalistas comemoram primeira decisão da corte

Nesta quinta (28), Supremo derrubou três decretos sobre política ambiental do governo Bolsonaro.

A decisão de hoje foi em torno de três decretos diferentes sobre a política ambiental do governo Bolsonaro, um que excluía a participação de representantes da sociedade civil no conselho deliberativo do Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA), outro que afastava governadores de estados da Amazônia legal do Conselho Nacional da Amazônia Legal (CNAL) e mais um que extinguia o Comitê Organizador do Fundo Amazônia (COFA).

A corte derrubou todos os três decretos em questão, determinando a retomada da participação social nos conselhos e no comitê.

Para as organizações socioambientais, o resultado de hoje “reforça o papel do STF como guardião da democracia no país, para além de protetor do meio ambiente no país”.

 

A exclusão da sociedade civil do conselho do FNMA, um dos mais antigos fundos ambientais da América Latina, aconteceu em 2020. Depois disso, apenas representantes do governo passaram a compor o conselho da entidade.

Também em 2020, o presidente Jair Bolsonaro transferiu o CNAL do Ministério do Ambiente para a Vice-presidência e excluiu governadores da Amazônia Legal da composição do conselho que tem objetivo coordenar e integrar os esforços federais pela preservação, proteção e desenvolvimento da Amazônia brasileira.

Já o COFA, extinto em 2019, tinha como atribuição estabelecer diretrizes e critérios para aplicação dos recursos do Fundo Amazônia, mecanismo de captação de recursos para projetos de preservação e fiscalização do bioma, acompanhar as informações sobre a aplicação dos recursos e aprovar o Relatório de Atividades do Fundo Amazônia.

“Os ministros reafirmaram que todos temos direito a participar das decisões que afetam o meio ambiente, ou seja, nossa vida, mesmo que o Presidente não goste disso”, disse Raul Valle, diretor de Justiça Socioambiental do WWF-Brasil.

 

“O STF decidiu muito bem o primeiro caso da pauta verde. A conclusão do julgamento das outras ações também é urgente. Temos acompanhado um desmonte da política ambiental e, a cada dia que passa, vemos um agravamento do desmatamento na Amazônia e em outros biomas. O Supremo tem um papel importante na mitigação dos efeitos da crise climática”, acrescentou o advogado Rafael Giovanelli, especialista em Políticas Públicas do WWF-Brasil.

 

Para o Greenpeace Brasil, o primeiro resultado do julgamento do STF dá o claro recado ao governo que os “retrocessos promovidos não serão facilmente aceitos”.

Um igarapé no meio da Amazônia, na Floresta Nacional do Tapajós — Foto: Marcelo Brandt/G1

Um igarapé no meio da Amazônia, na Floresta Nacional do Tapajós — Foto: Marcelo Brandt/G1

“A participação da sociedade civil na democracia não se dá apenas através do voto, mas também através da participação e debate nos espaços como comitês e conselhos, direito que o atual governo tem retirado da sociedade”, acrescentou a porta-voz de políticas públicas da ONG, Thais Bannwart.

Nesta quinta, depois da decisão do STF, Suely Araújo, especialista sênior em políticas públicas do Observatório do Clima também lembrou que a participação da sociedade civil nos órgãos colegiados da política ambiental tem relação direta com a garantia do direito de todos ao meio ambiente e que isso está determinado na Constituição.

“As tarefas do Poder Público nesse sentido necessitam ter controle social. Os atos normativos derrubados pelo STF colidiram com o importante histórico de participação social nesse campo de políticas públicas, retrocederam nessa perspectiva. O tribunal decidiu a favor da justiça, da democracia e das futuras gerações”, ressaltou.

G1

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